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Uma jovem de 23 anos do País de Gales passou quatro anos com diagnósticos sucessivos de ansiedade, depressão e epilepsia antes de receber a confirmação de uma condição rara. Phoebe Tesoriere inseriu a descrição dos seus sintomas no ChatGPT após uma grave convulsão que a deixou em coma por três dias. O chatbot listou várias possibilidades, incluindo paraplegia espástica hereditária, que testes genéticos depois confirmaram.

A paciente mora em Cardiff e relatou problemas de mobilidade desde a infância, com rigidez nas pernas e dificuldades de equilíbrio. Ela passou por cirurgias no quadril quando bebê e foi avaliada para outras condições, como dispraxia, mas sem confirmação. Aos 19 anos, sofreu uma convulsão no trabalho e recebeu o registro de ansiedade nos prontuários médicos. Em 2022, o diagnóstico mudou para epilepsia e medicamentos foram prescritos.

Em dezembro de 2024, os sintomas pioraram e ela não conseguiu manter a medicação para epilepsia, o que gerou mais crises. No início de 2025, uma queda de escada resultou em três meses de internação com exames sem conclusão clara. Em julho de 2025, uma nova convulsão grave a deixou em coma por três dias. Ao sair do hospital, ela decidiu descrever todos os sintomas no chatbot de inteligência artificial.

O ChatGPT retornou uma lista de condições possíveis. Entre elas estava a paraplegia espástica hereditária. Phoebe Tesoriere discutiu a sugestão com a parceira e decidiu apresentar a informação ao clínico geral. O médico considerou a hipótese plausível e solicitou testes genéticos, que confirmaram o diagnóstico ainda em 2025. A condição identificada é do tipo complexo quadriplegico, que afeta os quatro membros.

Sintomas relatados ao longo dos anos

Phoebe Tesoriere mancava desde criança e atribuía parte dos problemas ao histórico de cirurgias no quadril. Ela também apresentava perda de equilíbrio e, em junho de 2025, perdeu todo o cabelo. Depois da alta hospitalar, a dificuldade para andar aumentou e ela passou a usar cadeira de rodas. Os médicos chegaram a diagnosticar paralisia de Todd, uma fraqueza temporária que pode ocorrer após crises epilépticas, mas o quadro não se encaixava completamente.

A jovem trabalhava como professora de alunos com necessidades educacionais especiais, mas os sintomas impediram a continuidade da atividade. Ela iniciou um mestrado em psicologia e busca uma nova carreira que ainda permita ajudar outras pessoas. A paciente descreveu a jornada como solitária e disse que precisou insistir para ser ouvida pelos profissionais de saúde.

  • Problemas de rigidez e fraqueza nas pernas desde a infância
  • Convulsões recorrentes a partir dos 19 anos
  • Perda total de cabelo em junho de 2025
  • Três dias em coma após crise grave em julho de 2025
  • Dificuldade progressiva para caminhar e uso de cadeira de rodas
  • Diagnósticos anteriores de ansiedade, depressão e epilepsia
ChatGPT
ChatGPT – Ju Jae-young/ Shutterstock.com

Resposta do serviço de saúde local

O Conselho de Saúde da Universidade de Cardiff e Vale informou que lamenta a experiência vivida por Phoebe Tesoriere. Um porta-voz declarou que não pode comentar casos individuais de pacientes, mas convidou a jovem a entrar em contato com a equipe de relacionamento para discutir o atendimento recebido. O NHS, serviço público de saúde do Reino Unido, reconhece que a paraplegia espástica hereditária muitas vezes não é diagnosticada, o que dificulta saber o número exato de casos.

Uma clínica geral que atende a região de Cardiff e Vale of Glamorgan comentou sobre o desafio enfrentado pelos médicos. Ela explicou que é difícil para os clínicos gerais conhecerem todas as condições raras, especialmente sob pressão no sistema de saúde. A profissional orientou que pacientes que pesquisam sintomas em ferramentas de inteligência artificial devem discutir os resultados com um médico para uma avaliação adequada.

Papel da inteligência artificial em consultas de saúde

O uso de chatbots como o ChatGPT para questões médicas cresce entre o público. Um estudo recente da Universidade de Oxford analisou respostas de ferramentas de IA sobre saúde e concluiu que os resultados misturam informações úteis com outras imprecisas. Isso torna mais difícil para as pessoas distinguirem o que merece atenção profissional.

A OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, lançou no início deste ano nos Estados Unidos uma função específica para analisar registros médicos e oferecer respostas mais direcionadas. A companhia reforça que a ferramenta não substitui diagnóstico ou tratamento médico. Milhões de usuários já enviam perguntas semanais sobre bem-estar ao chatbot.

Especialistas recomendam que qualquer sugestão obtida por meio de IA sirva apenas como ponto de partida. O ideal é levar as informações a um profissional de saúde para discussão em consulta. No caso de Phoebe Tesoriere, a sugestão do chatbot levou a testes que confirmaram a condição e permitiram o início do manejo adequado dos sintomas com fisioterapia.

Como a condição afeta o dia a dia

A paraplegia espástica hereditária causa fraqueza e rigidez progressiva, principalmente nas pernas, mas pode atingir os braços no tipo complexo. Os sintomas variam de pessoa para pessoa e pioram com o tempo. Não existe cura, mas fisioterapia ajuda a controlar o quadro e manter a mobilidade.

Phoebe Tesoriere agora adapta a rotina à nova realidade. Ela não consegue mais exercer a profissão anterior e foca nos estudos em psicologia. A jovem continua a defender que os pacientes devem ser ouvidos com atenção, mesmo quando os sintomas são complexos ou raros.

O caso ilustra tanto as limitações do diagnóstico médico tradicional em condições pouco frequentes quanto o potencial auxiliar da inteligência artificial quando usado de forma responsável. Profissionais de saúde seguem orientando que ferramentas digitais complementam, mas nunca substituem, a consulta presencial.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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