Ciência

Astrônomos observam formação de dois planetas gigantes em torno de estrela jovem WISPIT 2

Terra
Foto: Terra - Triff/Shutterstock.com

Astrônomos capturaram imagens diretas da formação simultânea de dois planetas gigantes ao redor da estrela jovem WISPIT 2. A observação representa apenas o segundo caso registrado na história em que múltiplos planetas são vistos nascendo no mesmo sistema. Os dados combinam imagens de alta resolução do Very Large Telescope do Observatório Europeu do Sul com medições interferométricas do instrumento GRAVITY+.

O sistema oferece uma visão única de um disco protoplanetário extenso e estruturado, com anéis e lacunas claras que indicam processos ativos de acumulação de material. Pesquisadores identificaram o planeta WISPIT 2b em observações anteriores e agora confirmaram a presença de WISPIT 2c mais próximo da estrela.

  • WISPIT 2b possui massa estimada em quase cinco vezes a de Júpiter e orbita a cerca de 60 unidades astronômicas da estrela.
  • WISPIT 2c tem aproximadamente o dobro da massa de Júpiter e localiza-se quatro vezes mais próximo do que o primeiro.
  • Ambos os corpos são gigantes gasosos imersos em lacunas do disco de gás e poeira.

Detalhes da descoberta dos planetas em formação

Os astrônomos utilizaram o instrumento SPHERE no Very Large Telescope para obter imagens diretas dos objetos. Em seguida, aplicaram o GRAVITY+ no interferômetro do VLT para confirmar que o sinal corresponde a um planeta em processo de acreção e não a um aglomerado de material do disco.

A confirmação de WISPIT 2c exigiu o upgrade recente do instrumento GRAVITY+, que permitiu separar o sinal fraco do planeta da luz intensa da estrela próxima. Guillaume Bourdarot, pesquisador do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre, destacou a importância dessa tecnologia para detecções em regiões internas do disco.

Os dois planetas ocupam posições distintas dentro de lacunas bem definidas no disco protoplanetário. Essas lacunas surgem à medida que os corpos em formação atraem e consomem o gás e a poeira ao seu redor, moldando a estrutura do ambiente circundante.

Estrutura do disco protoplanetário de WISPIT 2

O disco ao redor de WISPIT 2 apresenta um tamanho particularmente grande e padrões de anéis e lacunas que facilitam a interpretação dos processos em curso. Christian Ginski, coautor do estudo, explicou que essas características indicam atividade contínua de formação planetária em diferentes regiões do sistema.

O disco extenso e claramente estruturado diferencia WISPIT 2 de outros sistemas observados até o momento. Anéis visíveis e lacunas profundas sugerem que o material continua a se acumular nos planetas já detectados.

Astrônomos identificaram ainda uma lacuna menor e mais sutil na parte externa do disco. Chloe Lawlor, da Universidade de Galway, observou que essa estrutura pode corresponder à ação de um terceiro planeta ainda não confirmado diretamente.

Comparação com o sistema PDS 70

WISPIT 2 se junta ao sistema PDS 70 como o único outro caso conhecido em que dois planetas são observados em formação simultânea ao redor da mesma estrela. Diferentemente de PDS 70, o disco de WISPIT 2 é mais extenso e exibe estruturas mais pronunciadas de anéis e lacunas.

A estrela WISPIT 2 é jovem e semelhante ao Sol em seus estágios iniciais, o que torna o sistema um laboratório valioso para entender como sistemas planetários como o nosso se desenvolveram bilhões de anos atrás. Os planetas detectados são gigantes gasosos, semelhantes aos do Sistema Solar externo.

A equipe combinou múltiplas técnicas de observação para superar os desafios impostos pela proximidade entre WISPIT 2c e sua estrela hospedeira. Essa abordagem demonstra o avanço contínuo na capacidade de detectar planetas em fases muito precoces de sua evolução.

Possibilidade de detecção de planetas adicionais

A lacuna sutil identificada na região mais distante do disco apresenta profundidade e largura menores, o que sugere a possível presença de um corpo com massa próxima à de Saturno. Novas observações com instrumentos mais sensíveis poderão confirmar ou refutar essa hipótese nos próximos anos.

O Telescópio Extremamente Grande do ESO, em fase de construção, deverá permitir imagens ainda mais detalhadas do sistema WISPIT 2. Essas futuras observações ajudarão a mapear com maior precisão o movimento e o crescimento dos planetas já conhecidos.

Astrônomos planejam continuar monitorando o sistema para acompanhar mudanças na estrutura do disco e possíveis interações entre os planetas em formação. Os dados atuais já fornecem evidências diretas de como lacunas e anéis se formam durante o processo de construção planetária.

Importância científica da observação

A detecção simultânea de dois planetas em diferentes estágios e distâncias amplia o entendimento sobre a diversidade de arquiteturas planetárias em formação. Os pesquisadores destacam que o sistema oferece uma oportunidade rara de estudar a evolução de um disco protoplanetário em tempo real.

WISPIT 2 está localizado a aproximadamente 430 anos-luz da Terra, na constelação de Aquila. A distância permite observações de alta qualidade com telescópios terrestres de grande porte.

Os resultados foram publicados no periódico The Astrophysical Journal Letters e baseiam-se em dados coletados ao longo de campanhas observacionais recentes. A combinação de imagens diretas e espectroscopia de alta precisão reforça a natureza planetária dos objetos detectados.

Avanços tecnológicos que viabilizaram a descoberta

O upgrade do instrumento GRAVITY+ foi fundamental para isolar o sinal de WISPIT 2c, que orbita muito mais próximo da estrela do que WISPIT 2b. Essa tecnologia combina a luz de múltiplos telescópios para alcançar resolução angular superior.

O instrumento SPHERE, especializado em imagens de alto contraste, permitiu visualizar diretamente os planetas contra o brilho do disco e da estrela. A integração dos dois conjuntos de dados eliminou ambiguidades sobre a origem dos sinais observados.

Pesquisadores de diversas instituições, incluindo Leiden Observatory e Universidade de Galway, participaram da análise. O trabalho coletivo demonstra a importância da colaboração internacional no avanço da astronomia exoplanetária.

O disco protoplanetário de WISPIT 2 continua a revelar detalhes sobre mecanismos de formação de planetas gigantes. Lacunas profundas associadas aos dois corpos confirmados indicam que eles ainda acumulam material significativo do ambiente circundante.

Astrônomos esperam que observações futuras confirmem se o terceiro candidato realmente corresponde a um planeta em formação. Independentemente disso, o sistema já fornece dados valiosos sobre a dinâmica de discos multi-anulares em estrelas jovens.