Estudantes chineses criticam USC após postagem de Ano Novo Lunar no Instagram oficial

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Ano Novo Lunar Foto: Ano Novo Lunar - Olga Geo/ Shutterstock.com

A publicação da USC no Instagram sobre o Ano Novo Lunar gerou críticas de estudantes chineses da universidade. A conta oficial @uscedu compartilhou imagens celebrando o feriado em 17 de fevereiro, usando o termo “Ano Novo Lunar” e incluindo referências a danças do leão, dançarinos coreanos e o mascote Traveler. A legenda desejou um “feliz e próspero Ano Novo Lunar” com elementos como o ano do cavalo e envelopes vermelhos. Em poucos dias, a postagem acumulou mais de 1.200 comentários, muitos questionando a escolha do termo e a representação cultural.

Estudantes chineses expressaram preocupação com o que consideraram uma omissão das origens chinesas do feriado. O debate se intensificou na seção de comentários e em plataformas como Xiaohongshu, onde capturas de tela da publicação circularam com críticas à abordagem da universidade. A USC possui quase 6.000 estudantes chineses, o maior grupo internacional na instituição no outono de 2025, o que ampliou as expectativas de reconhecimento explícito da tradição chinesa.

Críticas concentradas na terminologia utilizada

Vários comentários destacaram a diferença entre “Ano Novo Lunar” e “Ano Novo Chinês”. O termo “Ano Novo Lunar” abrange celebrações em múltiplos países asiáticos que seguem o calendário lunissolar. Já o “Ano Novo Chinês”, conhecido como Chunjie, refere-se especificamente à tradição originada na China há mais de 4.000 anos. Usuários argumentaram que a escolha do termo mais amplo minimizava a contribuição chinesa, especialmente em uma universidade com forte presença de alunos da China.

Um dos pontos centrais das críticas foi a percepção de apagamento cultural. Comentários afirmaram que a palavra “chinês” desaparecia convenientemente apesar da composição demográfica da USC. Outros classificaram a postagem como inconsistente, já que incluía elementos de outras culturas sem equilibrar adequadamente a representação.

Representação visual na postagem questionada

As imagens selecionadas pela USC geraram questionamentos adicionais sobre autenticidade. A publicação misturou dança do leão, associada à tradição chinesa, com dançarinos coreanos e o mascote da universidade. Críticos apontaram que essa combinação não refletia de forma clara o caráter multicultural pretendido pelo termo “Ano Novo Lunar”. Para alguns, o resultado pareceu confuso em vez de verdadeiramente inclusivo.

Estudantes defenderam que, ao optar pelo termo amplo, a universidade deveria ter ampliado a diversidade visual para incluir representações equilibradas de Coreia, Vietnã e outras regiões. A ausência de menção direta à China nas legendas e imagens reforçou a sensação de exclusão entre parte dos alunos chineses.

Reações de estudantes chineses da USC

Lin Wu, aluna do terceiro ano de Comunicação e estudante internacional da China, afirmou que a universidade precisava demonstrar maior esforço na representação. Ela destacou que, se o objetivo era incluir múltiplas culturas asiáticas com o termo “Ano Novo Lunar”, as imagens deveriam espelhar essa amplitude. Wu considerou a postagem limitada e insuficiente para o contexto da instituição.

Doris Li, estudante do segundo ano de Física, expressou frustração pela falta de reconhecimento explícito da China. Ela associou o feriado principalmente às tradições chinesas e sentiu-se excluída ao ver a publicação sem referência ao país de origem. Li acrescentou que o Ano Novo Chinês representa um dos momentos mais importantes do ano para muitos estudantes chineses, e a omissão a deixou desconfortável.

Contexto de uso do termo em instituições

Nos últimos anos, diversas universidades, empresas e organizações adotaram “Ano Novo Lunar” para reconhecer as variações culturais do feriado. Na Coreia, o evento é chamado Seollal, e no Vietnã, Tết Nguyên Đán, com tradições próprias adaptadas ao calendário lunissolar. Essa mudança busca promover inclusão, embora o festival tenha raízes chinesas antigas.

A USC justificou a escolha do termo como inclusivo, prática comum em corporações e equipes esportivas. A instituição optou por não comentar diretamente o feedback recebido nos comentários, mantendo a posição de que a terminologia reflete o caráter amplo das celebrações.

Debate ampliado em redes sociais chinesas

Capturas de tela da postagem circularam na Xiaohongshu, onde usuários criticaram a abordagem da USC. Um perfil compartilhou a imagem e apontou falta de respeito aos estudantes chineses. Outros descreveram a mensagem como minimizadora da cultura chinesa, ampliando o alcance da discussão para além do Instagram oficial da universidade.

O episódio reflete tensões recorrentes sobre representação cultural em ambientes acadêmicos internacionais. Estudantes chineses manifestaram desejo de maior sensibilidade em comunicações oficiais, especialmente considerando o peso demográfico do grupo na USC.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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