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Problemas na suspensão de SUVs chineses: veja os quatro modelos com mais queixas em oficinas mecânicas

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Foto: carros - jpreat/shutterstock.com
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A crescente popularidade dos veículos de origem chinesa no mercado automotivo tem gerado um volume significativo de dados sobre o desempenho e a durabilidade de seus componentes. Um levantamento técnico recente, realizado por especialistas em manutenção, acendeu um alerta ao identificar uma recorrência de falhas no sistema de suspensão de determinados modelos de SUVs, especialmente após os primeiros anos de uso em condições de rodagem mais severas.

A análise aprofundada focou em peças essenciais para a segurança e o conforto, como amortecedores, buchas de bandeja, pivôs e braços de controle. Os resultados indicam que a robustez desses sistemas varia consideravelmente entre as diferentes marcas, com alguns veículos apresentando desgaste prematuro que exige intervenção mecânica antes do previsto nos manuais de serviço.

Essa avaliação serve como um importante guia para consumidores e potenciais compradores, oferecendo uma perspectiva baseada em dados de oficinas sobre a confiabilidade a longo prazo. A pesquisa destaca um desafio de engenharia para algumas montadoras: a adaptação de projetos, originalmente concebidos para a infraestrutura viária chinesa, às realidades de pavimentos mais irregulares encontrados em outros países.

Carros, rodovia, São Paulo
Hans Elmo/shutterstock.com

Quais são os SUVs chineses na lista de reparos

O estudo aponta quatro modelos específicos que registraram maior incidência de manutenções corretivas no sistema de suspensão. O primeiro da lista é o Chery Tiggo 4, também conhecido como Tiggo 5x em alguns mercados. Relatos de mecânicos indicam um desgaste acentuado nos pivôs e terminais de direção, muitas vezes antes de o veículo atingir a marca de 40 mil quilômetros.

Outro veículo destacado negativamente é o Haval F7. As queixas mais comuns associadas a este modelo envolvem ruídos metálicos provenientes da parte inferior do chassi, principalmente ao trafegar em vias não pavimentadas. A causa frequentemente diagnosticada é a fadiga prematura das buchas da barra estabilizadora, componente crucial para controlar a rolagem da carroceria.

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O Geely Coolray também figura na análise devido à sensibilidade de seu conjunto de rodagem. Proprietários relatam que, embora o motor seja um ponto forte, a rigidez excessiva do sistema de amortecimento compromete o conforto e pode levar a vibrações incômodas no volante quando exposto a impactos contínuos, indicando que os componentes não absorvem as irregularidades do solo de forma eficaz.

Fechando o grupo, o Changan CS35 Plus apresentou uma frequência notável de problemas relacionados ao alinhamento do eixo traseiro. A investigação técnica sugere que a causa está na deformação de peças do eixo de torção, um problema estrutural que afeta a estabilidade direcional do veículo e pode levar ao desgaste irregular dos pneus traseiros.

O desafio da adaptação às estradas brasileiras

A durabilidade de um sistema de suspensão está intrinsecamente ligada à qualidade dos materiais empregados e à engenharia por trás de seu projeto. Especialistas do setor automotivo explicam que muitos desses SUVs foram desenvolvidos com foco no mercado doméstico chinês, que, em geral, possui uma malha viária mais uniforme e bem conservada. A exportação para mercados com infraestrutura rodoviária deficiente expõe os componentes a um nível de estresse para o qual não foram originalmente validados.

Essa disparidade entre o ambiente de projeto e o de uso real acelera significativamente o desgaste de peças metálicas e de borracha, como buchas e coxins. Como resultado, proprietários podem perceber uma deterioração do conforto acústico na cabine e uma perda na precisão da dirigibilidade. O custo para a substituição completa de um kit de suspensão pode ser considerável, principalmente em modelos que dependem de peças importadas, tornando a questão um fator importante na decisão de compra.

Componentes críticos e suas falhas recorrentes

Dentro do sistema de suspensão, alguns componentes específicos foram apontados como os mais problemáticos nos modelos analisados. Os amortecedores hidráulicos, por exemplo, apresentaram casos de vazamento de fluido precoce, o que compromete totalmente sua capacidade de absorver impactos e manter os pneus em contato com o solo.

