A EMS anunciou nesta sexta-feira a aquisição da Medley, unidade de genéricos da Sanofi, em transação avaliada em R$ 3,2 bilhões. Com o negócio, a empresa eleva sua participação no mercado brasileiro de medicamentos genéricos para cerca de 30%, consolidando a posição de líder absoluto no segmento. A operação depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e mantém as operações da Medley inalteradas durante o período de análise regulatória.
O acordo envolve a compra integral das ações da Medley e representa um marco estratégico para a EMS, que já ocupava o primeiro lugar no ranking do setor. A incorporação da marca adiciona entre 7% e 8% de market share, ampliando o portfólio com produtos consolidados e bem aceitos pelos consumidores e profissionais de saúde. A EMS planeja preservar a independência da Medley, mantendo sua fábrica em Campinas (SP) e os cerca de 900 colaboradores do local.
- A transação foi fechada em R$ 3,2 bilhões, valor superior ao pago pela Sanofi em 2009 (R$ 1,5 bilhão).
- A EMS superou propostas de concorrentes como Sun Pharma, Hypera, Biolab e Aché no processo competitivo.
- A proximidade entre Hortolândia (sede da EMS) e Campinas facilita sinergias logísticas e operacionais.
- A Sanofi prioriza agora biofarmacêuticos inovadores e vacinas no Brasil após a venda do ativo.
Estrutura e valores da operação
O montante de R$ 3,2 bilhões reflete o interesse estratégico no ativo e o potencial de crescimento do mercado de genéricos. A Sanofi optou por se desfazer da unidade para concentrar recursos em áreas de maior inovação global. Durante a análise do Cade, a Medley segue operando normalmente, com produção e distribuição ininterruptas.
A EMS já possui histórico de aquisições complementares no setor. Em 2023, a companhia comprou a Dermacid da própria Sanofi por R$ 366 milhões, demonstrando consistência na estratégia de expansão por meio de compras selecionadas.
Planos de expansão e investimentos futuros
A EMS pretende ampliar a oferta de genéricos de qualidade e preço acessível em todo o território nacional. As duas marcas, EMS e Medley, continuarão coexistindo nas farmácias, sem fusão imediata de linhas de produtos. A empresa avalia a construção de uma nova unidade fabril, possivelmente em Manaus, aproveitando benefícios fiscais ainda vigentes.
O grupo mantém elevado índice de reinvestimento em pesquisa e desenvolvimento. Produtos inovadores, como injetáveis para tratamento de obesidade e diabetes, fazem parte do portfólio atual e devem ganhar reforço com a estrutura da Medley.
Cenário do mercado de genéricos no Brasil
O segmento de genéricos responde por aproximadamente 40% das vendas farmacêuticas no país. Associações do setor projetam crescimento para 45% nos próximos anos, impulsionado pela maior penetração em classes de menor renda e pela política de substituição de medicamentos de referência.
Com 102 laboratórios atuantes, o mercado permanece pulverizado mesmo após grandes operações como essa. A EMS reforça que a aquisição não gera concentração excessiva e preserva o ambiente competitivo saudável.
Continuidade de patrocínios esportivos
A EMS vai manter os acordos de patrocínio esportivo herdados da Medley. Parcerias com o Comitê Olímpico do Brasil até 2028, apoio a clubes como Flamengo e Sesi Vôlei Bauru, além de atletas como as ginastas Júlia Soares e Lorrane Oliveira, seguem confirmadas.
Essas iniciativas fortalecem o reconhecimento das marcas junto ao público e integram a estratégia de visibilidade do grupo.
Posicionamento dos executivos
Líderes da EMS classificaram a Medley como complemento ideal às operações atuais, destacando o ganho para o consumidor com maior oferta e acesso facilitado. A Sanofi, por sua vez, afirmou que a venda alinha com a reorientação global para inovação e vacinas.
A transação segue para aprovação regulatória, com expectativa de conclusão entre 2026 e início de 2027, dependendo do trâmite no Cade.

