O Irã condicionou nesta sexta-feira o avanço das negociações com os Estados Unidos à extensão do cessar-fogo para o Líbano. O porta-voz iraniano Ismail Bagaei afirmou que o diálogo só fará sentido se todos os fronts regionais forem incluídos nos compromissos. As conversas previstas para ocorrer no Paquistão no dia 11 de abril permanecem suspensas até que Israel interrompa as operações no território libanês.
Hezbolá lançou mísseis contra áreas centrais de Israel na madrugada desta sexta, incluindo Tel Aviv e Ashdod, sem registrar vítimas ou impactos diretos. As sirenas de alerta foram acionadas em várias localidades israelenses. O primeiro-ministro Benjamín Netanyahu mencionou conversas diretas para o desarmamento do grupo, mas as ações militares continuam no sul do Líbano.
Ataques recentes aumentam tensão no Líbano
Israel realizou bombardeios intensos no Líbano nos últimos dias, incluindo um ataque em Beirute que deixou escombros em áreas residenciais. Equipes de emergência atuaram no local para remover destroços e atender possíveis feridos. As Forças de Defesa de Israel mantêm operações na região desde o início de março.
A ofensiva israelense no Líbano resultou em pelo menos 50 trabalhadores sanitários mortos e 150 feridos nas últimas cinco semanas. A Unicef registrou cerca de 600 crianças mortas ou feridas no mesmo período. Mais de um milhão de pessoas foram deslocadas, entre elas 390 mil crianças.
- Autoridades libanesas relatam centenas de vítimas em bombardeios recentes no sul e em Beirute.
- Organizações internacionais denunciam ameaças a ambulâncias em zonas de evacuação.
- O porta-voz das Forças de Defesa de Israel negou violações sistemáticas ao direito internacional.
A Organização Mundial da Saúde criticou as ameaças contra veículos de socorro, classificando-as como incompatíveis com normas humanitárias. Representantes libaneses devem participar de reunião em Washington na próxima semana para discutir o alto o fogo. O governo de Beirute busca incluir o tema na agenda diplomática mais ampla.
Declarações de Trump sobre o Estreito de Ormuz
O presidente Donald Trump advertiu o Irã contra a cobrança de taxas no Estreito de Ormuz e exigiu a interrupção imediata de qualquer restrição ao fluxo de petróleo. Ele descreveu a gestão iraniana da rota como desonrosa e incompatível com o cessar-fogo em vigor desde o dia 8 de abril. O acordo previa duas semanas de trégua entre Washington e Teerã.
O preço do petróleo Brent subiu mais de 2% e atingiu 98,21 dólares por barril nesta sexta. O WTI alcançou 100,34 dólares. Mercados internacionais acompanham de perto os desdobramentos diplomáticos e as possíveis interrupções no suprimento energético global.
O cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã entrou em vigor após intensos ataques coordenados que marcaram o conflito iniciado em fevereiro. Israel continuou operações no Líbano mesmo após o anúncio da trégua bilateral. O Irã acusa violações e condiciona qualquer progresso nas conversas à inclusão do front libanês.
Incidente em Kuwait e reações internacionais
Kuwait acusou o Irã e seus aliados de atacar com drones um posto da Guarda Nacional, causando danos materiais sem vítimas fatais. O episódio ocorreu na noite entre os dias 9 e 10 de abril e foi interpretado como ameaça à frágil trégua regional. Autoridades kuwaitianas investigam o caso.
A China pediu contenção de todas as partes e defendeu a resolução diplomática dos conflitos. A Espanha incentivou o Irã a negociar de boa fé, incluindo o Líbano na agenda. O Reino Unido e os Estados Unidos discutiram planos para restabelecer a navegação livre no Estreito de Ormuz sem pedágios.
A Otan descartou participação em operações na região de Ormuz. O primeiro-ministro espanhol José Manuel Albares desmentiu informações sobre envolvimento da aliança. Paquistão reforçou a segurança em Islamabad para eventuais negociações, mas a data do encontro permanece incerta.
Morte de assessor iraniano em Teerã
Um ataque israelense em Teerã resultou na morte do assessor Kamal Jarrazí, próximo ao líder supremo iraniano, e de sua esposa. Jarrazí faleceu no dia 9 de abril em decorrência dos ferimentos. O episódio aumentou as pressões internas no Irã contra o acordo de cessar-fogo.
Zelenski confirmou o uso de sistemas de defesa ucranianos para interceptar drones iranianos Shahed em países do Golfo, com apoio de infraestrutura americana. O fato destaca o alcance regional do conflito e as conexões entre diferentes teatros de operação.
Enquetes em Israel indicam que dois terços da população se mostram insatisfeitos com os resultados da guerra até o momento. Parte dos entrevistados considera que nem Israel nem os Estados Unidos obtiveram vitória clara. O descontentamento reflete o prolongamento das operações em múltiplos fronts.
Perspectivas para as negociações
O governo iraniano insiste que o cessar-fogo deve abranger todos os envolvidos, especialmente o Líbano, para que as conversas tenham sentido. O presidente Masoud Pezeshkian reforçou que o Irã não abandonará o apoio ao povo libanês. As delegações aguardam definição sobre a retomada do diálogo mediado pelo Paquistão.
Israel mantém a posição de que as ações no Líbano visam o desarmamento de Hezbolá e não estão diretamente vinculadas ao acordo bilateral com o Irã. Netanyahu anunciou conversas diretas com Beirute para avançar nesse objetivo. A fragilidade da trégua permanece evidente com os lançamentos de míssei e os bombardeios recíprocos.
O conflito iniciado em 28 de fevereiro de 2026 já causou milhares de vítimas e deslocamentos em massa na região. As potências envolvidas buscam agora equilibrar interesses estratégicos com a necessidade de estabilizar rotas comerciais vitais como o Estreito de Ormuz. Novas rodadas de conversa dependem do cumprimento mútuo de compromissos em todos os fronts.

