Petróleo supera US$ 100 mesmo com liberação de carga russa pelos EUA

Bomba de petróleo sobre fundo de dólares

Bomba de petróleo sobre fundo de dólares - Hamara/ Shutterstock.com

Os preços do petróleo voltaram a superar a marca de US$ 100 por barril nesta sexta-feira (13), mesmo após os Estados Unidos emitirem uma licença temporária que permite a compra de carregamentos russos retidos no mar. O barril do Brent, referência internacional, registrou alta de 0,8% e alcançou US$ 100,30, enquanto o WTI, referência americana, negociava a US$ 95,98. A persistência da alta ocorre em meio às tensões no Oriente Médio, com risco contínuo de interrupções no fornecimento global de energia.

O conflito na região mantém os investidores atentos a possíveis bloqueios em rotas estratégicas, o que supera os efeitos imediatos das medidas de alívio adotadas por Washington. Desde o início da guerra, a commodity acumula valorização de cerca de 40%, partindo de patamares próximos a US$ 60 no começo do ano e retornando a níveis não observados desde meados de 2022.

A licença americana, válida até 11 de abril, autoriza a entrega e venda de petróleo bruto e derivados russos embarcados até 12 de março. A medida busca aumentar a oferta disponível no mercado e estabilizar os preços, mas o impacto permanece limitado diante das incertezas geopolíticas predominantes.

Tensões no Oriente Médio impulsionam volatilidade

O mercado reage principalmente ao risco de fechamento prolongado de passagens chave para o transporte de petróleo. Ataques recentes a infraestruturas e navios na área elevaram o prêmio de risco nos contratos futuros.

Analistas observam que interrupções no fluxo global podem manter a pressão altista por semanas. Bancos de investimento revisaram projeções para cima, considerando cenários de duração variável do conflito.

A volatilidade afeta diretamente as expectativas econômicas em várias regiões, com reflexos em custos de energia e transporte.

Medidas dos EUA para conter a escalada

Washington emitiu a autorização temporária após avaliar o volume de petróleo russo em trânsito, estimado em cerca de 124 milhões de barris distribuídos em múltiplos locais. A iniciativa visa direcionar essa oferta para compradores globais sem alterar sanções de longo prazo.

O Departamento do Tesouro destacou que a ação não gera benefícios financeiros expressivos ao governo russo, pois a maior parte das receitas vem de impostos na extração. A medida complementa liberações de reservas estratégicas anunciadas por agências internacionais.

Especialistas indicam que o alívio pontual ajuda a evitar picos extremos, mas não neutraliza os fatores de oferta restrita na região principal produtora.

Reações em mercados globais e projeções

Os preços oscilaram ao longo do dia, com o Brent chegando a tocar valores acima de US$ 102 em momentos iniciais antes de estabilizar próximo aos US$ 100. A alta acumulada na semana reflete ajustes constantes às notícias do conflito.

Instituições financeiras projetam médias elevadas para os próximos meses, dependendo da extensão das interrupções no transporte marítimo. Previsões variam de US$ 98 a patamares mais altos em cenários adversos.

A persistência acima dos três dígitos reacende debates sobre inflação global e políticas monetárias, com revisões em expectativas de cortes de juros nos principais bancos centrais.

Impactos econômicos e ajustes locais

Países dependentes de importações monitoram de perto os desdobramentos para calibrar políticas fiscais e de subsídios. No Brasil, o governo zerou impostos federais sobre o diesel e anunciou subvenções para produtores e importadores.

A Petrobras mantém estratégia de não repassar integralmente a volatilidade internacional, conforme regras regulatórias. Essas ações visam mitigar repasses para o consumidor final em combustíveis.

O imposto de 12% sobre exportações de petróleo brasileiro compensa perdas potenciais e ajuda a equilibrar contas públicas em meio à alta global.

Contexto de oferta e demanda atual

A liberação de reservas estratégicas por 32 países, totalizando 400 milhões de barris, representa o maior volume já coordenado. Apesar disso, o mercado prioriza os riscos geopolíticos sobre o aumento imediato de estoques.

O volume russo liberado cobre poucos dias de consumo global, insuficiente para reverter a tendência altista de forma decisiva. A demanda permanece firme em economias em recuperação.

Especialistas alertam para volatilidade contínua no curto prazo, com possibilidade de novas oscilações conforme evoluem os eventos na região.

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