Ciência

Astronautas da Artemis 2 completam manobra final antes da reentrada na Terra

Astronautas da Nasa
Foto: Astronautas da Nasa - Nasa

A espaçonave Orion da missão Artemis 2 concluiu a terceira queima de correção de trajetória nesta sexta-feira, 10 de abril de 2026. Essa manobra de apenas oito segundos ajustou o curso da cápsula para garantir uma reentrada precisa na atmosfera terrestre. Os quatro astronautas a bordo preparam-se agora para o momento mais desafiador da jornada de dez dias ao redor da Lua.

A tripulação formada pelo comandante Reid Wiseman, o piloto Victor Glover, a especialista Christina Koch e o especialista canadense Jeremy Hansen viajou mais longe da Terra do que qualquer outro humano na história. Eles superaram o recorde da Apollo 13 ao atingir aproximadamente 406.771 quilômetros de distância do planeta. Durante o sobrevoo, observaram partes do lado oculto da Lua a uma distância mínima de cerca de 6.550 quilômetros da superfície.

Preparativos finais para a descida

Os astronautas ajustaram os assentos e guardaram equipamentos soltos na cabine da Orion para a fase de reentrada. Eles também revisaram o boletim meteorológico atualizado na zona de amerissagem. As condições climáticas na costa da Califórnia foram consideradas favoráveis para a operação.

A NASA desativou o banheiro da espaçonave nas horas que antecedem o retorno. Christina Koch, a única mulher da tripulação, destacou o funcionamento do sistema durante a missão, que incluiu reparos improvisados semelhantes aos realizados em voos anteriores.

Detalhes da reentrada atmosférica

A cápsula Orion se separará do módulo de serviço europeu cerca de 35 minutos antes da reentrada. Essa separação exporá o escudo térmico, projetado para suportar temperaturas superiores a 2.500 graus Celsius. A descida total durará aproximadamente 13 minutos, com a espaçonave atingindo velocidades acima de 40.000 quilômetros por hora.

  • A Orion alcançará a interface de entrada a 122 quilômetros de altitude, viajando a quase 35 vezes a velocidade do som.
  • Os astronautas experimentarão até 3,9 vezes a gravidade terrestre durante o pico de desaceleração.
  • Um período de silêncio nas comunicações de cerca de seis minutos ocorrerá devido à formação de plasma ao redor da cápsula.

Cronograma minuto a minuto do retorno

Após a separação, uma queima curta de 18 segundos alinhará o ângulo de entrada. Os paraquedas de frenagem serão acionados a cerca de 6.700 metros de altitude. Em seguida, os três paraquedas principais reduzirão a velocidade para aproximadamente 200 quilômetros por hora antes do toque na água.

O amerissagem está previsto para ocorrer no Oceano Pacífico, próximo à costa de San Diego, na Califórnia, em horário local americano. Equipes de resgate da Marinha dos Estados Unidos, apoiadas pelo navio de assalto anfíbio USS John P. Murtha, aguardam em posição para recuperar a cápsula e a tripulação.

Testes cruciais no escudo térmico

O escudo térmico da Orion será submetido a condições extremas durante a reentrada. Engenheiros ajustaram a trajetória para reduzir o tempo de exposição a altas temperaturas em comparação com planos iniciais. Esse componente apresentou desafios na missão não tripulada Artemis 1, o que motivou análises adicionais.

A tripulação viajará sentada de costas para a direção do movimento, confiando no sistema automatizado de pouso. O módulo de serviço europeu, que forneceu propulsão, ar e água durante a viagem, será descartado antes da fase final.

Recuperação da tripulação após o amerissagem

Após o pouso na água, a cápsula será estabilizada pelos paraquedas principais. Equipes de resgate transportarão os astronautas para o navio de recuperação em helicóptero após avaliações iniciais. Os quatro membros da tripulação passarão por exames médicos a bordo antes de seguir para o Centro Espacial Johnson, em Houston.

O navio USS John P. Murtha está posicionado desde preparativos iniciados em 2018 para apoiar operações semelhantes. O processo completo de resgate deve durar cerca de duas horas após o amerissagem.

Aspectos técnicos da missão

A Orion completou uma jornada total de aproximadamente 1.117.650 quilômetros. Os astronautas realizaram observações detalhadas da Lua, incluindo o lado oculto, e capturaram imagens que contribuirão para futuras análises científicas. A missão marca o primeiro voo tripulado do programa Artemis desde o fim do programa Apollo.

O banheiro da espaçonave, uma novidade com porta dedicada, custou cerca de 23 milhões de euros e exigiu intervenção manual de Christina Koch logo após o lançamento. Esse detalhe destacou adaptações necessárias em ambientes de microgravidade.

Importância do voo para o programa Artemis

A Artemis 2 serve como teste tripulado da Orion antes de missões que visam pousos lunares. O sucesso da reentrada validará tecnologias essenciais para o retorno sustentável de humanos à Lua. A tripulação internacional reforça a colaboração entre agências espaciais dos Estados Unidos e do Canadá.

Os astronautas acordaram nesta sexta-feira ao som da música “Run To The Water”, da banda Live, em preparação para o dia decisivo. Eles revisaram procedimentos e garantiram que todos os itens na cabine estivessem seguros para a desaceleração intensa.

Manobras de alinhamento e separação

A queima final refinou a trajetória para um ângulo otimizado de entrada na atmosfera. Essa ação ocorreu após a Orion já ter iniciado o retorno da órbita lunar. O módulo de serviço europeu, construído com participação de empresas de vários países, cumpriu seu papel até o momento da separação.

A reentrada testará não apenas o escudo térmico, mas também os sistemas de paraquedas e o procedimento de amerissagem em oceano. A NASA reduziu a duração planejada da fase crítica para minimizar riscos identificados em análises anteriores.

Perspectivas da operação de resgate

Equipes combinadas da NASA e das Forças Armadas dos EUA realizarão o resgate no Pacífico. O processo inclui o uso de botes infláveis e helicópteros para transferir a tripulação ao navio de recuperação. Após o embarque, os astronautas receberão cuidados médicos imediatos.

A posição exata do amerissagem foi determinada por cálculos precisos e ajustes de trajetória realizados durante a viagem. O local próximo a San Diego facilita o acesso rápido a instalações de suporte em terra.

Conclusão da jornada histórica

A missão Artemis 2 demonstra avanços na capacidade de enviar humanos além da órbita terrestre baixa. Os quatro astronautas acumularam experiência valiosa em voos de longa duração e observações lunares. O retorno seguro completará um marco importante no caminho para explorações futuras.