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Prefeitura de Haverhill determina retirada imediata de caixas eletrônicos de criptomoedas

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Foto: Bitcoin, criptomoeda, moeda digital - Mehaniq/ Shutterstock.com

A prefeita de Haverhill, no estado de Massachusetts, Melinda E. Barrett, enviou ao Conselho Municipal uma proposta de lei rigorosa para banir permanentemente todos os caixas eletrônicos de criptomoedas da cidade norte-americana. A medida foi apresentada formalmente após um aumento significativo nos casos de fraude financeira e lavagem de dinheiro envolvendo esses dispositivos de autoatendimento. A votação preliminar indicou um apoio expressivo dos legisladores locais, com onze votos favoráveis à implementação da nova norma no código legal do município. O objetivo central é cessar a operação dessas máquinas, que operam em uma zona cinzenta regulatória, deixando consumidores vulneráveis a esquemas criminosos sofisticados.

A decisão administrativa estabelece um prazo máximo de 60 dias para que todos os operadores removam e desliguem completamente os equipamentos instalados em estabelecimentos comerciais de Haverhill. Caso as empresas ignorem a determinação, a prefeitura aplicará multas severas de 300 dólares por dia para cada máquina que permanecer em funcionamento. Dados técnicos indicam que a região conta com cerca de 415 terminais desse tipo, o que torna a fiscalização um desafio logístico para as autoridades de segurança. A prefeita argumentou que a ausência de proteção federal e estadual obriga o município a tomar medidas drásticas para evitar que mais cidadãos percam economias de uma vida inteira.

Combate direto aos crimes financeiros e proteção ao consumidor

A administração municipal justificou a proibição total apontando que os terminais de criptomoedas não regulamentados facilitam a atuação de golpistas que visam, principalmente, a população idosa e usuários menos familiarizados com tecnologia. Muitas vezes, as vítimas são induzidas a depositar dinheiro em espécie nessas máquinas para converter em ativos digitais que são transferidos instantaneamente para carteiras de criminosos. Sem o devido rastreamento ou mecanismos de estorno, os valores tornam-se virtualmente irrecuperáveis logo após a transação ser confirmada na rede blockchain.

As autoridades de Massachusetts destacaram que a falta de supervisão direta permite que essas máquinas sejam utilizadas para a ocultação de bens e movimentações financeiras ilícitas. Ao contrário das instituições bancárias tradicionais, muitos desses operadores não exigem protocolos rigorosos de identificação do cliente em transações de menor valor. Esse cenário criou um ambiente propício para a proliferação de atividades de lavagem de dinheiro, preocupando o Departamento de Polícia e os órgãos de fiscalização tributária. A nova lei busca fechar essa brecha de segurança que tem drenado recursos da economia local de forma silenciosa.

Crise na Bitcoin Depot e mudanças no comando executivo

A maior operadora de caixas eletrônicos de criptomoedas do setor, a Bitcoin Depot, tem enfrentado um período de instabilidade acentuada em suas operações e finanças. Recentemente, a empresa reportou uma sequência de perdas de receita que se iniciou no final do terceiro trimestre de 2025 e se estendeu pelos primeiros meses de 2026. Essa crise financeira resultou na saída de Scott Buchanan do cargo de CEO, sendo substituído por Alex Holmes, que anteriormente liderou a MoneyGram.

  • A Bitcoin Depot é alvo de uma ação judicial movida pela Procuradora-Geral de Massachusetts, Andrea Joy Campbell.
  • A acusação alega que a empresa falhou em implementar medidas de segurança para evitar que seus terminais fossem usados em fraudes contra residentes.
  • As ações da companhia acumularam uma desvalorização drástica de mais de 91% nos últimos seis meses no mercado de ações.
  • Apesar do cenário negativo, os papéis da empresa registraram uma alta atípica de 7,39% na última sessão, fechando em 2,18 dólares.
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Criptomoedas -Vitalii Prokhorov/shutterstock.com

Expansão das restrições e precedentes em outras cidades

Haverhill não é a primeira localidade de Massachusetts a adotar uma postura combativa contra a presença de caixas eletrônicos de ativos digitais em seu território. Municípios como Waltham, Gloucester e South Hadley já implementaram banimentos semelhantes ou restrições severas após incidentes graves de segurança pública. O movimento coordenado entre as prefeituras reflete um entendimento crescente de que a conveniência tecnológica não deve se sobrepor à segurança financeira dos cidadãos.

A preocupação com a integridade do sistema financeiro local levou prefeitos a buscarem apoio jurídico para justificar a remoção dos aparelhos de lojas de conveniência e postos de gasolina. Em muitos desses locais, o proprietário do estabelecimento recebe apenas um aluguel fixo pela área ocupada, muitas vezes desconhecendo os riscos associados ao serviço prestado pelo terminal. A fiscalização em Haverhill será intensificada a partir do final do prazo de 60 dias para garantir o cumprimento total da norma.

Legislação estadual busca reembolsar vítimas de golpes

Enquanto Haverhill opta pelo banimento total, o estado vizinho de New Hampshire aprovou uma legislação bipartidária para tentar mitigar os danos causados aos usuários. A nova lei estabelece mecanismos para que vítimas de golpes em caixas eletrônicos de criptomoedas possam solicitar reembolso, desde que o crime seja reportado formalmente em até 14 dias após o ocorrido. Essa medida visa pressionar os operadores a investirem em melhores sistemas de monitoramento e alertas preventivos nos próprios terminais.

