A Polônia anunciou que vai apresentar uma queixa formal ao Tribunal de Justiça da União Europeia contra o acordo de livre comércio entre o bloco europeu e o Mercosul. O prazo para a ação termina em 26 de maio. O vice-primeiro-ministro polonês Władysław Kosiniak-Kamysz confirmou a medida.
O país se alia à França na liderança da resistência ao tratado. Críticos apontam riscos ao setor agrícola local com a entrada de produtos sul-americanos mais baratos. O acordo foi firmado em janeiro após mais de 25 anos de negociações.
Polônia formaliza queixa contra redução de tarifas
O governo de Varsóvia prepara o recurso para anular ou questionar pontos do tratado. A ação mira especialmente a eliminação gradual de barreiras comerciais em bens agrícolas.
Carne bovina, açúcar e frango aparecem entre os itens mais sensíveis. Produtores europeus temem concorrência desleal. O vice-primeiro-ministro citou ainda preocupações com segurança alimentar e proteção do consumidor.
- Proteção de produtores locais contra importações baratas
- Riscos ao mercado interno de alimentos
- Impactos na segurança alimentar do bloco
- Necessidade de salvaguardas ambientais e sanitárias
A resistência polonesa ganha força dentro da União Europeia. Países como Hungria, Áustria e Irlanda também manifestam ressalvas semelhantes.
Aplicação provisória do acordo prevista para maio
A Comissão Europeia confirmou que o tratado começa a valer de forma provisória a partir de 1º de maio. A medida ocorre mesmo com os questionamentos jurídicos em curso.
Brasil, Argentina e Uruguai já concluíram os processos internos de aprovação. O Paraguai atuou como depositário e finalizou os trâmites legislativos necessários. Com isso, a parte comercial pode entrar em vigor entre a União Europeia e esses países do Mercosul.
A decisão da comissão permite redução imediata de tarifas em vários setores. Exportadores sul-americanos ganham acesso facilitado ao mercado europeu. Do lado europeu, indústrias esperam ampliar vendas para a América do Sul.
França lidera oposição ao lado de Varsóvia
O presidente francês Emmanuel Macron classificou como má surpresa a aceleração da aplicação provisória. Paris expressa temor por impactos negativos no agronegócio nacional.
Agricultores europeus realizam protestos há meses contra o acordo. Eles argumentam que a concorrência pode comprometer a viabilidade de produções locais. Ambientalistas também questionam os efeitos sobre padrões de sustentabilidade.
Por outro lado, Alemanha e Espanha defendem o tratado. Esses países enxergam oportunidades de exportação e redução da dependência de fornecedores asiáticos. O acesso a minerais estratégicos entra na lista de benefícios citados por defensores.
Parlamento Europeu já havia remetido o caso ao tribunal
Em janeiro, o Parlamento Europeu votou pelo encaminhamento do acordo ao Tribunal de Justiça da União Europeia. A iniciativa avalia a compatibilidade do texto com os tratados europeus.
A votação foi apertada. Grupos políticos de diferentes orientações apoiaram a medida. O processo pode suspender a ratificação plena até a decisão final dos juízes.
Especialistas estimam que o julgamento pode levar até dois anos. Enquanto isso, a aplicação provisória segue adiante nos aspectos comerciais.
O acordo prevê a criação de uma das maiores zonas de livre comércio do mundo. Ele abrange cerca de 25% do PIB global ao conectar União Europeia e Mercosul.
Repercussão no Mercosul e próximos passos
Países do bloco sul-americano acompanham os desdobramentos com atenção. O Brasil já promulgou o decreto legislativo que aprova o tratado internamente.
Autoridades brasileiras expressam confiança na superação das resistências. Elas destacam o potencial de aumento no comércio bilateral.
O tratado inclui capítulos sobre investimentos, serviços e cooperação em diversas áreas. Reduções tarifárias ocorrem de forma gradual ao longo dos anos.
- Conclusão dos trâmites internos pelo Brasil
- Notificação formal aos depositários do acordo
- Início da aplicação provisória em 1º de maio
- Manutenção de salvaguardas para setores sensíveis
- Possibilidade de revisão judicial pelo TJUE
O recurso polonês adiciona mais uma camada de incerteza. Ainda assim, o avanço provisório segue o cronograma definido pela Comissão Europeia.

