Colombiana descobre que gêmeos têm pais diferentes em caso raro de superfecundação

Mulher grávida, gravidez

Mulher grávida, gravidez - Natalia Kuzina/ Istockphoto.com

Uma mulher na Colômbia procurou um laboratório para exame de paternidade de seus gêmeos. O resultado mostrou que os meninos tinham pais biológicos diferentes. O caso, analisado pela Universidade Nacional da Colômbia, foi divulgado neste mês de abril.

Cientistas repetiram os testes para confirmar o diagnóstico. Trata-se de superfecundação heteroparental, quando dois óvulos do mesmo ciclo menstrual são fecundados por espermatozoides de homens distintos. O fenômeno é considerado extremamente raro.

Exame de rotina levou à descoberta

A mãe buscou o laboratório dois anos após o nascimento dos gêmeos. O objetivo era confirmar a paternidade de um dos supostos pais. A análise genética, no entanto, indicou incompatibilidade em um dos meninos.

Pesquisadores do Laboratório de Genética de Populações e Identificação repetiram todo o procedimento. O resultado se manteve idêntico. Apenas um dos gêmeos apresentava compatibilidade genética com o homem testado. O outro tinha perfil completamente distinto.

Técnica de marcadores microssatélites confirmou o caso

Os cientistas utilizaram análise de 17 marcadores microssatélites, trechos do DNA que funcionam como impressões digitais genéticas. Amostras de sangue da mãe, dos gêmeos e do suposto pai foram coletadas.

Em laboratório, o DNA foi isolado, amplificado e marcado com substâncias fluorescentes. Equipamentos identificaram os padrões genéticos. Os resultados mostraram compatibilidade total em um gêmeo e exclusão no outro.

  • Coleta de amostras de sangue da mãe e das crianças
  • Isolamento e amplificação do DNA
  • Análise de 17 marcadores microssatélites
  • Comparação com o material do suposto pai
  • Repetição completa do exame para validação

Diretor do laboratório relata surpresa

William Usaquén, diretor do laboratório há 26 anos, afirmou que este foi o primeiro caso presenciado pela equipe. A geneticista Andrea Casas, que participou da análise, disse que a possibilidade teórica era conhecida, mas nunca havia sido confirmada em contato direto.

Os pesquisadores destacaram que testes de paternidade seguem rigorosos protocolos de privacidade. Nenhum detalhe da vida pessoal da mãe foi investigado além do necessário para a análise genética.

Fatores que tornam o fenômeno raro

Para ocorrer superfecundação heteroparental, a mulher precisa liberar mais de um óvulo no mesmo ciclo menstrual. Além disso, é necessário ter relações com parceiros diferentes dentro da janela fértil.

Os óvulos permanecem viáveis por 24 a 48 horas. Espermas podem sobreviver até 72 horas no organismo feminino. Essa combinação de eventos simultâneos é considerada improvável.

Muitos casos podem passar despercebidos, já que testes de paternidade não são rotina. A estimativa é de um caso a cada 13 mil nascimentos, embora o número possa ser maior com o avanço dos exames genéticos.

Médicos explicam o mecanismo biológico

A obstetra Daniela Maeyama, da Maternidade São Luiz Star, explicou que a liberação de múltiplos óvulos no mesmo ciclo é possível, embora incomum. Cada óvulo pode ser fecundado por espermatozoide de parceiro diferente se as relações ocorrerem na janela fértil.

Especialistas lembram que gêmeos fraternos resultam de óvulos distintos. No caso de pais diferentes, os bebês são geneticamente meios-irmãos. O fenômeno ocorre em humanos, mas com frequência muito baixa na literatura científica.

Avanços em genética revelam situações antes desconhecidas

O episódio colombiano ilustra como técnicas modernas de DNA permitem identificar eventos biológicos raros. Casos semelhantes foram relatados em outros países, mas sempre em número reduzido.

Cientistas reforçam que a descoberta não altera o vínculo familiar. O foco permanece na análise técnica. O estudo foi publicado e analisado por equipes da Universidade Nacional da Colômbia.