Testemunhas relatam medo de Kimberley Milne antes de queda fatal na ponte de Dundee
O julgamento de Lee Milne, acusado de homicídio culposo pela morte de Kimberley Milne, avança na High Court em Glasgow com depoimentos que revelam momentos de tensão e medo da vítima antes do incidente fatal. A testemunha Daisy White descreveu ter visto Kimberley “agachada e assustada”, presa contra a parede de uma loja de carpetes por Milne na noite de 27 de julho de 2023, em Dundee. Kimberley, de 28 anos, caiu de uma ponte na rodovia A90 e foi atingida por vários veículos, resultando em sua morte imediata. O acusado, de 39 anos, nega as acusações de homicídio culposo e de abuso doméstico em múltiplas ocasiões e locais na cidade.
Milne enfrenta ainda uma acusação separada relacionada a abusos domésticos. O caso ganhou destaque com relatos de testemunhas que observaram interações problemáticas entre o casal horas antes do acidente. A promotoria busca estabelecer conexão entre o comportamento do acusado e as circunstâncias que levaram à queda da vítima da estrutura elevada.
Testemunha relata cena de medo na noite do incidente
Daisy White, de 25 anos, contou ao tribunal que avistou o casal discutindo perto de um carro supostamente quebrado em uma rampa de acesso na Kingsway por volta das 21h30. Ela observou novamente os dois em um parque de varejo, onde Milne segurava Kimberley contra a parede de uma loja. A testemunha afirmou que a vítima parecia incapaz de reagir e expressou preocupação imediata com a situação, considerando-a alarmante para uma jovem mulher.
White inicialmente pensou que se tratava de uma relação familiar, como pai e filha, mas mudou de ideia ao notar o evidente desconforto de Kimberley. Ela destacou que a cena acionou alertas de segurança em sua percepção.
Versões contraditórias do acusado emergem no processo
Felicity Dryden, irmã de Lee Milne, de 41 anos, relatou conversa com o irmão após sua detenção pela polícia na noite do ocorrido. Inicialmente, Milne disse que viu Kimberley na ponte, parou o carro para ajudá-la, mas não conseguiu segurá-la e ficou em choque com o desenrolar dos fatos. Posteriormente, a narrativa mudou para alegar que Kimberley estava no veículo e puxou o freio de mão, causando um acidente.
A mudança na explicação foi destacada durante o depoimento, o que contribui para questionamentos sobre a consistência das declarações do acusado. O tribunal analisa essas variações como parte das evidências apresentadas.
Ex-parceiro descreve histórico de agressões e controle
Michael Thomson, ex-parceiro de Kimberley, de 42 anos, manteve contato com ela após o término de um relacionamento de seis meses em meados de 2022. Ele relatou ter visto um hematoma no olho da vítima entre fevereiro e março de 2023, atribuído a Milne. Kimberley confidenciou que sofria agressões físicas e comportamento abusivo do companheiro.
Thomson mencionou ainda que Milne realizava ligações excessivas, chegando a cerca de 20 chamadas em intervalos de 30 a 60 minutos. A vítima deixou o acusado seis dias antes da morte, citando o abuso como motivo principal. Em outro episódio, Thomson ouviu gritos do lado de fora da residência de Kimberley e identificou Milne como o responsável.
Detalhes do incidente e contexto do julgamento
O acidente ocorreu na rodovia A90 em Dundee, onde Kimberley foi atingida por múltiplos veículos após cair da ponte. A defesa, representada por Mark Stewart KC, questiona o conhecimento das testemunhas sobre as circunstâncias exatas. A promotoria, liderada por Alex Prentice KC, apresenta os depoimentos para sustentar as acusações de homicídio culposo e abuso doméstico.
O julgamento prossegue sob presidência da juíza Lady Drummond na High Court em Glasgow. As audiências continuam a ouvir testemunhas e analisar provas relacionadas ao histórico do relacionamento e aos eventos da noite fatal.
O processo busca esclarecer as responsabilidades no caso, com foco nos relatos de abuso prévio e nas interações finais entre vítima e acusado. As evidências apresentadas até o momento incluem observações diretas e relatos de conversas privadas.
















