Refinarias indianas pagam petróleo iraniano em yuan via ICICI Bank sob isenção dos EUA

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Refinarias indianas liquidam pagamentos por cargas de petróleo iraniano usando yuan chinês. A operação acontece por meio do ICICI Bank, com recursos enviados pela filial em Xangai para contas dos vendedores. Quatro fontes com conhecimento direto do assunto confirmaram o arranjo. As compras foram realizadas sob uma isenção temporária de sanções concedida pelos Estados Unidos.

O ICICI Bank, com sede em Mumbai, encaminha os fundos em yuan para concluir as transações. A Indian Oil Corp, maior refinaria estatal da Índia, adquiriu dois milhões de barris de petróleo iraniano transportados pelo navio Jaya. O volume, avaliado em cerca de 200 milhões de dólares, representa a primeira importação de óleo iraniano pela Índia em sete anos. A Reliance Industries recebeu permissão para atracar quatro navios carregados com petróleo iraniano, e pelo menos um deles, o MT Felicity, já descarregou a carga.

As refinarias indianas enfrentaram dificuldades históricas para organizar pagamentos devido às sanções impostas ao Irã desde 2019. Algumas compradoras potenciais desistiram de cargas exatamente por causa dessas complicações financeiras. A Índia recorreu ao yuan em transações de petróleo russo desde 2022, quando ampliou as compras após o início do conflito na Ucrânia. O mesmo mecanismo agora se aplica ao óleo iraniano.

A isenção americana de 30 dias permitiu a aquisição de petróleo russo e iraniano carregado no mar. O objetivo inicial era aliviar a pressão sobre os preços globais em meio ao conflito no Oriente Médio. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, declarou na quarta-feira que Washington não renovará as isenções. A exceção para o petróleo iraniano expira neste domingo.

Detalhes dos pagamentos e volumes processados

A Indian Oil Corp pagou cerca de 95% do valor da carga contra o aviso de prontidão do fornecedor. Esse aviso indica que o navio carregado entrou em águas indianas. Fontes descreveram o pagamento antecipado como um arranjo incomum para óleo de países sancionados. Normalmente, as refinarias estatais indianas liquidam as contas ao receber ou descarregar o produto.

A Reliance Industries também processa os pagamentos pelo mesmo canal do ICICI Bank. Detalhes sobre a identidade exata dos vendedores iranianos não foram divulgados publicamente. Nem o ICICI Bank, nem a Indian Oil Corp, nem a Reliance Industries responderam a pedidos de comentário enviados por e-mail. O Ministério das Relações Exteriores da Índia também não se manifestou sobre o tema.

A Indian Oil Corp não planeja realizar novas compras de petróleo iraniano após esta operação, de acordo com uma das fontes consultadas. A Reliance Industries já concluiu o descarregamento de pelo menos uma carga. Dados de rastreamento de navios confirmam a movimentação tanto do Jaya quanto do MT Felicity em portos indianos.

Perfuração de petróleo, sobreposição da bandeira nacional do Irã – Sunshine Seeds/shutterstock.com

Contexto de afastamento e retomada das importações

A Índia evitou importar petróleo iraniano desde 2019 por causa da pressão das sanções americanas. Durante esse período, refinarias independentes chinesas, conhecidas como teapots, se tornaram as principais compradoras do óleo iraniano no mercado internacional. A isenção temporária abriu espaço para o retorno limitado de volumes para a Índia após sete anos de interrupção.

O Ministério do Petróleo da Índia informou que as refinarias garantiram suprimentos de mais de 40 países diferentes, incluindo o Irã, para enfrentar interrupções nas rotas de fornecimento. O país mantém flexibilidade comercial para escolher fontes com base em critérios econômicos e de disponibilidade. A retomada ocorreu em meio a tensões que afetaram o transporte pelo Estreito de Ormuz.

Mecanismo de yuan e paralelo com petróleo russo

A Índia figura entre os maiores compradores de petróleo russo desde a invasão da Ucrânia em 2022. O país adotou moedas alternativas, como o yuan, para liquidar parte dessas transações e contornar restrições financeiras. O arranjo para o petróleo iraniano segue o mesmo padrão de diversificação de moedas.

Dificuldades de pagamento continuaram a limitar o interesse em cargas iranianas mesmo com a isenção temporária em vigor. Traders relataram que o problema financeiro afastou alguns compradores em potencial. A solução via ICICI Bank e yuan representa uma alternativa prática para completar as operações dentro das restrições atuais.

  • Indian Oil Corp comprou dois milhões de barris de petróleo iraniano pelo navio Jaya
  • Reliance Industries obteve permissão para atracar quatro navios com óleo iraniano
  • Um dos navios da Reliance, o MT Felicity, já descarregou a carga
  • Pagamentos são feitos em yuan pela filial do ICICI Bank em Xangai
  • Indian Oil Corp pagou cerca de 95% do valor contra aviso de prontidão
  • Isenção americana de 30 dias para compras no mar expira neste domingo

Desafios logísticos e de sanções no setor de energia

O uso do yuan reforça a tendência global de diversificação de moedas em transações de energia afetadas por sanções internacionais. A Índia importa petróleo de diversas origens para manter o suprimento interno estável e atender à demanda crescente do país. O petróleo iraniano chega em volumes limitados e sob condições específicas de segurança e pagamento.

As refinarias indianas processam esses pagamentos sem depender do sistema SWIFT tradicional. O arranjo via ICICI Bank permite concluir as operações de forma eficiente apesar das restrições vigentes. Nenhuma autoridade oficial alterou os fatos reportados até o momento.

A cobertura de navios mais antigos ou listados em listas de sanções exigiu autorizações caso a caso das autoridades indianas. O foco principal permanece na garantia de suprimento energético confiável para a economia indiana. Fontes indicam que as compras atuais são pontuais e não sinalizam retomada plena do comércio com o Irã.

Perspectiva após o fim da isenção temporária

A expiração da isenção neste domingo encerra o período de tolerância concedido por Washington. A Indian Oil Corp sinalizou que não pretende repetir as compras de petróleo iraniano no curto prazo. A Reliance Industries concluiu parte das operações autorizadas, mas o volume total permanece modesto em comparação com as importações totais do país.

A Índia continua a diversificar fontes de petróleo para mitigar riscos geopolíticos. Compras de mais de 40 países diferentes garantem flexibilidade ao setor de refino. O mecanismo de pagamento em yuan demonstra adaptação prática às condições de mercado atuais.

O petróleo iraniano representou uma opção adicional durante o período de disrupções no Estreito de Ormuz. Com o fim da isenção, as refinarias indianas voltam a priorizar outras origens mais estáveis em termos de logística e finanças. O episódio destaca os desafios persistentes para transações com nações sob sanções amplas.