O ex-DJ da BBC Radio 1 e apresentador do Live Aid, Andy Kershaw, morreu aos 66 anos. A família confirmou que ele faleceu por volta das 19h30 BST na quinta-feira. O radialista havia revelado em janeiro que enfrentava um diagnóstico de câncer.
Kershaw nasceu em Rochdale, em 1959. Ele começou a carreira no início dos anos 80 na Radio Aire, em Leeds. Depois, chegou à BBC em 1984 para apresentar o programa de rock The Old Grey Whistle Test. No ano seguinte, participou da cobertura do Live Aid na televisão da BBC.
Carreira de 15 anos na Radio 1 com foco em música mundial
Andy Kershaw entrou na BBC Radio 1 no verão de 1985. Ele permaneceu na emissora até 2000. O apresentador ficou conhecido pelo gosto eclético e pela promoção de artistas de diferentes partes do mundo.
Alguns ouvintes o viam como possível sucessor de John Peel. Sua irmã, Liz Kershaw, também trabalhou na Radio 1 entre 1987 e 1992. O programa semanal noturno de Kershaw foi cancelado em 2000 durante uma reformulação da grade.
Nos últimos meses na emissora, ele recebeu participações de nomes como Willie Nelson e Lou Reed. Depois da saída, Kershaw passou a atuar como repórter na Radio 4. Ele cobriu temas de música e também conflitos internacionais.
- Reportagem sobre o genocídio em Ruanda em 1994
- Cobertura da guerra civil em Serra Leoa em 2001
- Exploração de influências musicais em diversas regiões
- Participações no programa Today da Radio 4
- Trabalho adicional na Radio 3 com mistura de gêneros
Transição para reportagens globais e viagens musicais
Após deixar a Radio 1, o radialista viajou para áreas de instabilidade política. Ele produziu reportagens que uniam música e contextos sociais ou de conflito. Uma turnê musical o levou ao Iraque, Irã e Coreia do Norte.
Em 2011, Kershaw voltou à rádio com a série Music Planet na Radio 3. O programa, ao lado de Lucy Duran, mostrava gravações de música em locais isolados. Ele também lançou a autobiografia No Off Switch naquele ano.
Kershaw citava o mentor John Walters ao explicar sua abordagem. Ele defendia oferecer ao público o que ele nem sabia que queria. Essa visão marcou sua filosofia de transmissão ao longo da carreira.
O apresentador ficou fora do ar por alguns anos após problemas pessoais. Em 2008, ele cumpriu três meses de prisão por violar uma ordem de restrição. Depois, recebeu uma sentença suspensa de seis meses pelo mesmo motivo.
Diagnóstico de câncer e último comunicado com humor
Em janeiro, a família e amigos informaram que Andy Kershaw havia sido diagnosticado com câncer. A doença afetou especialmente a coluna e o deixou impossibilitado de andar. Ele passou por quimioterapia, radioterapia e fisioterapia.
Apesar do quadro, Kershaw manteve o bom humor no comunicado divulgado. Ele brincou que estava determinado a não morrer antes de certas figuras públicas. O radialista continuou com o próprio podcast nos últimos anos.
A família confirmou o falecimento na quinta-feira. Não foram divulgados detalhes sobre o local exato ou planos de funeral até o momento.
Legado como promotor de música eclética e repórter
Kershaw construiu uma carreira que misturou rádio musical, televisão e jornalismo internacional. Ele ajudou a trazer artistas globais para o público britânico. Sua passagem pelo Live Aid em 1985 ficou marcada como parte da cobertura da BBC para o concerto beneficente contra a fome na Etiópia.
Colegas e ouvintes lembram o estilo direto e a curiosidade por sons de fora do circuito comercial. Ele ignorava categorias rígidas e misturava tudo, como disse em uma ocasião sobre o trabalho na Radio 3.
A morte de Kershaw encerra uma trajetória de quase quatro décadas na BBC. Ele deixou contribuições tanto na música quanto na cobertura de eventos mundiais.

