Condições climáticas podem adiar lançamento tripulado da Artemis II à Lua
A Nasa se prepara para lançar a missão Artemis II, o primeiro voo tripulado ao redor da Lua em mais de 50 anos. A decolagem está prevista para 1º de abril às 18h24 no horário local de Florida, com uma janela de duas horas. Quatro astronautas — Reid Wiseman como comandante, Victor Glover como piloto, Christina Koch e Jeremy Hansen da Agência Espacial Canadense como especialistas de missão — viajarão a bordo do foguete SLS e da cápsula Orion.
Equipes no Centro Espacial Kennedy, em Cabo Canaveral, acompanham de perto as previsões meteorológicas. O esquadrão 45 de meteorologia indica cerca de 80% de chance de condições favoráveis na primeira oportunidade. Preocupações principais envolvem cobertura de nuvens cumulus, camadas espessas de nuvens e ventos fortes na região costeira leste da Flórida.
- Regras incluem restrições a nuvens convectivas e ventos que possam afetar segurança.
- Relâmpagos naturais ou induzidos pelo foguete representam um dos riscos mais altos.
- O propellente em grande volume exige condições estáveis durante todo o processo.
Monitoramento de riscos meteorológicos
Especialistas avaliam diversos critérios antes de autorizar o lançamento. Nuvens cumulus que se desenvolvem com o calor primaveril e a umidade trazida por ventos do sudeste exigem atenção constante. Essas formações podem evoluir para pancadas ou tempestades, o que viola protocolos estabelecidos ao longo de décadas de operações no local.
O oficial principal de meteorologia de lançamento, Mark Burger, do 45º Esquadrão de Meteorologia, monitora as condições há meses. Ele explica que o trabalho consiste em garantir segurança do ponto de vista meteorológico, combinando dados climáticos, experiência local e histórico de lançamentos. Quase metade dos cancelamentos de lançamentos de foguetes ocorre por motivos relacionados ao tempo.
Regras específicas de segurança no local
Equipes aplicam critérios rigorosos sobre eletricidade atmosférica, tipos de nuvens e ventos. Nuvens que não produzem relâmpagos naturalmente ainda podem carregar carga elétrica suficiente para que o foguete atue como um para-raios ao passar em alta velocidade. Esse fenômeno de relâmpago induzido pelo veículo exige monitoramento preciso.
Precipitação, ventos fortes e temperaturas extremas também podem comprometer a operação. Durante a contagem regressiva, o oficial de meteorologia deve confirmar que nenhum critério é violado para dar a aprovação final. A janela de duas horas permite alguma flexibilidade para aguardar melhora nas condições.
Previsões e janelas alternativas
A combinação de calor crescente e umidade na costa leste da Flórida favorece o desenvolvimento de nuvens convectivas nesta época do ano. Se as condições não permitirem na data inicial, oportunidades adicionais estão marcadas entre 2 e 6 de abril, além de uma data posterior no dia 30. Equipes continuam a ajustar análises conforme as atualizações diárias.
Recuperação de possíveis áreas no Atlântico Norte também entra no planejamento, com atenção ao clima local nessa região. Atividade solar elevada no ciclo atual recebe monitoramento extra devido aos potenciais efeitos na radiação para os astronautas em espaço profundo.
Detalhes operacionais da missão
A missão Artemis II testará sistemas de suporte de vida da Orion com humanos a bordo pela primeira vez. O voo de aproximadamente dez dias enviará a tripulação em uma trajetória ao redor da Lua antes do retorno à Terra. Essa etapa prepara operações futuras do programa Artemis, incluindo pousos lunares tripulados.
O foguete SLS carrega cerca de 750 mil galões de propelente, o que aumenta a sensibilidade a riscos como raios. Regras históricas, baseadas em incidentes passados como o de Apollo 12, orientam as decisões atuais para proteger tanto a tripulação quanto o veículo.
Atualizações contínuas antes da janela
Meteorologistas utilizam porcentagens de probabilidade de violação das regras para orientar as recomendações. Dados climatológicos, observações locais e experiência acumulada ajudam a prever se haverá uma janela segura. O foco permanece na segurança operacional em todos os aspectos.
Fatores adicionais no planejamento
Atividade solar no pico do ciclo atual leva equipes a monitorar flares e radiação aumentada que poderiam impactar os astronautas fora da proteção magnética da Terra. Essas observações complementam as análises terrestres sobre condições atmosféricas no local de lançamento.
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