Donald Trump repreende apresentação de Bad Bunny no Show do Intervalo do Super Bowl LX, chamando-a de afronta à américa
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, expressou veementes críticas à performance de Bad Bunny no concorrido show do intervalo do Super Bowl em 8 de fevereiro de 2026. A manifestação ocorreu em suas redes sociais na noite de domingo, onde o republicano classificou o espetáculo como “absolutamente terrível” e uma “bagunça”, sem mencionar diretamente o nome do artista porto-riquenho.
A apresentação, realizada no Levi’s Stadium, na Califórnia, durante a final entre New England Patriots e Seattle Seahawks, gerou uma imediata polarização. Trump argumentou que o show era uma “afronta à grandeza da América”, distanciando-se dos padrões esperados de sucesso e criatividade para um evento de tal magnitude global.
Ele prosseguiu afirmando que “ninguém entende uma palavra do que esse cara está dizendo, e a dança é repugnante”. Para o ex-presidente, a performance representava um “tapa na cara do nosso país”, em um momento em que os Estados Unidos, segundo ele, estariam estabelecendo novos recordes e padrões em diversas áreas.
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A controvérsia do show do intervalo

O show do intervalo do Super Bowl é um dos palcos de maior visibilidade no mundo, com audiência que ultrapassa os 100 milhões de telespectadores apenas nos Estados Unidos. Tradicionalmente visto como um evento de entretenimento inofensivo, sua função primária é manter o público engajado e garantir receitas publicitárias estratosféricas para a transmissão.
No entanto, a história recente demonstra que o evento não está imune a polêmicas, que por vezes acabam por amplificar sua repercussão. Desde gestos provocadores a mensagens politizadas, as apresentações têm se tornado termômetros culturais e políticos, especialmente em anos de efervescência social e polarização.
A voz política de Bad Bunny
A escolha de Bad Bunny para o show do intervalo já havia gerado debates antes mesmo de sua performance, especialmente entre os apoiadores de Trump. Conhecido por seu posicionamento político e engajamento social, o cantor porto-riquenho integra a mensagem em seu trabalho e em suas aparições públicas.
Em 2019, o artista suspendeu uma turnê para aderir a protestos massivos contra o governador de Porto Rico, Ricardo Rosselló, tornando-se uma figura proeminente no ativismo local. Sua identificação com a cultura latina e o uso exclusivo do espanhol em suas músicas são marcas registradas que ele nunca abriu mão para conquistar o mercado norte-americano, diferentemente de outros artistas latinos que adaptaram sua identidade para o sucesso internacional.
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Suas composições, enraizadas no reggaeton e trap latino, frequentemente incorporam referências musicais e líricas que celebram a cultura porto-riquenha e latino-americana, desde clássicos até homenagens a ícones como “Garota de Ipanema”. A música e a mensagem de Bad Bunny são intrinsecamente ligadas à sua identidade e às causas que defende.
Tensão social e imigração nos Estados Unidos
A apresentação de Bad Bunny ocorreu em um período de intensa inquietação social nos Estados Unidos. O país atravessava uma onda de manifestações contra o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA), desencadeadas por mortes atribuídas à agência em Minnesota e outras controvérsias relacionadas a políticas de imigração.
A escolha de um artista latino com forte apelo à comunidade imigrante e posicionamento político claro foi percebida por muitos como um ato de afirmação cultural e uma resposta à retórica anti-imigração. Antes do evento, havia preocupações sobre a presença de agentes do ICE no Super Bowl, embora a chefe de segurança da NFL tenha posteriormente negado tal participação.
O clima tenso em relação às ações anti-imigração amplificou a carga política sobre a performance de Bad Bunny, que se tornou um símbolo de resistência e representatividade para uma parcela da população, ao mesmo tempo em que provocou reações negativas de outros setores.
Reações e a polarização da audiência
As críticas de Donald Trump refletiram um sentimento presente entre seus apoiadores, alguns dos quais chegaram a organizar “programações paralelas” em protesto contra a escolha do artista. A polarização em torno do show de Bad Bunny ilustra como a cultura pop e os grandes eventos midiáticos se tornaram campos de batalha para debates políticos e sociais.
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Para os defensores de Bad Bunny, sua performance no Super Bowl foi um momento de celebração da cultura latina e uma poderosa declaração de identidade e resistência. Para seus críticos, no entanto, a apresentação foi vista como inapropriada para um evento que deveria, em sua visão, unir o país em torno do esporte e do entretenimento.
Essa dicotomia demonstra a profundidade das divisões políticas e culturais que permeiam a sociedade norte-americana. O Super Bowl, que um dia foi um catalisador de unidade, agora reflete as fraturas e os intensos debates que moldam o cenário político do país, transformando o show do intervalo em um espelho das tensões sociais.
Histórico de manifestações no Super Bowl
O Super Bowl, apesar de sua imagem de entretenimento familiar, possui um histórico de momentos que geraram discussões e controvérsias, com alguns artistas utilizando o palco para declarações ou manifestações. Em 2012, a cantora M.I.A. causou burburinho ao mostrar o dedo do meio durante sua performance.
Em 2016, Beyoncé, ao lado do Coldplay, fez uma performance marcante vestida como os Panteras Negras, lançando uma música inédita com forte temática sobre negritude, que repercutiu intensamente. Mais recentemente, em 2025, um dançarino de Kendrick Lamar exibiu bandeiras da Palestina e do Sudão, um ato que resultou em sua detenção e gerou grande debate.
Esses incidentes prévios estabeleceram um precedente para o Super Bowl como uma plataforma onde mensagens políticas e sociais podem emergir, intencionalmente ou não, provocando discussões que transcendem o esporte e o entretenimento, alinhando-se com a crescente conscientização sobre a influência cultural de tais eventos.
O palco global e a mensagem cultural
A repercussão em torno do show de Bad Bunny sublinha a imensa responsabilidade e o potencial de impacto que o palco do Super Bowl carrega. Artistas escolhidos para o evento são automaticamente elevados a um status de porta-vozes culturais, quer desejem ou não.
A performance de um artista como Bad Bunny, cuja identidade e trabalho são intrinsecamente ligados a questões de etnia, língua e política, naturalmente provoca reações intensas. O evento demonstra como a arte e o esporte estão cada vez mais entrelaçados com as discussões sociais e políticas da atualidade, transformando o entretenimento em um fórum para a expressão de ideias e a confrontação de valores.
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