Flamengo vence Vitória no Barradão em jogo marcado por baixo rendimento técnico e brilho de RossiPor Thiago Lemos
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O Flamengo conquistou seu primeiro triunfo no Campeonato Brasileiro de 2026 ao derrotar o Vitória por 2 a 1, no Estádio Manoel Barradas, em Salvador. Apesar do resultado positivo fora de casa, a equipe comandada pelo técnico Filipe Luís apresentou um futebol abaixo das expectativas, acumulando erros técnicos e dificuldades estruturais durante os 100 minutos de partida. A vitória foi garantida pela letalidade nas poucas chances criadas, somada a uma atuação decisiva do goleiro Rossi nos momentos de maior pressão do adversário baiano.
- A equipe carioca finalizou apenas duas vezes no alvo em todo o confronto.
- Everton Cebolinha marcou um gol e ofereceu uma assistência fundamental.
- Rossi defendeu uma penalidade máxima que evitou o empate dos mandantes.
- O resultado garante os primeiros três pontos do clube na tabela da competição nacional.
A fragilidade física do elenco rubro-negro voltou a ser um tema central após o apito final na capital baiana. O time visitante demonstrou lentidão nas transições defensivas e permitiu que o Vitória dominasse as ações territoriais em diversos momentos, evidenciando uma falta de ritmo que preocupa a comissão técnica para a sequência da temporada.
PAREDÃO! Mais um pênalti defendido por Rossi! 🧤 #LanceDoJogo pic.twitter.com/VZcXw4DtI9
— Flamengo (@Flamengo) February 11, 2026
Desempenho individual salva coletivo instável
Everton Cebolinha aproveitou a oportunidade como titular para mostrar que pode ser uma peça fundamental no esquema ofensivo do Flamengo. O atacante foi o responsável direto pela construção do placar, demonstrando frieza ao concluir as jogadas que surgiram em meio a um sistema de criação visivelmente travado e sem inspiração.
Ao seu lado, Emerson Royal também recebeu elogios por sua postura equilibrada entre o apoio ao ataque e o suporte defensivo na lateral direita. O jogador vinha sendo alvo de críticas contundentes por parte da torcida nos compromissos anteriores, mas conseguiu entregar uma performance sólida que ajudou a conter os avanços laterais do time da casa.
O goleiro Rossi terminou a noite como o grande herói da partida ao intervir diretamente no resultado com defesas difíceis e a defesa do pênalti. Mesmo apresentando certa insegurança em saídas de bola pontuais no início do jogo, o arqueiro manteve a concentração necessária para garantir que a vantagem mínima no placar fosse mantida até o encerramento da disputa.
Dilema tático na utilização de Lucas Paquetá
A integração de Lucas Paquetá ao time titular continua sendo um dos maiores desafios para Filipe Luís no início deste ano de 2026. O meio-campista foi escalado para atuar pelo setor direito e acabou ficando isolado, sem conseguir participar efetivamente da articulação das jogadas ou encontrar espaços na marcação adversária.
Durante a entrevista coletiva após o jogo, o treinador explicou que a função de Paquetá é de um meia que parte da ponta para dentro, simulando o papel que desempenhava no futebol inglês. Entretanto, o atleta voltou a cometer erros na saída de bola, repetindo falhas observadas contra o Internacional, o que gerou críticas sobre sua adaptação ao atual modelo de jogo.
Filipe Luís percebeu a falta de fluidez pelo lado direito e orientou a equipe a concentrar os esforços pela esquerda, onde Cebolinha estava mais participativo. Essa mudança estratégica foi essencial para que o time conseguisse chegar ao campo de ataque com mais qualidade, embora a dependência de jogadas individuais tenha ficado evidente ao longo dos dois tempos.
Problemas defensivos e lentidão na saída de bola
O setor defensivo do Flamengo atravessa um período de instabilidade acentuada, com os zagueiros Léo Ortiz e Léo Pereira apresentando dificuldades de posicionamento. A falta de sintonia entre os defensores permitiu que o atacante Renato Kayzer gerasse perigo constante, explorando os espaços deixados pela linha de quatro que se mostrou insegura.
