Apuração no Peru: Keiko Fujimori lidera com 50,16% dos votos válidos e 92% das urnas

Keiko Fujimori - Divulgação

Keiko Fujimori - Divulgação

A contagem oficial dos votos no Peru aponta Keiko Fujimori com 50,16% dos votos válidos para a presidência, enquanto seu adversário, Roberto Sánchez, registra 49,83%. O percentual refere-se a 92% das urnas apuradas, segundo dados divulgados pelo órgão eleitoral do país em 7 de junho de 2026. A pequena margem de diferença entre os candidatos configura um cenário de empate técnico, mantendo a indefinição sobre o resultado final da eleição presidencial.

O panorama eleitoral peruano reflete uma polarização intensa, com a candidata conservadora Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, enfrentando o deputado de esquerda Roberto Sánchez. As pesquisas de boca de urna já indicavam Keiko como favorita, mas a força de Sánchez em zonas eleitorais rurais, que costumam ser as últimas a ter seus votos contabilizados, sugere que a disputa pode se prolongar. A autoridade eleitoral peruana informou que os resultados oficiais completos podem demorar dias para serem divulgados.

Disputa acirrada e a influência do voto rural

Keiko Fujimori obteve 17,2% dos votos válidos no primeiro turno, enquanto Roberto Sánchez alcançou 12%. Essa diferença inicial foi significativa, mas a dinâmica do segundo turno inverteu o cenário, transformando a eleição em uma corrida voto a voto. A apuração mais lenta das regiões afastadas pode ser determinante para o desfecho, já que a base de apoio de Sánchez se concentra nesses locais. A expectativa é que, à medida que mais urnas rurais sejam contabilizadas, a vantagem de Fujimori possa diminuir ou até ser revertida.

O país realizou o segundo turno da eleição presidencial em um clima de relativa calma, ao contrário do primeiro turno, que foi marcado por falhas técnicas e denúncias de fraude. As seções eleitorais encerraram suas atividades às 17h locais, correspondendo às 19h no horário de Brasília, após uma jornada sem incidentes maiores. A transparência e a lisura do processo são elementos cruciais para a aceitação do resultado em um país com histórico recente de instabilidade política.

Histórico de instabilidade política no Peru

O cenário político peruano tem sido marcado por uma fragmentação acentuada e uma crise institucional persistente. O país registrou um recorde de 35 candidatos à presidência no primeiro turno, evidenciando a pulverização das forças políticas. O cientista político Lucas Berti, pesquisador do Observatório Político Sul-Americano, aponta que a atual crise não surge do vazio, mas é um sintoma de um processo de deslegitimação institucional que se arrasta há anos. Presidentes eleitos têm encontrado dificuldades extremas para governar, culminando em mandatos curtos e interrupções frequentes.

A Constituição peruana, em seu artigo 113, permite que um presidente seja destituído por “incapacidade moral ou física permanente”, um diagnóstico avaliado pelos próprios parlamentares. Essa cláusula tem sido usada com frequência, permitindo que o Congresso derrube presidentes em menos de 24 horas, mesmo que eleitos pela maioria da população. Essa facilidade no processo demonstra a fragilidade institucional do Peru, onde a coalizão fujimorista tem articulado poderes no Legislativo, tribunais e sistema judiciário, segundo Berti.

Baixa confiança institucional agrava crise democrática

A consequência direta da queda de braço entre os poderes Executivo e Legislativo é uma profunda crise política e uma crescente desconfiança da população nas instituições democráticas. Dados recentes do Latinobarómetro, que mede o nível de democracia na América Latina, revelam que o Peru enfrenta um dos níveis mais baixos de confiança institucional na região. Uma pesquisa indicou que 90% dos peruanos demonstram pouca ou nenhuma confiança no governo e no Congresso, e apenas 10% se dizem satisfeitos com a democracia. Essa “desconfiança crônica” também se traduz em indiferença em relação à política e ao tipo de regime de governo.

  • 10 anos: Período em que o Peru teve 9 presidentes diferentes.
  • Artigo 113: Ferramenta constitucional usada para destituir presidentes.
  • 90%: Nível de desconfiança da população peruana no governo e Congresso.
  • 10%: Percentual de peruanos satisfeitos com a democracia.

A facilidade para criar partidos no Peru e a falta de institucionalização dessas legendas contribuem para a desconfiança. Muitos partidos surgem e desaparecem rapidamente, e a fidelidade dos candidatos às suas coalizões é baixa, com trocas frequentes. Esse cenário gera a percepção de que os candidatos chegam às eleições sem uma base sólida ou um partido conhecido, alimentando o descrédito e o temor da facilidade com que líderes eleitos podem perder o cargo.

Keiko Fujimori tenta presidência pela quarta vez

Keiko Fujimori lidera a corrente fujimorista no Peru desde 2008, quando fundou o partido Fuerza Popular. Esta é sua quarta tentativa de chegar ao Poder Executivo. Ela já disputou as eleições presidenciais em 2011, 2016 e 2021, perdendo em todas as ocasiões no segundo turno por margens muito apertadas. A atual eleição, em 2026, representa mais uma oportunidade para a candidata alcançar a presidência, embora o resultado permaneça em aberto devido à proximidade dos votos.

Cientistas políticos observam que as sucessivas derrotas de Keiko, mesmo com o apoio de uma forte coalizão no Congresso, refletem a complexidade do eleitorado peruano e a dificuldade de consolidar uma liderança em meio a tamanha instabilidade. A trajetória de Fujimori é um espelho da turbulência política que o Peru tem experimentado nas últimas décadas, onde a governabilidade tem sido um desafio constante para qualquer líder eleito.

Veja Também