Operadoras de cabo Charter e Comcast constroem redes próprias com espectro CBRS e desafiam modelo da VerizonPor Beatriz
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Charter Communications e Comcast avançam na construção de redes móveis próprias nos Estados Unidos ao utilizar o espectro CBRS. Essas operadoras de cabo investiram conjuntamente US$ 922 milhões nessa faixa compartilhada de 3,5 GHz, permitindo a instalação de pequenas células diretamente em suas infraestruturas de cabos existentes. O objetivo principal consiste em concentrar esforços em regiões de alta densidade populacional, onde ocorre a maior parte do consumo de dados móveis.
A estratégia permite que ambas as empresas diminuam a dependência das torres macro da Verizon, com quem mantêm acordos de MVNO. No final de 2025, a Charter registrou que 88% do tráfego da Spectrum Mobile já passava por redes controladas pela própria empresa, incluindo Wi-Fi e CBRS. Essa migração reduz pagamentos por uso de rede externa, especialmente em áreas de baixo tráfego que permanecem sob responsabilidade da Verizon.
A abordagem segue o princípio de Pareto, segundo o qual uma pequena porção do território gera a maior parte do tráfego móvel. Assim, as operadoras de cabo evitam os altos custos de cobertura nacional ampla, deixando essa parte mais onerosa para a Verizon.
Estratégias das operadoras de cabo
Charter e Comcast adotam modelos distintos na expansão de suas redes móveis. A Charter avança de forma mais agressiva, com meta de alcançar 23 mercados CBRS até o fim de 2025 para maximizar a redução de custos wholesales.
A Comcast, por sua vez, prioriza a rentabilidade e trata o wireless como complemento à banda larga. A empresa iniciou rollouts em Philadelphia, onde detém o máximo permitido de espectro CBRS.
Vantagens do espectro CBRS
O CBRS representa uma faixa de espectro compartilhada regulada pela FCC, que não exige licenças nacionais caras. Empresas podem implantar redes 4G e 5G privadas ou locais em áreas específicas, o que favorece operadoras de cabo com infraestrutura existente.
As pequenas células strand-mounted custam poucos milhares de dólares cada, contra dezenas de milhares em instalações tradicionais. Elas utilizam energia e backhaul diretamente dos cabos de fibra, simplificando a implantação.
- Redução significativa de custos operacionais;
- Maior controle sobre tráfego em zonas urbanas;
- Flexibilidade para densificação seletiva;
- Compatibilidade com equipamentos leves de fornecedores como Nokia e Samsung.

Redução de custos com Verizon
Nos últimos três anos, a Charter diminuiu em cerca de 20% a dependência de torres macro da Verizon. Essa mudança reflete o aumento do offload para redes próprias, incluindo Wi-Fi e CBRS.
A Verizon continua responsável pela cobertura ampla em regiões de baixa densidade, mais caras de manter. Operadoras de cabo pagam wholesale apenas nesses cenários, otimizando despesas.
O modelo transforma a dinâmica do mercado wireless norte-americano. Empresas de cabo passam a atuar como donas de infraestrutura onde o retorno é maior.
A migração gradual permite economia substancial em pagamentos à Verizon. Projeções indicam reduções adicionais à medida que novos mercados CBRS entram em operação.
Diferenças entre Charter e Comcast
A Charter trabalha com equipamentos Nokia para suas células leves montadas em cabos. A empresa já implantou milhares de rádios CBRS em estados como Carolina do Norte, Alabama e Geórgia, com expansão planejada para 2025.
A Comcast optou por parceria com Samsung e concentra esforços iniciais em Philadelphia. A abordagem mais cautelosa reflete foco em rentabilidade imediata, em vez de crescimento acelerado no segmento móvel.
Ambas as empresas aproveitam a infraestrutura de cabo existente para alimentar e conectar as células. Essa integração reduz custos e acelera deployments em comparação com operadoras tradicionais.
A Charter registra maior porcentagem de tráfego offload, alcançando 88% em redes controladas no final de 2025. A Comcast avança em ritmo próprio, priorizando adição de linhas móveis como complemento à base de banda larga fixa.
Implantação de small cells strand-mounted
As small cells strand-mounted representam o núcleo da estratégia de Charter e Comcast no CBRS. Esses equipamentos leves instalam-se diretamente nos cabos aéreos de fibra, aproveitando energia e conectividade já disponíveis na rede de cabo. A instalação ocorre em bairros densos, blocos de apartamentos e ruas urbanas com alto consumo de dados, permitindo densificação precisa sem grandes obras civis.
Fornecedores como Nokia e Samsung fornecem rádios compactos que operam em 5G. Cada unidade custa significativamente menos que células tradicionais, viabilizando escala em áreas de retorno rápido. A Charter já demonstra resultados concretos, com milhares de unidades ativas e planos de expansão para novos mercados.
Essa tecnologia transforma a economia do wireless para operadoras de cabo. Elas evitam investimentos massivos em cobertura nacional, focando onde o tráfego concentra-se. A integração com Wi-Fi residencial complementa o offload, elevando a eficiência geral da rede híbrida.
Requisitos regulatórios da FCC
A FCC estabelece que licenças CBRS devem ser usadas ativamente até 2030, sob pena de perda. O critério prioriza cobertura populacional, não área geográfica, beneficiando operadoras urbanas como Charter e Comcast.
Perspectivas do mercado wireless
O modelo adotado por Charter e Comcast altera a competição no setor móvel norte-americano. Operadoras tradicionais arcam com custos de cobertura universal, enquanto empresas de cabo selecionam áreas de maior retorno.
A combinação de CBRS, Wi-Fi e acordos MVNO cria redes híbridas eficientes. Clientes recebem serviço contínuo, com transição automática entre camadas.
A estratégia reforça a convergência entre banda larga fixa e móvel. Pacotes integrados reduzem churn e aumentam fidelidade.
- Offload para redes próprias;
- Redução de pagamentos wholesale;
- Densificação em zonas de alto tráfego;
- Manutenção de cobertura nacional via parceiro.
A evolução do CBRS consolida as operadoras de cabo como players relevantes no wireless. Investimentos iniciais de US$ 922 milhões geram retornos crescentes à medida que o tráfego migra para infraestrutura própria.







