Rússia e China realizam 99% do comércio bilateral em moedas nacionais e BRICS avança com ferramenta digital
Rússia e China consolidaram o uso de moedas nacionais nas transações comerciais entre os dois países. As autoridades russas informaram que 99,1% das liquidações bilaterais ocorrem atualmente em rublos e yuans, eliminando praticamente a necessidade de conversão via dólar americano. Esse movimento faz parte de uma tendência mais ampla de redução da dependência de sistemas financeiros tradicionais controlados por instituições ocidentais. Países do BRICS acompanham o processo com iniciativas próprias de infraestrutura para pagamentos transfronteiriços.
O Brasil mantém acordo similar com a China desde 2023 e movimenta cerca de 100 bilhões de dólares por ano em real e yuan sem intermediação em dólar. Essa prática reduz custos de conversão cambial e oferece maior previsibilidade para exportadores e importadores. O Novo Banco de Desenvolvimento do BRICS prioriza operações em moedas locais como forma de construir um ambiente financeiro mais equilibrado entre os membros do bloco.
Avanço da desdolarização entre Rússia e China
As transações entre Moscou e Pequim evoluíram rapidamente nos últimos anos. O percentual de operações em moedas nacionais subiu de forma consistente até alcançar o patamar atual de 99,1%. Representantes do governo russo destacaram que esse nível representa um marco na cooperação financeira bilateral.
Essa mudança ocorreu em paralelo à ampliação de acordos comerciais em setores como energia, tecnologia e agricultura. As duas economias ajustaram mecanismos bancários para permitir liquidações diretas sem passagem por plataformas internacionais dominadas pelo dólar. O resultado inclui menor exposição a flutuações externas e redução de custos operacionais para empresas dos dois lados.
Desenvolvimento da Unidade BRICS em blockchain
O bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, entre outros, trabalha na criação da Unidade BRICS. Trata-se de um instrumento digital baseado em tecnologia blockchain destinado a liquidações transfronteiriças entre os membros. O sistema permite que exportadores e importadores realizem pagamentos diretamente em moedas locais com mecanismo de compensação próprio.
A ferramenta funciona como alternativa ao sistema SWIFT para transações dentro do bloco. Ela busca oferecer maior autonomia e segurança contra possíveis restrições unilaterais em redes financeiras globais. O desenvolvimento ocorre de forma gradual e envolve discussões técnicas entre os bancos centrais e instituições financeiras dos países participantes.
A iniciativa não envolve a criação de uma moeda única comum. Autoridades brasileiras, incluindo o presidente Lula, reforçaram que o foco permanece na infraestrutura para facilitar operações em moedas nacionais já existentes. O objetivo é promover estabilidade e previsibilidade sem substituir abruptamente arranjos financeiros consolidados no plano global.
Benefícios para transações comerciais no bloco
Países do BRICS identificam vantagens na redução da intermediação em dólar. As operações em moedas locais diminuem spreads cambiais e agilizam os processos de pagamento. Empresas brasileiras que exportam commodities para a China, por exemplo, conseguem liquidações mais diretas e com menor risco de variação cambial.
O Novo Banco de Desenvolvimento do BRICS apoia a expansão dessas práticas. A instituição considera o uso de moedas locais uma prioridade para fortalecer o comércio intra-bloco e ampliar a participação de economias emergentes em cadeias globais de valor. Representantes indianos também acompanham os debates, embora manifestem cautela em relação a mudanças mais profundas no sistema monetário internacional.
Funcionamento técnico da ferramenta digital
A Unidade BRICS utiliza blockchain para registrar e validar transações de maneira descentralizada. Nenhum país detém controle unilateral sobre o sistema, o que busca garantir neutralidade e transparência nas liquidações. O mecanismo permite a tokenização de compromissos comerciais e a compensação multilaterais em moedas nacionais.
Testes iniciais envolvem cenários de comércio bilateral e multilateral dentro do bloco. A tecnologia visa integrar sistemas de pagamento nacionais já existentes, como o Pix no Brasil, com plataformas equivalentes em outros membros. O desenvolvimento prioriza segurança cibernética e conformidade com regulamentações locais de cada país.
Perspectivas para outros membros do BRICS
Outros países do bloco observam o modelo Rússia-China como referência para ampliar acordos semelhantes. A Índia mantém discussões sobre uso de rúpia em transações específicas, enquanto a África do Sul avalia opções para fortalecer liquidações regionais. O Brasil participa ativamente das conversas sobre infraestrutura compartilhada.
A ferramenta digital em desenvolvimento pretende facilitar a inclusão de novos membros que ingressaram no bloco recentemente. O processo busca equilibrar eficiência operacional com respeito às soberanias nacionais em matéria monetária. As discussões continuam em fóruns técnicos do BRICS sem prazo definido para implementação plena.
Contexto global das transações em moedas locais
O dólar ainda responde pela maior parte das transações cambiais mundiais, mas sua participação em reservas internacionais diminuiu ao longo das duas últimas décadas. Países emergentes buscam alternativas para mitigar riscos associados a sanções ou decisões unilaterais de grandes economias. A Rússia e a China lideram esse movimento com resultados concretos em volume comercial.
O comércio bilateral entre os dois países registrou ajustes recentes, mas mantém patamar elevado mesmo com variações pontuais. A continuidade do uso de rublos e yuans demonstra a consolidação de canais financeiros independentes. Iniciativas como a Unidade BRICS representam o próximo estágio nessa evolução para o conjunto do bloco.
O bloco reforça a cooperação em áreas como energia, tecnologia e infraestrutura por meio de mecanismos financeiros adaptados. As autoridades envolvidas destacam que o processo ocorre de forma gradual e pragmática, com ênfase em benefícios mútuos para os participantes. As discussões técnicas prosseguem com o objetivo de expandir opções de liquidação seguras e eficientes.
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