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Nafta ameaça indústria japonesa mais que gasolina em bloqueio de Ormuz

Nafta
Foto: Nafta - Djordje Novakov/ Shutterstock.com

A crise no Estreito de Ormuz provocou escassez de nafta no Japão, que representa cerca de 25% da demanda por derivados de petróleo no país. O Japão importa dois terços da nafta consumida internamente, pois a produção doméstica não atende à necessidade. Essa situação se mostra mais crítica do que a possível falta de gasolina ou diesel, uma vez que as refinarias conseguem ajustar a produção de gasolina decompondo óleo pesado.

O conflito armado iniciado em 28 de fevereiro de 2026, com bombardeios dos Estados Unidos e Israel ao Irã, levou ao bloqueio efetivo da rota marítima. Como resultado, o fluxo de petróleo bruto e derivados do Golfo Pérsico foi interrompido. O Japão mantém reservas de petróleo bruto para cerca de oito meses, mas os estoques de nafta duram apenas semanas.

Dependência de importações marca o setor de nafta

O Japão depende de importações para suprir dois terços de sua demanda interna por nafta. Em 2024, o consumo interno atingiu 34,83 milhões de quilolitros, enquanto as importações somaram 23,36 milhões de quilolitros. Essa dependência externa torna o país vulnerável a interrupções no transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz.

Empresas petroquímicas japonesas já reduziram operações para evitar paradas completas das unidades. A nafta serve como matéria-prima principal para a produção de etileno, usado na fabricação de plásticos e fibras químicas. Sem suprimento adequado, cadeias produtivas inteiras enfrentam limitações.

Produção conjunta limita ajustes rápidos nas refinarias

A destilação do petróleo bruto gera produtos em proporções fixas, o que se chama produção conjunta. Aproximadamente 15% viram gasolina, 10% resultam em nafta e entre 30% e 50% correspondem a óleo pesado. A demanda real, porém, difere desses percentuais.

  • Gasolina representa 32% do consumo total de derivados no Japão.
  • Nafta corresponde a 25% da demanda por produtos petrolíferos.
  • Refinarias decompõem óleo pesado para aumentar a produção de gasolina e compensar a diferença.

Enquanto a escassez de gasolina pode ser atenuada com esse processo, a nafta não permite o mesmo ajuste interno em escala suficiente. O país recorre a importações para preencher a lacuna, especialmente de fornecedores no Oriente Médio.

Gasolina, combustível, abastecendo
Gasolina, combustível, abastecendo – Dusan Petkovic/shutterstock.com

Nafta não é resíduo e demanda alta exige importações

A ideia de que a nafta seria um subproduto sem utilidade não corresponde à realidade do mercado japonês. Longe de ser um resíduo descartável, a nafta tem alta demanda na indústria petroquímica. A produção nacional por destilação simples fica abaixo do necessário, o que obriga grandes volumes de importação.

Empresas do setor químico iniciaram cortes na produção de etileno e outros derivados para gerenciar os estoques limitados, estimados em cerca de 20 dias em alguns casos. Essa medida visa evitar interrupções totais caso o bloqueio se prolongue por duas ou três semanas.

Impacto na petroquímica afeta cadeia de suprimentos

Várias indústrias japonesas utilizam plásticos e resinas derivados da nafta. A redução na oferta do insumo já pressiona fabricantes de embalagens, produtos automotivos e bens de consumo. Executivos de distribuidoras de gás natural industrial alertam para possível queda na demanda de gás caso as fábricas reduzam atividades.

O governo japonês liberou parte das reservas estratégicas de petróleo para mitigar os efeitos imediatos. Coordenações internacionais com aliados também ocorrem para buscar rotas alternativas de suprimento. Ainda assim, a dependência estrutural da nafta importada mantém a pressão sobre o setor industrial.

Escassez revela diferenças entre derivados do petróleo

A nafta e a gasolina passam pelo mesmo processo inicial de destilação do petróleo bruto, mas suas cadeias de suprimento divergem depois. Enquanto metade da gasolina japonesa vem da decomposição de óleo pesado, a nafta depende majoritariamente de importações diretas. Essa diferença explica por que a escassez de nafta se manifesta antes e com maior intensidade.

Analistas monitoram o volume de tráfego marítimo remanescente e o nível de estoques nas refinarias. O prolongamento do bloqueio pode forçar ajustes maiores na operação das plantas petroquímicas. Até o momento, as medidas adotadas buscam preservar a continuidade das atividades essenciais.

A situação atual reforça a necessidade de diversificar fontes de suprimento de nafta e avaliar opções de processamento alternativo a longo prazo, sem alterar as proporções fixas da destilação primária.