A Justiça Federal em Santos determinou a prisão preventiva de figuras públicas conhecidas, incluindo os cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além de Raphael Sousa Oliveira, responsável pela página Choquei. A decisão da 5ª Vara ocorreu na tarde desta quinta-feira, logo após a Polícia Federal apresentar novos elementos probatórios. O grupo é investigado por suposta participação em um esquema financeiro complexo. As autoridades apontam indícios de lavagem de dinheiro e outras atividades ilícitas em larga escala. A medida judicial reverte um cenário de soltura iminente que havia sido estabelecido por instâncias superiores. O aprofundamento das apurações revelou a necessidade de manter os suspeitos detidos para preservar a integridade do processo.
Decisão judicial bloqueia soltura concedida por tribunal superior
A conversão das prisões temporárias em preventivas aconteceu em um momento de reviravolta jurídica. Anteriormente, o Superior Tribunal de Justiça havia concedido um habeas corpus que beneficiava os alvos da operação. O ministro Messod Azulay Neto avaliou que o prazo da prisão temporária estava esgotado. A Polícia Federal tinha solicitado inicialmente apenas cinco dias de detenção. Com o fim desse período, a soltura temporária parecia garantida. No entanto, os investigadores compilaram novas provas apreendidas durante as buscas. O material analisado serviu de base para um novo pedido de encarceramento.
O argumento central da corporação baseou-se na garantia da ordem pública. Os agentes federais destacaram o volume expressivo de capital movimentado pela organização. Havia um temor real de que os investigados pudessem interferir no andamento do caso. A destruição de documentos e o alinhamento de depoimentos falsos foram citados como riscos iminentes. A esposa de MC Ryan SP chegou a ser vista emocionada na porta do centro de detenção em São Paulo antes da nova ordem judicial. A prisão preventiva, diferente da temporária, não tem prazo fixo para terminar. Ela vigora enquanto os riscos apontados pelo juiz permanecerem ativos.
Rastreamento de dados revelou esquema bilionário de lavagem
Todo o escopo da Operação Narco Fluxo nasceu da análise minuciosa de dados digitais. Os peritos acessaram arquivos armazenados em um serviço de nuvem pertencente ao contador Rodrigo de Paula Morgado. Essas informações primárias surgiram durante os desdobramentos de ações anteriores da polícia. As operações Narco Bet e Narco Vela, deflagradas no ano de 2025, forneceram o fio da meada. O cruzamento de dados revelou uma engrenagem financeira altamente sofisticada. O grupo criminoso teria movimentado cifras que ultrapassam a marca de R$ 1,6 bilhão.
A lavagem desse capital supostamente ocorria por meio de plataformas de apostas ilegais e sorteios clandestinos na internet. As investigações também apontam uma conexão direta com o tráfico internacional de entorpecentes. Para ocultar a origem do dinheiro, a quadrilha utilizava uma rede de empresas de fachada. Pessoas físicas atuavam como laranjas para pulverizar os valores. O uso de criptomoedas e a realização de remessas internacionais dificultavam o rastreamento por parte do conselho de controle financeiro. A estrutura desmantelada exigia conhecimentos técnicos avançados em contabilidade e mercado de capitais.
Relação de alvos inclui operadores financeiros e influenciadores
O novo despacho do judiciário atingiu dezenas de pessoas mapeadas no inquérito. Ao todo, 36 suspeitos tiveram a situação convertida para prisão preventiva. O juiz também determinou a prisão domiciliar para outros três indivíduos envolvidos no esquema. A rede desarticulada era composta por diferentes núcleos de atuação. Influenciadores digitais usavam sua popularidade para atrair vítimas, enquanto contadores estruturavam a blindagem patrimonial. A interrupção dessa cadeia foi considerada vital para estancar o fluxo de capital ilícito.
A lista de investigados que permanecem detidos abrange os principais articuladores do esquema financeiro. A corporação detalhou o papel de cada integrante na organização. Abaixo estão os nomes que tiveram a prisão preventiva ou domiciliar decretada pela Justiça Federal:
- Rodrigo de Paula Morgado: apontado como contador e operador financeiro central.
