Pelo menos 37 morrem e 33 pessoas seguem desaparecidas em Juiz de Fora e Ubá durante forte temporalPor Luís Henrique Costa
6 min de leitura
![]() |
As cidades de Juiz de Fora e Ubá, na Zona da Mata mineira, enfrentam um cenário de calamidade após um forte temporal atingir a região no início da semana. O número de mortos subiu para 37, enquanto as buscas por 33 desaparecidos continuam intensas, mobilizando equipes de resgate. A chuva volumosa causou deslizamentos, alagamentos e deixou milhares de desabrigados.
Desde quarta-feira, dia 25 de fevereiro, equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais estão empenhadas no segundo dia de operação, vasculhando escombros e áreas de risco. A tragédia abalou profundamente as comunidades locais, com moradores assistindo à destruição de suas casas e a perda de entes queridos. A extensão dos danos ainda está sendo calculada pelas autoridades.
A situação é crítica, com a Defesa Civil registrando centenas de ocorrências relacionadas a deslizamentos de terra, ameaças de novos escorregamentos e inundações. Além das vítimas fatais e desaparecidos, a infraestrutura das cidades foi severamente comprometida, impactando a vida cotidiana de inúmeros cidadãos.
Busca por desaparecidos intensifica em regiões afetadas
As equipes de resgate, compostas por bombeiros, voluntários e agentes da Defesa Civil, trabalham incansavelmente na procura pelos 33 indivíduos que ainda estão desaparecidos. O foco das operações concentra-se em áreas onde desabamentos foram mais expressivos, como nos bairros Paineiras, Esplanada e Vila Ideal, em Juiz de Fora, onde cinco corpos foram encontrados nas últimas horas.
O terreno instável e a persistência de riscos de novos deslizamentos dificultam o trabalho, exigindo cautela e equipamentos especializados. Cães farejadores e máquinas pesadas são empregados para remover os destroços, na esperança de encontrar sobreviventes ou localizar as vítimas soterradas.
Vítimas e danos generalizados pela força da água
Entre os mortos confirmados pela catástrofe, estão estudantes e uma professora, ressaltando o impacto indiscriminado do temporal. As fatalidades em Juiz de Fora foram registradas em diversos bairros, incluindo JK, Santa Rita, Vila Ideal, Lourdes, Vila Alpina, São Benedito e Vila Olavo Costa, áreas densamente povoadas e muitas delas em encostas.
Em Ubá, a situação é igualmente preocupante, com sete óbitos confirmados e dois desaparecidos. Um dos casos em Ubá, que envolveu eletrocussão de um homem que entrou na água, ainda aguarda registro oficial da Defesa Civil, o que ilustra a complexidade da contabilização das vítimas em meio ao caos.
Panorama das fatalidades e desaparecimentos
O balanço atualizado aponta para 30 mortos e 31 desaparecidos apenas em Juiz de Fora, tornando a cidade o epicentro da tragédia na Zona da Mata. A intensidade da chuva e a fragilidade do solo contribuíram para a severidade dos incidentes, transformando paisagens urbanas em cenários de destruição.
Em Ubá, os números são de 7 mortes e 2 pessoas ainda não localizadas, elevando o total de vítimas fatais na região para 37 e o de desaparecidos para 33. A dimensão humana da catástrofe é avassaladora, com famílias inteiras desestruturadas e comunidades em luto.
A cada hora, novas informações surgem, mas a lentidão dos processos de identificação e registro oficial das vítimas adiciona uma camada de angústia aos familiares que aguardam notícias de seus entes queridos. A prioridade máxima das equipes de resgate permanece sendo a localização de todas as pessoas desaparecidas.
Interrupção de serviços e fornecimento elétrico
As fortes chuvas provocaram quase 800 ocorrências em Juiz de Fora, com predominância de escorregamentos de talude e ameaças iminentes de novos deslizamentos, além de inúmeros pontos de alagamento. A infraestrutura urbana sofreu grandes prejuízos, com vias interditadas e pontes danificadas, dificultando o acesso a certas localidades.
A rede elétrica foi seriamente afetada, deixando cerca de mil pessoas sem energia em Juiz de Fora. A interrupção no fornecimento elétrico impacta não apenas residências, mas também hospitais e outros serviços essenciais, complicando ainda mais a resposta à crise e a comunicação entre as equipes. O restabelecimento completo desses serviços é uma das grandes prioridades, mas a complexidade dos reparos em áreas de risco exige tempo e planejamento cuidadoso.
Juiz de Fora entre as cidades de alto risco no país
Um levantamento realizado pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) em 2024, cujos dados permanecem relevantes, revela que Juiz de Fora figura entre as nove cidades brasileiras com a maior população residindo em áreas de risco. A cidade, que possui uma população de 540.756 habitantes, tem 128.946 pessoas vivendo em zonas vulneráveis a deslizamentos, enchentes e enxurradas, o que corresponde a alarmantes 23,7% do total. Essa estatística sublinha a urgência de medidas preventivas e o desafio contínuo para as autoridades em gerenciar esses riscos em um contexto de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes. A geografia da região, com muitas moradias construídas em encostas e margens de rios, agrava o problema e torna a população local particularmente suscetível a desastres.
Mobilização de assistência e solidariedade local
Diante da dimensão da tragédia, uma ampla mobilização de assistência e solidariedade ganhou força em toda a Zona da Mata. Campanhas de arrecadação de alimentos, roupas, produtos de higiene e materiais de limpeza estão sendo organizadas por diversas entidades, incluindo emissoras de televisão e organizações não governamentais.
Ações de resposta e alerta contínuo
A atuação das forças de segurança e dos órgãos de defesa civil foi imediata, concentrando-se na evacuação de áreas de risco e no atendimento aos feridos. Abrigos temporários foram estabelecidos para acolher os desabrigados, oferecendo suporte psicológico, alimentação e condições mínimas de moradia.
Apesar da fase de emergência, as autoridades já alertam para a necessidade de um monitoramento contínuo das condições climáticas e do solo, uma vez que a região ainda apresenta vulnerabilidade. A cooperação entre diferentes esferas do governo e a comunidade é fundamental para mitigar os efeitos de futuros eventos extremos e promover a resiliência das cidades afetadas.







