Negativas de Fluminense e Bahia por Hércules e Erick complicam reforços para o meio-campo do SantosPor Carolina Costa
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A diretoria do Santos intensifica os esforços no mercado de transferências para atender às necessidades do elenco, mas encontra um cenário de forte resistência por parte dos clubes brasileiros. A busca por um meio-campista de construção, o chamado “camisa 8”, tornou-se a principal prioridade para a comissão técnica, que identificou a posição como carente de opções robustas para a sequência da temporada.
Após um desempenho considerado abaixo do esperado nas competições estaduais e um começo de campeonato nacional que exige atenção, a pressão sobre a gestão de Marcelo Teixeira aumentou consideravelmente. A torcida e a crítica esportiva aguardam a chegada de nomes que possam qualificar o setor e dar mais consistência tática à equipe.
As investidas mais recentes, no entanto, resultaram em frustração para o clube da Vila Belmiro. Alvos prioritários que atuam em rivais da Série A foram prontamente negados, expondo as dificuldades financeiras e de negociação que o Alvinegro Praiano enfrenta atualmente para competir por atletas de alto nível no cenário nacional.
Vojvoda indica, mas Fluminense barra saída de Hércules
Um dos nomes no topo da lista de desejos do Santos era o de Hércules, volante de 25 anos do Fluminense. O jogador é um pedido expresso do técnico Juan Pablo Vojvoda, que trabalhou com ele no Fortaleza e enxerga no atleta as características ideais para dinamizar o meio-campo santista.
A confiança na relação prévia motivou o treinador a fazer um contato pessoal com Hércules, em uma tentativa de apresentar o projeto do Santos e seduzir o jogador com a possibilidade de uma transferência. A ação de Vojvoda demonstra a importância que o atleta teria em seu esquema tático.
Apesar da iniciativa, a resposta do Fluminense foi imediata e negativa. O clube carioca, detentor dos direitos econômicos do volante, informou que não tem qualquer interesse em negociá-lo, encerrando as conversas antes mesmo que uma proposta oficial fosse formalizada pela diretoria santista.
O alto investimento tricolor que blindou o volante
A postura irredutível do Fluminense em relação a Hércules é justificada por fatores contratuais e financeiros sólidos. O volante possui um vínculo de longa duração com o clube, com validade até o final de 2029, o que dá à diretoria tricolor total segurança para recusar abordagens. Além disso, o investimento para sua contratação foi significativo. No início do ano, o time carioca desembolsou cerca de R$ 29 milhões para adquiri-lo do Fortaleza, um valor que reflete a alta expectativa depositada em seu futebol. Liberar um ativo tão importante e recém-contratado por um valor que não represente um lucro expressivo está completamente fora dos planos do Fluminense, que o considera peça fundamental para o presente e futuro da equipe. A atual condição financeira do Santos torna impraticável a formulação de uma oferta que chegue perto do que seria necessário para convencer a diretoria carioca a mudar de ideia.
Bahia também fecha as portas para a saída de Erick
Em paralelo às conversas por Hércules, o Santos buscou outra alternativa no mercado nacional e sondou a situação do volante Erick, do Bahia. O jogador também se encaixa no perfil desejado pela comissão técnica, sendo visto como uma opção qualificada para assumir a titularidade no meio-campo.
A resposta do clube baiano, contudo, seguiu a mesma linha da do Fluminense. O Bahia rechaçou qualquer possibilidade de negociar o atleta, afirmando que Erick é peça importante no elenco e não está disponível para transferência, especialmente para um concorrente direto.
A barreira financeira e os contratos longos no mercado
A situação de Erick no Bahia é similar à de Hércules no Fluminense, o que reforça o obstáculo enfrentado pelo Santos. O volante também possui um contrato longo, válido até 2029, e seu valor de mercado é estimado em 4 milhões de euros, segundo plataformas especializadas. Essa quantia está fora da realidade orçamentária do Peixe no momento.
Essas negativas expõem uma tendência do futebol brasileiro: clubes financeiramente estáveis não se sentem pressionados a vender seus principais jogadores para rivais domésticos. A blindagem por meio de contratos longos e multas rescisórias elevadas se tornou uma ferramenta eficaz para proteger o planejamento esportivo e valorizar seus ativos, forçando interessados a buscar alternativas em mercados menos inflacionados ou jogadores em fim de contrato.
A tentativa frustrada por Juan Nardoni na Argentina
Diante das dificuldades no Brasil, a diretoria santista ampliou o leque e buscou opções no mercado sul-americano. O nome que ganhou força foi o de Juan Nardoni, meio-campista de 23 anos que atua pelo Racing, da Argentina. O Santos chegou a formalizar uma proposta.
A oferta do Peixe consistia em uma negociação envolvendo a troca de atletas. O clube propôs ceder o zagueiro paraguaio Alexis Duarte e o meia Rollheiser para poder contar com Nardoni em definitivo.
No entanto, a diretoria do Racing Club recusou prontamente o modelo de negócio apresentado. Os argentinos deixaram claro que só aceitam liberar o volante mediante compensação financeira, estipulando o valor em R$ 52 milhões.
Essa quantia é considerada proibitiva para os cofres do Santos, inviabilizando qualquer avanço nas tratativas e frustrando mais uma tentativa de reforçar o setor de meio-campo com um nome de impacto.
Estratégia de trocas se mostra ineficaz para o Peixe
A tentativa de usar jogadores como moeda de troca, uma estratégia comum para clubes com limitações de caixa, não surtiu efeito para o Santos nesta janela. Os clubes consultados demonstraram preferência por transações financeiras, buscando liquidez para reinvestir em seus próprios alvos ou para equilibrar as contas, o que deixa o Alvinegro Praiano em uma posição delicada para encontrar os reforços desejados.