O cenário em New Hampshire serve de contraste para a decisão radical tomada pela prefeita Melinda Barrett, que acredita que a prevenção pelo banimento é mais eficaz do que a remediação posterior. Especialistas em direito digital apontam que a recuperação de fundos em transações de criptomoedas é complexa e exige cooperação internacional, o que torna as leis de reembolso difíceis de serem executadas na prática. Por esse motivo, Haverhill prefere a eliminação do risco na fonte para evitar a sobrecarga dos sistemas de justiça e assistência social.

Incidentes de segurança e prejuízos no setor de serviços

Um caso emblemático ocorrido em outubro de 2025 em South Hadley exemplifica a gravidade do problema e a facilidade com que criminosos operam. Um proprietário de empresa alugou espaço para um caixa eletrônico de criptomoedas por um valor mensal de 200 dólares, mas acabou se tornando vítima de uma fraude de identidade. Um estelionatário se passou pelo dono do negócio e enganou funcionários, resultando em um prejuízo superior a 11 mil dólares em uma única operação.

Este tipo de incidente demonstra que o risco não atinge apenas o usuário direto da máquina, mas também a reputação e a estabilidade financeira dos locais que hospedam os terminais. O uso de técnicas de engenharia social combinado com a rapidez das transações digitais torna o ambiente de lojas físicas perigoso para transações desprotegidas. A nova ordenança de Haverhill remove essa variável de risco dos comércios locais, protegendo tanto o empresário quanto o consumidor final.

As empresas que operam os terminais alegam que o banimento prejudica a inclusão financeira de pessoas que não possuem contas bancárias tradicionais. Contudo, os legisladores municipais de Haverhill argumentam que o alto custo das taxas de transação e a falta de garantias mínimas desmentem a tese de benefício social. O foco da prefeitura permanece na segurança e na manutenção da ordem pública financeira, priorizando a estabilidade em detrimento da expansão desregulada do mercado de criptoativos.

A implementação da remoção será acompanhada por campanhas educativas voltadas para grupos de risco, alertando sobre as modalidades comuns de estelionato digital. A prefeitura espera que o período de 60 dias seja suficiente para que a transição ocorra sem maiores conflitos jurídicos com as operadoras. A medida é vista como um marco regulatório local que pode influenciar outras cidades de médio porte a adotarem políticas públicas mais restritivas em relação às tecnologias financeiras não supervisionadas.

Com o encerramento das operações, os terminais deverão ser retirados fisicamente dos locais, e a conexão com as redes de energia e internet deverá ser interrompida. Fiscais da prefeitura e agentes de saúde pública realizarão vistorias constantes para assegurar que nenhum equipamento permaneça operando de forma clandestina. A multa diária de 300 dólares é considerada um desestímulo financeiro eficaz, dado que o lucro líquido de muitos terminais individuais é inferior a esse montante diário.

O debate sobre a regulamentação de criptomoedas nos Estados Unidos continua em nível federal, mas a ação de Haverhill reforça a autonomia das cidades em legislar sobre o uso do solo e a proteção comercial. A medida reflete uma tendência de municipalização de leis financeiras quando os governos superiores demoram a oferecer respostas claras. A partir de agora, o comércio de Haverhill voltará a focar em métodos de pagamento tradicionais e regulamentados, reduzindo a incidência de crimes cibernéticos no ambiente físico da cidade.

A prefeitura de Haverhill também informou que manterá um canal direto com a Procuradoria-Geral de Massachusetts para compartilhar dados sobre as remoções e possíveis tentativas de burlar a lei. A cooperação entre as esferas municipal e estadual é vista como essencial para sufocar a infraestrutura utilizada por redes de lavagem de dinheiro. A expectativa é que, até o final do primeiro semestre de 2026, a cidade esteja totalmente livre desses dispositivos, servindo como modelo de segurança preventiva para o estado.

As operadoras de caixas eletrônicos, por sua vez, tentam reverter a decisão nos tribunais, alegando cerceamento da liberdade econômica e invasão de competência legislativa. No entanto, o apoio massivo do Conselho Municipal e a robusta evidência de danos aos consumidores fortalecem a posição da prefeitura. Enquanto os processos judiciais tramitam, a ordem de retirada permanece vigente, e o prazo continua correndo para as empresas do setor.

Finalizando o ciclo de mudanças, a substituição de lideranças em grandes empresas como a Bitcoin Depot sinaliza que o setor está tentando se adaptar a uma realidade de maior escrutínio. A nomeação de Alex Holmes, com sua vasta experiência em serviços de remessa tradicional, sugere uma tentativa de profissionalizar um mercado que cresceu de forma desordenada. Mesmo assim, para os moradores de Haverhill, a prioridade imediata não é a recuperação corporativa, mas sim a certeza de que o ambiente comercial da cidade está livre de ferramentas de exploração financeira.

A proibição de caixas eletrônicos de criptomoedas em Haverhill representa um ponto de inflexão na aceitação dessas tecnologias no cotidiano urbano americano. O equilíbrio entre inovação e segurança financeira pendeu para a proteção dos mais vulneráveis após anos de incidentes recorrentes. A cidade agora se prepara para um novo capítulo em sua economia digital, onde a regulação rigorosa e a vigilância constante são as novas regras do jogo para qualquer provedor de serviços financeiros.

O impacto dessa legislação será monitorado de perto por investidores e reguladores de todo o mundo, servindo como um teste para a resiliência das redes de terminais de ativos digitais. A medida de Haverhill prova que, em questões de segurança pública, o pragmatismo local pode ser a ferramenta mais eficaz contra ameaças globais complexas. A vigilância contra golpes continuará sendo uma prioridade, mesmo após a retirada física das máquinas das ruas.