Comandante da Guarda Municipal de Vitória é assassinada por namorado PRF na madrugadaPor Jeronimo Santos
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A comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, de 37 anos, foi assassinada na madrugada desta segunda-feira (23), por volta de 1h, no bairro Caratoíra, na capital do Espírito Santo. O autor do crime foi seu namorado, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, que disparou cinco vezes na cabeça da vítima enquanto ela dormia. Logo após os disparos, o suspeito foi até a cozinha da residência e cometeu suicídio. O caso é tratado como feminicídio pela Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Mulher de Vitória, que investiga a premeditação do ato.
Dayse dormia no quarto da filha de 8 anos por causa do ar-condicionado quando o agressor invadiu o imóvel. Ele utilizou uma escada para acessar a marquise e alcançar a janela do quarto. A polícia localizou na mochila do suspeito vários itens que indicam planejamento do crime. A vítima foi surpreendida durante o sono e não conseguiu se defender efetivamente.
O pai da comandante, Carlos Roberto Teixeira, acordou com o som do primeiro tiro. Ele relatou ter aberto a porta do quarto com cuidado, mas evitou sair por receio de ser atingido. Carlos presenciou o suspeito correndo pela casa após os disparos. A criança de 8 anos, filha de Dayse, estava no local, mas permaneceu ilesa durante toda a ocorrência.
Elementos encontrados na mochila do suspeito
- Canivete e faca
- Vidro de álcool
- Carregadores extras de munição
- Alicate
- Isqueiro
Invasão e dinâmica do crime
O secretário de Segurança Urbana de Vitória, Amarílio Boni, afirmou que o suspeito levou materiais específicos para facilitar a entrada na residência. Ele subiu na marquise e invadiu o quarto onde a vítima dormia. A análise da cena indicou que Dayse chegou a se levantar após os primeiros disparos. A falta de chance de reação reforça a caracterização de crime premeditado.
A perícia da Polícia Científica coletou vestígios no quarto e em outras áreas da casa. Os aparelhos celulares do casal foram apreendidos e encaminhados para análise técnica. Esses exames buscam recuperar mensagens e histórico que ajudem a esclarecer a motivação exata.
Histórico de violência no relacionamento
O pai da vítima descreveu o namoro de aproximadamente quatro anos como instável e marcado por brigas constantes. Ele presenciou agressões físicas e chegou a intervir em uma situação em que o suspeito tentava enforcar Dayse. Apesar dos episódios relatados, a comandante nunca formalizou denúncia contra o companheiro.
Carlos mencionou ter alertado a filha sobre o risco da relação em diversas ocasiões. O relacionamento alternava momentos de tranquilidade com períodos de alta tensão e discussões frequentes. A tentativa da vítima de encerrar o namoro é apontada como possível gatilho para o crime.
Carreira e legado de Dayse Barbosa
Dayse Barbosa foi a primeira mulher a assumir o comando da Guarda Municipal de Vitória. Colegas a definiam como profissional determinada, com postura alegre e sempre pronta para auxiliar. Sua gestão focava na melhoria da segurança pública e na valorização da corporação.
A Prefeitura decretou luto oficial de três dias pela morte da comandante. O velório começou às 15h30 desta segunda-feira (23), com sepultamento marcado para as 17h, em horário local. Familiares, colegas e autoridades participaram das homenagens.
Posicionamento oficial da PRF e andamento das investigações
A Polícia Rodoviária Federal divulgou nota expressando pesar pela morte de Dayse Barbosa e do próprio policial Diego Oliveira de Souza, que atuava na delegacia de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro. A corporação reforçou seu posicionamento contra a violência e o feminicídio, além de oferecer colaboração total às investigações.
O inquérito segue sob responsabilidade da Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Mulher. Testemunhas continuam sendo ouvidas e as evidências periciais analisadas para fechamento do caso. O foco permanece na reconstrução cronológica dos fatos e na identificação de sinais prévios de risco.