- A linha defensiva sofreu com a velocidade dos contra-ataques do Vitória.
- Alex Sandro apresentou dificuldades físicas para acompanhar o ritmo da partida.
- O meio-campo ofereceu pouco combate na proteção aos defensores centrais.
- Os erros técnicos na primeira fase de construção facilitaram a pressão alta do rival.
A comissão técnica manifestou insatisfação com a forma como a equipe se portou sem a posse de bola, ressaltando que o grupo precisa recuperar a intensidade na marcação pressão. O desgaste físico aparente de alguns titulares tem impedido que o Flamengo mantenha o controle das partidas, resultando em cenários de sofrimento desnecessário contra adversários tecnicamente inferiores.
Alternativas de ataque e eficácia de Pulgar
Diante de um jogo amarrado e marcado por excessivas interrupções da arbitragem, o chute de longa distância tornou-se uma ferramenta vital para o Flamengo. Erick Pulgar foi feliz em uma finalização de fora da área que abriu o caminho para a vitória, mostrando que o recurso individual pode compensar a falta de espaços coletivos.
A jogada do segundo gol também nasceu de um lance de profundidade, quando Léo Ortiz encontrou um lançamento preciso para a finalização de Cebolinha. Essas faíscas de qualidade técnica foram suficientes para bater um Vitória que, embora superior fisicamente, não teve a precisão necessária para converter suas chances em gols.
Arrascaeta, por outro lado, teve uma atuação apagada e foi pouco acionado durante o tempo em que esteve em campo no Barradão. O camisa 10 ainda busca sua melhor forma física e técnica nesta temporada, sendo uma das peças que mais sofrem com a irregularidade coletiva que atinge todos os setores do elenco rubro-negro.
Condições do gramado e controle de jogo
Filipe Luís atribuiu parte das dificuldades de troca de passes à qualidade do gramado do estádio, afirmando que a bola costuma “queimar” nos pés dos atletas em terrenos irregulares. No entanto, o próprio treinador reconheceu que esse problema de falta de controle já foi visto em partidas realizadas em gramados superiores, como contra Fluminense e Internacional.
O técnico ressaltou que a prioridade imediata era somar os três pontos para aliviar a pressão interna, mas o sinal de alerta continua ligado devido ao desempenho oscilante. O Flamengo tem tido dificuldades para ditar o ritmo dos confrontos, muitas vezes abdicando da posse de bola e permitindo que o adversário cresça psicologicamente na partida.
Preparação para a decisão da Recopa Sul-Americana
A vitória em Salvador serve como um fôlego importante antes da disputa da Recopa Sul-Americana, que ocorre na próxima semana. O ambiente no Ninho do Urubu ganha um pouco de tranquilidade, mas a cobrança por um futebol mais convincente permanece alta, visto que o clube investiu pesado na manutenção do elenco campeão.
O calendário prevê um clássico contra o Botafogo antes da viagem para enfrentar o Lanús, o que exigirá uma gestão inteligente do grupo de jogadores. Filipe Luís terá poucos dias para corrigir as falhas de posicionamento defensivo e encontrar uma forma de tornar o ataque mais dinâmico e menos dependente de lances fortuitos.
A expectativa da diretoria e dos torcedores é que a resposta venha em forma de títulos e de uma evolução tática clara. Com a base vencedora preservada, o Flamengo entra em cada competição como favorito, mas o rendimento atual indica que ajustes profundos são necessários para que a equipe volte a dominar o cenário continental como em temporadas passadas.
A consistência técnica é o objetivo principal para as próximas semanas de trabalho intenso no centro de treinamentos. A comissão técnica acredita que, com o reequilíbrio físico dos principais jogadores, as ideias de jogo de Filipe Luís fluirão com maior naturalidade, eliminando os lapsos de concentração que marcaram este início de trajetória no Campeonato Brasileiro.