As buchas, peças de borracha ou poliuretano que isolam vibrações e permitem a articulação dos braços de suspensão, também mostraram sinais de degradação rápida. Quando ressecadas ou rachadas, elas geram folgas no sistema, resultando em ruídos, estalos e imprecisão na direção, afetando diretamente a segurança do veículo.

As bieletas, pequenas hastes que conectam a barra estabilizadora à suspensão, são outro ponto de atenção. Elas são responsáveis por transferir as forças laterais e, nos modelos citados, mostraram perder a eficiência de forma prematura, o que se manifesta por meio de batidas secas ao passar por lombadas ou buracos.

Sintomas de problemas na suspensão

Proprietários devem estar atentos a sinais claros de que o sistema de suspensão pode estar comprometido. O sintoma mais comum é o surgimento de ruídos anormais, como batidas secas, rangidos ou estalos, especialmente ao passar por irregularidades na pista, como buracos, valetas ou quebra-molas. Esses sons geralmente indicam folgas em componentes como pivôs, terminais de direção ou buchas gastas.

Outro indicador importante é a perda de estabilidade do veículo. Se o carro balança excessivamente em curvas, “mergulha” a frente de forma acentuada durante as frenagens ou parece “flutuar” em altas velocidades, é um forte indício de que os amortecedores estão desgastados e não conseguem mais controlar os movimentos da carroceria. A direção puxando para um dos lados também pode ser um sintoma relacionado.

Ações da indústria e o impacto no consumidor

A resposta das fabricantes chinesas a esses feedbacks do mercado tem sido um ponto crucial para a reputação de suas marcas. Conscientes dos relatos de falhas, algumas montadoras já iniciaram processos de melhoria contínua, anunciando recalibrações no conjunto de suspensão para lotes mais recentes destinados à exportação. Essas atualizações incluem o uso de ligas metálicas mais robustas e o reforço de pontos de fixação no chassi para aumentar a resistência à fadiga. Para os consumidores que já enfrentam esses problemas, a garantia de fábrica, muitas vezes estendida, tem sido o principal mecanismo de amparo. Contudo, a recorrência dos defeitos levanta um debate sobre o valor de revenda desses SUVs, já que a percepção de fragilidade mecânica pode afastar potenciais compradores no mercado de seminovos. Paralelamente, o setor de autopeças de reposição tem expandido sua oferta, disponibilizando componentes alternativos que, em alguns casos, prometem durabilidade superior às peças originais.

Como a manutenção pode prolongar a vida útil

Ignorar os primeiros sinais de desgaste na suspensão pode resultar em uma falha em cascata, comprometendo outros sistemas vitais do veículo, como freios, pneus e a caixa de direção. A manutenção preventiva é a forma mais eficaz e econômica de evitar danos maiores. Práticas simples, como realizar o alinhamento e o balanceamento das rodas periodicamente, são fundamentais para garantir que todo o conjunto trabalhe em harmonia.

Além disso, uma inspeção visual regular é altamente recomendada. Verificar a presença de vazamentos de óleo nos amortecedores ou rachaduras visíveis nas buchas de borracha pode antecipar um problema grave. A substituição de um único componente desgastado, como uma bieleta, pode evitar a troca de um braço de controle completo, representando uma economia significativa no custo do reparo.

Perspectivas futuras para os novos projetos

A indústria automotiva chinesa é conhecida por sua agilidade e capacidade de rápida evolução. Espera-se que as próximas gerações de SUVs e os novos lançamentos já incorporem as lições aprendidas com esses modelos. A tendência é a adoção de sistemas mais sofisticados, como a suspensão do tipo multilink no eixo traseiro, que oferece um melhor compromisso entre conforto e estabilidade, além de ser inerentemente mais robusta. O investimento em pesquisa e desenvolvimento em mercados internacionais permitirá que os veículos sejam validados em condições reais de uso antes de chegarem ao consumidor final, corrigindo essas vulnerabilidades crônicas.

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