Atleta do Red Bull Bragantino recebe punição de 12 partidas e multa por comentário machista contra árbitraPor Luís Henrique Costa
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O zagueiro Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino, foi suspenso por 12 jogos pelo Tribunal de Justiça Desportiva do Estado de São Paulo (TJD-SP) devido a falas machistas direcionadas à árbitra Daiane Muniz. A decisão, proferida em 4 de março de 2026, resultou também em uma multa financeira significativa.
A penalidade aplicada restringe a atuação do jogador em competições estaduais, evidenciando a seriedade da infração. O incidente ocorreu durante uma partida decisiva do Campeonato Paulista, levantando um debate importante sobre a conduta no esporte.
O Bragantino, por sua vez, optou por não emitir um novo posicionamento sobre a determinação do tribunal, reiterando manifestações anteriores acerca do caso. O episódio gerou grande repercussão e discussões sobre o papel da mulher na arbitragem.
Punição severa imposta pelo TJD-SP
Gustavo Marques enfrentou o julgamento na tarde da última quarta-feira, 4 de março de 2026, onde foi formalmente punido pela justiça desportiva paulista. Além da suspensão dos gramados por 12 jogos, ele foi obrigado a pagar uma multa no valor de R$ 30 mil. Essa medida rigorosa reflete a gravidade das acusações e a postura do tribunal em coibir atos discriminatórios no futebol.
O atleta foi enquadrado nos artigos 243G e 243F do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). O artigo 243G trata da prática de ato discriminatório, enquanto o 243F se refere à ofensa à honra de alguém ligada ao esporte. A combinação dessas infrações resultou em uma das maiores penas já aplicadas pelo TJD-SP em casos relacionados a comentários depreciativos.
Origem dos comentários discriminatórios
A declaração que culminou na suspensão de Gustavo Marques ocorreu após a derrota do Bragantino por 2 a 1 para o São Paulo, em 21 de fevereiro de 2026, pelas quartas de final do Campeonato Paulista. Na ocasião, em entrevista concedida na saída do campo à emissora TNT, o defensor criticou abertamente a Federação Paulista de Futebol por designar uma mulher para arbitrar uma partida daquela magnitude, afirmando que a árbitra Daiane Muniz havia “acabado com o jogo” do time e lamentando o fato de a arbitragem feminina ter, em sua visão, prejudicado o sonho da equipe de avançar à semifinal ou final da competição, posteriormente estendendo um pedido de desculpas generalizado às mulheres, mencionando ser casado e ter mãe.
Jogador se retrata publicamente após o ocorrido
Logo após a repercussão de suas declarações, Gustavo Marques compareceu à zona mista para pedir desculpas publicamente. Ele afirmou estar arrependido e que, no calor do momento, com a “cabeça quente” e nervoso, havia dito coisas que não deveria.
O zagueiro reiterou que sua intenção não era ofender e que procurou pessoalmente a árbitra Daiane Muniz e uma de suas assistentes para se desculpar. Ele admitiu o erro e buscou o perdão das envolvidas e de todas as mulheres.
Em seu pedido de retratação, Gustavo Marques mencionou ter sido repreendido pela própria esposa e por sua mãe, reconhecendo o impacto negativo de suas palavras. Ele enfatizou que, como ser humano, é passível de falhas, mas que estava ali para assumir sua responsabilidade e pedir perdão a todas as mulheres.
Reações do Bragantino e apoio à causa
Em resposta às declarações de seu jogador, o Red Bull Bragantino agiu internamente, impondo uma multa de 50% do salário de Gustavo Marques. Além da penalidade financeira, o clube afastou o atleta da partida contra o Athletico-PR, realizada em 25 de fevereiro de 2026, pelo Campeonato Brasileiro, demonstrando uma postura firme diante do episódio.
A quantia arrecadada com a multa aplicada ao zagueiro foi revertida para a ONG Rendar, uma organização dedicada a apoiar mulheres em situação de vulnerabilidade na região de Bragança Paulista. Essa iniciativa do clube reforça o compromisso em combater o machismo e promover o respeito no ambiente esportivo, utilizando a situação para contribuir com uma causa social relevante.
Combate ao machismo no cenário esportivo
A manifestação de Gustavo Marques e a consequente punição do TJD-SP acendem um importante alerta sobre a persistência do machismo no futebol e na sociedade em geral. A presença crescente de mulheres em posições de arbitragem e gestão esportiva é um avanço significativo, mas ainda enfrenta resistências e preconceitos.
Casos como este destacam a necessidade de uma vigilância constante e de punições exemplares para atitudes discriminatórias. O esporte, que tem grande poder de influência social, deve ser um ambiente de inclusão, respeito e igualdade, refletindo valores que se buscam em toda a comunidade.
A Federação Paulista de Futebol e outras entidades desportivas têm um papel crucial na promoção de campanhas de conscientização e na garantia de um ambiente seguro para todos os profissionais. A qualificação e o mérito devem ser os únicos critérios para a atuação em qualquer função, independentemente do gênero.
A resposta rápida e contundente do TJD-SP envia uma mensagem clara de que a Justiça Desportiva não tolerará atos que denigram a imagem e a capacidade de mulheres no esporte, servindo como um precedente importante para futuras condutas. Tais decisões são vitais para a evolução do futebol e para a construção de um cenário mais equitativo.
Medidas preventivas e futuro no futebol
O incidente serve como um lembrete para clubes e atletas sobre a importância da conduta profissional e do respeito às diversidades dentro e fora de campo. A implementação de programas de educação e treinamento contínuos sobre ética e respeito pode mitigar a ocorrência de episódios semelhantes, promovendo uma cultura mais inclusiva e consciente.







