Mirassol enfrenta LDU e altitude de Quito em estreia internacional na LibertadoresPor Thiago Lemos
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O Mirassol entra em campo nesta terça-feira para um marco histórico em sua trajetória esportiva. O clube paulista enfrenta a LDU, em Quito, no Equador, em partida válida pela segunda rodada da fase de grupos da Copa Libertadores da América. O confronto, agendado para as 23h (horário de Brasília), representa o primeiro jogo oficial da equipe fora do território brasileiro, consolidando uma ascensão que começou na Série D em 2020. Além do adversário em campo, o time precisa superar os efeitos físicos da altitude de 2.850 metros acima do nível do mar.
A preparação para o duelo internacional envolveu um planejamento rigoroso do departamento de saúde e performance. A delegação desembarcou na capital equatoriana com 50 horas de antecedência, logo após o compromisso pelo Campeonato Brasileiro no último sábado. O objetivo da chegada antecipada é permitir uma adaptação fisiológica mínima ao ar rarefeito e à velocidade da bola, que sofre alterações significativas em grandes altitudes. O médico Francys França coordena o protocolo médico que acompanha os atletas desde o embarque no Brasil.
Estratégia médica e recuperação física durante o deslocamento
Para minimizar o desgaste da viagem de seis horas e os impactos da pressão atmosférica, o Mirassol utilizou tecnologias de recuperação ainda dentro da aeronave. Os jogadores fizeram uso de botas de compressão pneumática, conhecidas como “recovery”, que auxiliam na circulação sanguínea e reduzem o edema causado pelo tempo prolongado de voo. Essa medida visa acelerar a restauração muscular, garantindo que o grupo chegue ao dia da partida com o menor nível de fadiga possível. O foco total está em manter a intensidade física que o técnico exige durante os 90 minutos de jogo.
A comissão técnica enfatiza que a hidratação e a suplementação específica foram intensificadas desde a saída do interior paulista. Em cidades como Quito, a desidratação ocorre de forma mais acelerada, e o tempo de recuperação entre esforços de alta intensidade é maior. O treino realizado no Centro de Treinamentos do Independiente del Valle serviu para ajustar o posicionamento e familiarizar os goleiros com a trajetória da bola. A atividade marcou a primeira vez que o uniforme do Leão foi utilizado em um treinamento oficial em solo estrangeiro.
Sequência de desafios em terrenos elevados na Libertadores
O calendário do Mirassol nesta fase de grupos reserva cenários ainda mais extremos para o representante brasileiro. Após o compromisso em Quito, o clube terá pela frente o Always Ready, na Bolívia. O jogo será disputado na cidade de El Alto, situada a 4.100 metros de altitude, um local onde tradicionalmente equipes brasileiras encontram dificuldades históricas de performance. O planejamento atual contra a LDU serve como um teste fundamental para os protocolos que serão aplicados em solo boliviano, onde o impacto fisiológico é quase o dobro do registrado no Equador.
As principais dificuldades relatadas por atletas em cidades de altitude elevada incluem:
- Aumento da frequência cardíaca em repouso e em esforço.
- Sensação de falta de ar (dispneia) em movimentos explosivos.
- Alteração na precisão de passes e finalizações devido à menor resistência do ar.
- Distúrbios no sono e possíveis dores de cabeça nas primeiras 24 horas.
- Necessidade de maior controle de posse de bola para ditar o ritmo do jogo.
Histórico de ascensão e foco no resultado em solo equatoriano
O Mirassol chega a este estágio da competição após uma escalada vertical no cenário nacional. Em apenas seis anos, o clube saiu da quarta divisão nacional para o torneio mais importante do continente. A classificação para a Libertadores 2026 coroa um projeto de gestão que prioriza a infraestrutura e a formação de elenco. No Equador, o ambiente é de concentração total, com a diretoria acompanhando de perto cada passo da delegação para garantir que o fator extracampo não interfira no desempenho técnico.
O técnico da equipe aproveitou os últimos ajustes táticos para definir a formação que inicia o jogo. Embora a altitude sugira uma postura mais defensiva, a filosofia de jogo do Mirassol deve priorizar as transições rápidas. A LDU, campeã da competição em 2008, é conhecida por utilizar a pressão inicial em casa para sufocar os visitantes que não estão acostumados com o clima local. O elenco brasileiro realizou sessões de vídeo para analisar o comportamento do adversário em seus domínios, focando especialmente nas bolas paradas e chutes de longa distância, armas perigosas em Quito.







