Um homem adulto testou positivo para o vírus da gripe aviária A(H9N2) na Itália após retornar de uma longa estadia no Senegal. O diagnóstico, confirmado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta sexta-feira, marca a primeira vez que esse subtipo específico de vírus é identificado em um humano dentro da Região Europeia através de importação. As autoridades sanitárias locais agiram rapidamente para isolar o paciente e monitorar possíveis contatos.
O caso mobilizou o Ponto Focal Nacional para o Regulamento Sanitário Internacional (RSI) da Itália após a detecção inicial em 21 de março de 2026. Inicialmente, o paciente buscou atendimento em uma unidade de emergência apresentando sintomas de febre e tosse persistente logo após o desembarque em solo italiano. Exames laboratoriais profundos revelaram uma coinfecção inesperada que exigiu protocolos rígidos de isolamento.
Diagnóstico laboratorial e identificação do subtipo A(H9N2)
A identificação precisa do vírus exigiu o uso de tecnologias avançadas de sequenciamento genético de última geração. No dia 16 de março, médicos coletaram uma amostra de lavagem broncoalveolar que, inicialmente, apontou resultado positivo para Mycobacterium tuberculosis. Simultaneamente, os testes detectaram a presença de um vírus influenza A que não pôde ser subtipado nos exames rápidos de rotina.
Diante da incerteza sobre a cepa, a amostra foi encaminhada para um laboratório de referência regional. Em 20 de março, os técnicos identificaram o subtipo A(H9) e, no dia seguinte, o sequenciamento completo confirmou tratar-se do H9N2. Os achados genéticos iniciais sugerem fortemente que a infecção tenha origem aviária, com semelhanças diretas com cepas que circulam em aves de curral no Senegal.
- O paciente permaneceu no Senegal por mais de seis meses antes de viajar.
- O isolamento ocorreu em sala de pressão negativa com precauções de transmissão aérea.
- O tratamento envolveu medicamentos antituberculose e o antiviral oseltamivir.
- O estado de saúde do homem foi considerado estável e em melhora até o início de abril.
Ausência de exposição direta e monitoramento de contatos
Um dos pontos que mais chamam a atenção das autoridades epidemiológicas é o fato de o paciente não ter relatado exposição direta a animais. Ele afirmou não ter visitado mercados de aves vivas, ambientes rurais ou tido contato com vida selvagem durante sua permanência na África. Além disso, não houve registro de proximidade com outras pessoas que apresentassem sintomas respiratórios semelhantes.
As investigações na Itália foram extensas para garantir que não houvesse transmissão comunitária. Todos os contatos identificados e rastreados em território italiano foram testados e apresentaram resultados negativos para a influenza. Mesmo assim, essas pessoas completaram um período de monitoramento ativo e quarentena, seguindo as diretrizes nacionais de segurança biológica. Como medida preventiva adicional, os contatos também receberam doses de oseltamivir.
No Senegal, os contatos identificados foram classificados como assintomáticos pelas equipes de saúde locais. A coordenação entre os dois países e a OMS permitiu que o rastreamento fosse concluído sem a identificação de novos focos da doença. O sistema de vigilância regional italiano integrou as informações ao quadro de relatórios “One Health”, que une saúde humana, animal e ambiental.
Avaliação de risco global e histórico da infecção em humanos
Apesar do ineditismo na Europa, a OMS classificou o risco para a população em geral como baixo no momento. O vírus A(H9N2) é conhecido por circular endemicamente em populações de aves em diversas regiões da África e da Ásia. A maioria dos casos humanos registrados anteriormente ocorreu na China, geralmente associados ao contato direto com aves infectadas ou ambientes contaminados.
As infecções por gripe aviária em seres humanos podem variar drasticamente em gravidade. Embora muitos casos se manifestem como doenças do trato respiratório superior leve, há registros de quadros severos, conjuntivite, sintomas gastrointestinais e até encefalopatia. A detecção deste caso na Itália é tratada como um evento de alto impacto potencial para a saúde pública conforme o RSI (2005), exigindo notificação imediata.
A organização internacional reforçou que continuará monitorando a situação globalmente, já que o vírus permanece presente em aves de curral no Senegal. Em 2020, o país africano já havia registrado um caso humano de infecção por A(H9N2). A vigilância contínua é considerada essencial para detectar qualquer mudança no comportamento do vírus que possa sugerir uma maior facilidade de transmissão entre humanos.