- Ryan Santana dos Santos: o MC Ryan SP, tido como líder e beneficiário.
- Tiago de Oliveira: gestor financeiro e braço-direito do cantor.
- Alexandre Paula de Sousa Santos: conhecido pelos apelidos Belga ou Xandex.
- Raphael Sousa Oliveira: criador da página Choquei e operador de mídia.
- Arlindma Gomes dos Santos: identificada pelo vulgo Nene Gomes.
- Mauro Jube de Assunção: atuava no núcleo contábil da organização.
- Xizhangpeng Hao: controlador da empresa Golden Cat.
- Fernando de Sousa: cumprirá a medida em prisão domiciliar.
- Débora Vitória Paixão Ramos: prisão domiciliar decretada.
- Estefany Pereira da Silva: prisão domiciliar decretada.
- Lucas Felipe Silva Martins: prisão preventiva.
- Sydney Wendemacher Junior: prisão preventiva.
- Marlon Brendon Coelho Couto da Silva: prisão preventiva.
- Diogo Santos de Almeida: prisão preventiva.
- Vinicius dos Reis Pitarelli: prisão preventiva.
- Rodrigo Inacio de Lima Oliveira: prisão preventiva.
- Luis Carlos Custodio: prisão preventiva.
- Jose Ricardo dos Santos Junior: prisão preventiva.
- Ellyton Rodrigues Feitosa: prisão preventiva.
- Caroline Alves dos Santos: prisão preventiva.
- Mateus Eduardo Magrini Santana: prisão preventiva.
- Henrique Alexandre Barros Viana: prisão preventiva.
- Chrystian Mateus Dias Ramos: prisão preventiva.
- Luis Henrique Matos Maia: prisão preventiva.
- Orlando Miguel da Silva: prisão preventiva.
- Sun Chunyang: prisão preventiva.
- Sergio Wegner de Vargas: prisão preventiva.
- Thiago Barros Cabral: prisão preventiva.
- Vitor Ferreira da Cruz Junior: prisão preventiva.
- Yuri Camargo Francisco: prisão preventiva.
- Leticia Feller Pereira: prisão preventiva.
- Alex Lima da Fonseca: prisão preventiva.
- Jiawei Lin: prisão preventiva.
- Thadeu José Chagas Silveira: prisão preventiva.
- Renan Costa da Mota: prisão preventiva.
- Marcus Vinicius Rodrigues de Assis: prisão preventiva.
- Guilherme Ricardo Fuhr: prisão preventiva.
- Jonatas Cleiton de Almeida Santos: prisão preventiva.
Advogados preparam recursos e apontam falhas na decisão
As equipes de defesa reagiram imediatamente à nova ordem de encarceramento. O advogado Felipe Cassimiro, representante de MC Ryan SP, classificou o pedido policial como fora do prazo adequado. A defesa argumenta que os requisitos para a prisão preventiva deveriam ter sido apresentados no início do processo. Em nota oficial, o criminalista afirmou que a soltura anterior reconhecia a ilegalidade das detenções. Ele sustenta que a manutenção da custódia fere os princípios do devido processo legal. A equipe jurídica do funkeiro promete levar o caso novamente aos tribunais superiores.
O posicionamento foi semelhante por parte dos representantes de MC Poze do Rodo. O advogado Fernando Henrique Cardoso Neves declarou que o inquérito não trouxe fatos novos. Sem elementos inéditos, a manutenção da medida cautelar extrema seria injustificável. A defesa critica a forma como o processo está sendo conduzido desde a fase de buscas. O objetivo agora é demonstrar que o cantor não representa risco à ordem pública ou ao andamento das investigações.
A situação de Raphael Sousa Oliveira também gerou forte contestação jurídica. O advogado Pedro Paulo de Medeiros informou que acionará o Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Se necessário, os recursos chegarão ao Supremo Tribunal Federal. A principal queixa reside na falta de individualização das condutas. O magistrado não teria citado o nome do dono da página Choquei nos fundamentos da decisão. A defesa alega que a restrição de liberdade exige motivação concreta e específica para cada indivíduo, algo que consideram ausente no documento assinado pela Justiça Federal.