Um evento astronômico raro está previsto para a noite desta segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, quando uma tempestade geomagnética de alta intensidade proporcionará aos moradores de Massachusetts e outras partes da Nova Inglaterra a chance de observar a aurora boreal. O fenômeno, popularmente conhecido como “luzes do norte”, é resultado direto de uma poderosa ejeção de massa coronal do Sol, que levou a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) a emitir um alerta de visibilidade para latitudes mais baixas que o habitual nos Estados Unidos.
A janela de observação mais promissora está concentrada entre 22h e 2h, horário local da costa leste americana. A previsão indica que estados como Maine, Vermont, New Hampshire e o norte de Massachusetts estão em uma posição privilegiada para testemunhar o espetáculo de luzes. A visibilidade se estende até a fronteira de áreas mais ao sul, como Connecticut e Rhode Island, que podem ter uma visão parcial do horizonte norte.
As condições para observação surgem após uma nevasca que cobriu a região no domingo, e o sucesso da visualização dependerá diretamente do clima local. Enquanto a parte leste de Massachusetts, incluindo a área metropolitana de Boston, espera por céus mais limpos, a região oeste do estado pode enfrentar maior cobertura de nuvens, o que poderia obstruir a visão do fenômeno.
A ciência por trás do alerta G4 da NOAA
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) classificou a tempestade geomagnética em andamento como nível G4, em uma escala que vai até G5, o que a caracteriza como “severa”. Essa classificação é designada para eventos solares com potencial para expandir significativamente o alcance da aurora boreal, tornando-a visível em locais onde normalmente não é observada. O alerta foi intensificado após a detecção de uma erupção solar de classe X, a categoria mais poderosa, que liberou uma vasta nuvem de partículas carregadas em direção à Terra. A aurora ocorre quando essas partículas energéticas, guiadas pelo campo magnético do nosso planeta, colidem com átomos de oxigênio e nitrogênio na alta atmosfera. As cores vibrantes, como verde, vermelho e roxo, são o resultado direto dessas colisões em diferentes altitudes, criando um espetáculo luminoso que reflete a intensa atividade do Sol durante o pico do seu ciclo de 11 anos.
O desafio das nuvens para observadores locais
Apesar da forte atividade geomagnética, o clima local desempenha um papel crucial na experiência dos observadores. A previsão do tempo para a noite desta segunda-feira em Massachusetts apresenta um cenário misto. Na região de Boston e na costa leste, a cobertura de nuvens opacas é estimada em cerca de 38%, oferecendo uma chance razoável de encontrar aberturas no céu para visualizar o fenômeno. A situação se torna mais desafiadora no centro do estado, como em Worcester, onde a nebulosidade pode atingir 45%.
Para os moradores do oeste de Massachusetts, como na área de Springfield, as chances de uma visão clara são menores, com uma previsão de até 59% de cobertura de nuvens densas. Em contrapartida, a região de Cape Cod e as ilhas adjacentes apresentam as condições mais favoráveis, com uma expectativa de menor nebulosidade. A recente queda de neve, embora tenha limpado a atmosfera, também pode criar um desafio adicional, pois a luz artificial refletida no solo branco pode diminuir o contraste da aurora no céu.
Como maximizar as chances de observação
Para aumentar a probabilidade de testemunhar a aurora boreal, é fundamental afastar-se da poluição luminosa das áreas urbanas. Escolher um local com um horizonte norte desobstruído é o primeiro passo para uma observação bem-sucedida.
Parques estaduais, áreas rurais e praias voltadas para o norte são as melhores opções. A paciência é um elemento chave, pois a intensidade da aurora pode flutuar, com picos de atividade que duram de minutos a mais de uma hora.
É recomendável que os observadores permitam que seus olhos se ajustem à escuridão por pelo menos 20 a 30 minutos. Evitar o uso de lanternas e o brilho de telas de celular ajuda a preservar a visão noturna.
Utilizar aplicativos de previsão de aurora em tempo real pode fornecer informações atualizadas sobre a intensidade e a localização da atividade geomagnética, ajudando a identificar o momento exato para olhar para o céu.
Fotografando as luzes do norte
Registrar a aurora boreal é possível tanto com câmeras profissionais quanto com smartphones modernos. Para obter os melhores resultados, um tripé é essencial para garantir a estabilidade durante as longas exposições necessárias para capturar a luz tênue do fenômeno.
Em câmeras DSLR ou mirrorless, use uma lente grande-angular com a maior abertura possível (f/2.8 ou menor) e configure a exposição para durar entre 5 e 20 segundos. O ISO deve ser ajustado entre 800 e 3200, dependendo da intensidade da aurora e da escuridão do local.
Para smartphones, o modo noturno é a ferramenta mais eficaz. Muitos aparelhos permitem ajustar manualmente o tempo de exposição, o que pode aprimorar significativamente a qualidade da imagem. O foco manual ajustado para o infinito garante que as estrelas e a aurora fiquem nítidas.
Contexto histórico em latitudes mais baixas
A ocorrência de auroras em latitudes como a de Massachusetts é um evento raro, geralmente associado a ciclos solares de máxima atividade. Registros históricos mostram que fenômenos semelhantes foram documentados em eventos solares extremos, como o Evento de Carrington em 1859, quando as luzes foram vistas até em Cuba. Mais recentemente, em maio de 2024, uma tempestade G5 permitiu que a aurora fosse vista em quase todo o território dos Estados Unidos, reforçando a capacidade de eventos solares poderosos de expandir o alcance do espetáculo.
O pico do ciclo solar 25
O ano de 2026 está próximo do pico previsto para o Ciclo Solar 25, que começou em 2019. Durante esse período, a frequência e a intensidade de manchas solares, erupções e ejeções de massa coronal aumentam consideravelmente.
Este aumento na atividade solar eleva a probabilidade de tempestades geomagnéticas fortes e severas, tornando eventos como o desta noite mais comuns do que no início do ciclo. Cientistas da NOAA e de outras agências espaciais monitoram continuamente o Sol para prever esses eventos e alertar sobre seus potenciais efeitos.
Melhores locais no estado
Para os que buscam os melhores pontos de observação em Massachusetts, algumas áreas se destacam. O Quabbin Reservoir, localizado na parte central do estado, é conhecido por sua baixa poluição luminosa e amplas vistas.
Nas Berkshires, a oeste, locais de maior altitude como o Mount Greylock oferecem um panorama elevado, embora a cobertura de nuvens possa ser um fator limitante. A região de Cape Cod, especialmente em sua extremidade norte em Provincetown, promete céus mais escuros e limpos, sendo uma das escolhas mais promissoras.
Impactos tecnológicos da tempestade
Embora visualmente deslumbrantes, tempestades geomagnéticas de nível G4 podem ter impactos tecnológicos. Sistemas de navegação por satélite, como o GPS, podem sofrer imprecisões temporárias devido às perturbações na ionosfera.
Operadores de redes elétricas em altas latitudes também monitoram de perto a situação, pois correntes induzidas podem causar flutuações de tensão e sobrecarregar equipamentos. No entanto, para uma região como Massachusetts, não são esperadas interrupções significativas nos serviços essenciais, permitindo que a população se concentre apenas no espetáculo celestial.

