Agentes de Soteldo alegam hipossuficiência financeira em processo de quatro milhões contra o SantosPor Thiago Lemos
6 min de leitura
![]() |
A empresa Secasports, responsável pela gestão da carreira do meia-atacante venezuelano Yeferson Soteldo, oficializou um pedido de gratuidade de justiça em uma ação movida contra o Santos na capital paulista. Os representantes do jogador alegam não possuir recursos financeiros para arcar com as custas processuais e honorários advocatícios no litígio que ultrapassa o valor de R$ 4 milhões. A petição foi acompanhada por documentos contábeis que visam comprovar a fragilidade econômica da agência nos últimos meses de operação no mercado esportivo.
O processo judicial tem como pano de fundo a transferência definitiva do atleta para o Fluminense, ocorrida na última temporada, e envolve uma série de cobranças por comissões e acordos não cumpridos. Segundo a defesa da empresa, a condição de hipossuficiência está demonstrada por recibos que indicam faturamento nulo em períodos recentes, o que justificaria a dispensa do pagamento das taxas judiciárias. A situação gera um impasse jurídico, visto que a empresa é gerida por Sebastián Cano, agente com larga trajetória no futebol internacional e uma lista extensa de clientes ativos.
- A cobrança principal soma R$ 515 mil referentes a processos anteriores na Câmara Nacional de Resolução de Disputas.
- Existe um pleito de R$ 2,2 milhões baseados em dívidas de intermediações passadas acumuladas pelo clube.
- A agência reivindica 5% sobre o valor total da venda do jogador ao clube carioca no ano passado.
- O pedido total inclui indenização por danos morais, honorários advocatícios e o arresto de bens do Santos.

Argumentação sobre coação econômica no mercado da bola
Os advogados da Secasports sustentam que o Santos utilizou a transferência do meia para o Fluminense como um mecanismo de pressão para extinguir débitos antigos com a agência. A empresa afirma que foi obrigada a assinar termos de renúncia de créditos para que a negociação fosse liberada pela diretoria santista na ocasião da venda.
A defesa classifica o episódio como coação, argumentando que a agência se encontrava em posição de vulnerabilidade financeira e não teria outra alternativa senão aceitar as imposições do clube. Caso a renúncia não fosse assinada, o Santos supostamente impediria a saída de Soteldo, o que resultaria em prejuízos maiores para todas as partes envolvidas no agenciamento.
Estrutura da dívida e valores em discussão judicial
O montante acumulado na ação judicial reflete anos de negociações entre as partes, incluindo parcelas de comissões que foram repactuadas e sucessivamente descumpridas. O Santos teria condicionado a liberação do atleta à quitação de uma dívida de R$ 960 mil, além dos valores que já estavam sendo discutidos em instâncias desportivas superiores.
Mesmo após a assinatura dos termos impostos pelo clube, os agentes alegam que o Santos não cumpriu com o acordo verbal de repassar a porcentagem referente à última transferência. Esse descumprimento teria sido o estopim para que a empresa buscasse o Poder Judiciário em busca da nulidade dos termos de renúncia assinados sob suposta ameaça econômica.
Histórico do agente e impacto na gestão de carreira
Sebastián Cano atua no cenário do futebol há mais de 25 anos e possui em sua carteira nomes conhecidos como Josef Martínez e Ronald Hernández, além do próprio Soteldo. A declaração de pobreza de uma empresa com tal portfólio surpreende o meio jurídico desportivo e levanta questões sobre a saúde financeira das agências de atletas venezuelanos.
A Justiça de São Paulo deve analisar agora se aceita a declaração de hipossuficiência ou se exige o pagamento integral das custas para o prosseguimento do feito. Caso o benefício seja negado, a Secasports precisará desembolsar valores significativos apenas para manter a tramitação do processo de cobrança contra o Santos.
Detalhes da venda de Soteldo ao Fluminense
A negociação que originou a maior parte da discórdia atual foi selada em junho de 2025, quando o Fluminense desembolsou cerca de US$ 5 milhões pela contratação definitiva do jogador. O Santos, que enfrentava necessidade de fluxo de caixa, utilizou a operação para reduzir sua folha salarial e tentar sanear pendências imediatas com outros credores.
A Secasports afirma que o clube agiu com má-fé ao se beneficiar da renúncia de dívidas e, simultaneamente, ignorar as novas obrigações nascidas da venda ao Rio de Janeiro. A acusação de que o negócio foi usado como “isca” é o ponto central da tese de danos morais apresentada pelos representantes legais do agente Fifa.
Procedimentos jurídicos e pedido de bloqueio de bens
Além do reconhecimento da dívida milionária, a empresa solicitou o arresto cautelar de bens e receitas do Santos para garantir que haja fundos disponíveis ao final do processo. Essa medida é vista como estratégica pelos agentes, dado o histórico de dificuldades financeiras e bloqueios judiciais que o clube da Vila Belmiro enfrenta de forma recorrente.
O pedido de arresto visa atingir premiações de campeonatos, verbas de televisão ou valores de patrocínio que o clube tenha a receber no curto prazo. No entanto, a concessão dessa liminar depende da validação da urgência e da prova inequívoca do risco de insolvência do devedor perante o juízo responsável pelo caso.
Reações e postura institucional do clube santista
O Santos mantém sua política de não comentar processos judiciais em curso, mas internamente trata a renúncia assinada pela Secasports como um documento válido e jurídico. A diretoria entende que as negociações foram transparentes e que a anuência da empresa no momento da venda ao Fluminense encerrou as pendências citadas na ação.
A estratégia do clube será baseada na defesa da validade dos contratos e na contestação da alegada pobreza dos agentes, apontando os ganhos obtidos pela empresa em outras transações internacionais recentes. A batalha jurídica promete se estender por meses nas varas cíveis, impactando a relação futura entre o clube e os representantes do atleta.
Cenário das dívidas desportivas no Brasil
O caso envolvendo Soteldo e o Santos é um reflexo das tensões constantes entre clubes brasileiros e intermediários de jogadores, especialmente em momentos de crise financeira. As negociações de dívidas por meio de transferências de atletas tornaram-se comuns, mas frequentemente resultam em judicialização quando os termos são considerados abusivos por uma das partes após a conclusão do negócio.
A resolução deste conflito servirá como parâmetro para outros agentes que alegam vulnerabilidade diante do poder de retenção federativa exercido pelos clubes profissionais. A decisão sobre a gratuidade de justiça será o primeiro grande teste para a Secasports nesta nova etapa da disputa contra o alvinegro praiano.







