Proposta eleva teto MEI para R$ 150 mil em 2026 e enfrenta etapas decisivas no congresso nacional
A possibilidade de um reajuste significativo no teto de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI) tem gerado grande expectativa entre milhões de pequenos empreendedores em todo o Brasil. Atualmente fixado em R$ 81 mil anuais desde 2018, o limite tem sido apontado como um fator de estrangulamento para o crescimento de negócios que, ao atingirem este patamar, se veem obrigados a migrar para regimes tributários mais complexos e onerosos. A discussão ganhou novo fôlego com a tramitação de projetos de lei que visam não apenas atualizar este valor, mas também implementar um mecanismo de correção periódica para evitar futuras defasagens, refletindo a realidade econômica do país e incentivando a formalização e expansão das microempresas.
Entre as propostas em análise, destaca-se o Projeto de Lei Complementar (PLP 67/25), apresentado pelo deputado Heitor Schuch (PSB-RS). Este PLP sugere a elevação do teto de faturamento para R$ 150 mil, um aumento substancial que poderia beneficiar uma vasta parcela de MEIs.

No mesmo tema: Novo limite de faturamento do MEI para R$ 130 mil em 2025 transforma oportunidades no empreendedorismo brasileiro
Além do novo valor proposto, o texto do PLP 67/25 traz uma inovação fundamental para a estabilidade do regime:
* Previsão de correção anual do teto de faturamento, a ser realizada em fevereiro.
* O reajuste considerará a inflação acumulada no ano anterior, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
A defasagem do limite atual do MEI
O atual limite de faturamento de R$ 81 mil para o MEI foi estabelecido em 2018, há mais de sete anos. Desde então, a inflação acumulada e o aumento dos custos operacionais corroeram consideravelmente o poder de compra e a capacidade de expansão dos microempreendedores. Muitos negócios que antes se encaixavam perfeitamente no regime simplificado hoje enfrentam dificuldades para se manter, limitando seu crescimento para evitar o desenquadramento compulsório.
Essa defasagem tem um impacto direto na formalização e na sustentabilidade dos pequenos negócios. Empreendedores com faturamento crescente são forçados a estagnar ou a atuar na informalidade para não exceder o teto, perdendo os benefícios previdenciários e a simplificação tributária oferecidos pelo MEI. A atualização se mostra, portanto, não apenas um ajuste financeiro, mas uma medida de fomento ao empreendedorismo nacional.
Proposta de reajuste e o futuro do MEI
O Projeto de Lei Complementar (PLP 67/25) propõe não apenas o aumento do teto para R$ 150 mil, mas também a introdução de uma correção anual vinculada ao IPCA. Essa medida visa garantir que o limite se mantenha atualizado com a realidade econômica, evitando futuras defasagens.
A correção automática representa um avanço importante para a categoria, oferecendo maior previsibilidade e segurança jurídica aos microempreendedores. Com um teto dinâmico, o MEI poderá planejar o crescimento de seu negócio sem a constante preocupação de ser pego de surpresa por um limite estático.
Essa iniciativa busca promover um ambiente mais favorável para o desenvolvimento dos pequenos negócios, que são a base da economia brasileira. A capacidade de expandir o faturamento sem ser penalizado por uma legislação desatualizada é um incentivo crucial para a geração de empregos e renda.
Mais sobre o assunto: Limite de R$ 81 mil para MEI acaba: projeto prevê R$ 150 mil a partir de 2026
A proposta de R$ 150 mil é vista como um valor mais condizente com o cenário atual, permitindo que muitos empreendedores permaneçam no regime simplificado por mais tempo, consolidando suas operações antes de uma eventual migração para categorias de tributação mais complexas.
O caminho legislativo no congresso
A tramitação do PLP 67/25 no Congresso Nacional é um processo complexo, que exige a superação de diversas etapas até uma eventual aprovação e sanção. O projeto, que busca reformar um pilar importante da política de incentivo ao microempreendedorismo, passa por análises rigorosas em diferentes comissões.
Saiba mais: MEI terá limite de faturamento elevado para R$ 150 mil a partir de 2026
O primeiro grande desafio ocorre na Comissão de Finanças e Tributação. Nela, os parlamentares avaliam o impacto orçamentário da proposta, como a estimativa de renúncia fiscal para o governo, que seria de aproximadamente R$ 1,5 bilhão ao ano com o novo limite. Essa etapa é crucial para garantir a viabilidade financeira da medida.
Em seguida, o texto é encaminhado à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, um colegiado responsável por verificar a conformidade do projeto com a Constituição Federal. A análise assegura que a proposta respeita todas as normas legais e técnicas legislativas vigentes no país.
Superadas essas barreiras nas comissões, o PLP segue para votação no Plenário da Câmara dos Deputados. Por se tratar de um projeto de lei complementar, sua aprovação requer a maioria absoluta dos votos dos deputados, um patamar que exige grande articulação política e consenso entre os partidos.
Saiba mais: MEI terá teto de faturamento elevado para R$ 150 mil em 2026, diz projeto
Etapas finais no senado e sanção presidencial
Após a aprovação na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei Complementar 67/25 segue para o Senado Federal, onde enfrentará um novo ciclo de análises e votações. No Senado, o texto passará novamente por comissões específicas, que revisitarão os pontos já debatidos na Câmara, e também pelo Plenário.
Caso os senadores aprovem o texto sem alterações, a medida será encaminhada diretamente para a sanção presidencial. Se houver modificações, o projeto retorna à Câmara para uma nova apreciação das mudanças, um processo que pode estender ainda mais o tempo de tramitação. Este longo percurso demonstra a necessidade de um amplo apoio político para que o reajuste se concretize.
Relevância do MEI para o desenvolvimento econômico
O Microempreendedor Individual desempenha um papel fundamental na economia brasileira, sendo uma porta de entrada para a formalização de milhões de trabalhadores e para o surgimento de novos negócios. O regime simplificado incentiva o empreendedorismo, a geração de renda e a inclusão social, especialmente para aqueles que antes atuavam na informalidade. A proposta de elevação do teto não apenas acompanha a evolução desses negócios, mas também impulsiona o crescimento do setor.
A urgência do novo limite
A atualização do teto de faturamento do MEI é uma medida urgente para o ecossistema empreendedor nacional. A defasagem atual impõe um freio desnecessário ao desenvolvimento de inúmeros negócios, que se veem limitados por um valor que já não reflete a realidade econômica. O reajuste permitirá que mais empreendedores prosperem, contribuindo para a economia e mantendo a vitalidade da categoria.
















