Mark Cuban afirma que os tempos de apoio a Kamala Harris já passaram

Mark Cuban - @mcuban

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O investidor bilionário Mark Cuban disse que não quer ver Kamala Harris concorrer novamente à presidência dos Estados Unidos em 2028. A declaração veio durante a Cúpula de Saúde da Politico, realizada na terça-feira em Washington. Cuban foi um dos principais apoiadores da ex-vice-presidente na campanha de 2024.

Ele respondeu de forma direta quando perguntado se gostaria de uma nova candidatura dela. “Não”, afirmou Cuban. Ao ser questionado sobre a mensagem dela na área de saúde durante a breve campanha presidencial de 2024, o empresário completou: “Não me lembro, não me importo”.

“Esses tempos já passaram”, disse ele em seguida. Cuban deixou claro que não pretende promover nenhum candidato específico para o próximo ciclo eleitoral agora. Seu foco atual está em outro tema.

Cuban prioriza mudanças no sistema de saúde

Mark Cuban participa como sócio minoritário do Dallas Mavericks e é conhecido também por sua passagem no programa Shark Tank. Na cúpula, ele repetiu várias vezes que o sistema de saúde americano vive um momento caótico. Reformar esse setor é a prioridade dele no momento.

O bilionário cofundou a Cost Plus Drugs, farmácia online que vende remédios com margens reduzidas e sem intermediários tradicionais. Ele criticou a consolidação excessiva no setor. Cuban defendeu a aprovação de legislação que obriga grandes empresas a se desfazer de ativos não relacionados ao seguro saúde.

  • O projeto de lei dos senadores Josh Hawley e Elizabeth Warren busca reduzir o poder das grandes companhias.
  • Cuban mencionou ter ouvido que cinco ou seis democratas querem apoiar a medida.
  • Ele cobra o mesmo número de coautores republicanos para avançar.
  • O empresário disse que há “muitos covardes” no Capitólio que evitam confrontar o tema.

Segundo Cuban, enquanto as empresas não forem desmembradas, elas continuarão a controlar os planos de saúde dos americanos. Ele pediu ação direta da Federal Trade Commission. “FTC, faça seu trabalho”, declarou.

Ex-apoiador elogia ações do governo atual na saúde

Cuban comentou também os esforços recentes para reduzir preços de medicamentos. Ele observou que fabricantes de remédios de marca estão mais preocupados com o poder das administradoras de benefícios farmacêuticos, conhecidas como PBMs, do que com outras iniciativas.

Essas empresas negociam preços em nome de seguradoras e grandes corporações. Cuban comparou o impacto de mudanças nos planos de saúde ao de tarifas elevadas. Segundo ele, empurrar pacientes para níveis de coparticipação mais altos pode ser “fatal” para empresas menores.

O bilionário elogiou ações do governo Trump na área de saúde. Ele citou esforços para facilitar testes de novos remédios e reduzir custos. Cuban disse que estaria aberto a apoiar um republicano que compartilhasse seus objetivos de reforma no setor.

Kamala Devi Harris – Foto: Instagram

Harris sinaliza interesse em 2028

No início deste mês, Kamala Harris indicou que considera disputar a presidência novamente. Ela falou durante evento da National Action Network, em Nova York, ao lado do reverendo Al Sharpton. “Olha, talvez sim, talvez sim. Estou pensando nisso”, afirmou na ocasião.

A declaração gerou especulações sobre o futuro dela no Partido Democrata. Cuban, que atuou como um dos principais defensores dela em 2024, agora segue outro caminho. Ele descartou a possibilidade de ser ele próprio candidato independente. “Mas não serei eu”, completou.

Ainda assim, o empresário acredita que um candidato independente com foco em acessibilidade aos cuidados de saúde poderia ter bom desempenho. Seu discurso na cúpula reforçou a visão de que o debate sobre 2028 ainda está distante. “Temos tempo até lá”, disse ele.

Críticas às PBMs e defesa da concorrência

Durante a participação, Cuban voltou a atacar o modelo das administradoras de benefícios farmacêuticos. Ele argumentou que elas exercem influência excessiva sobre a precificação de medicamentos. Fabricantes estariam mais receosos com esse poder do que com outras pressões regulatórias.

Brendan Buck, da Pharmaceutical Care Management Association, rebateu as declarações. Ele classificou as críticas como incorretas do ponto de vista factual e acusou Cuban de promover a própria empresa. Cuban manteve a posição de que a consolidação prejudica pacientes e concorrência.

O tema da saúde dominou a conversa. O bilionário evitou entrar em detalhes sobre preferências eleitorais futuras. Seu recado principal foi que o apoio a Harris pertence ao passado.

A Cúpula de Saúde da Politico reuniu figuras do setor para discutir desafios atuais. Cuban usou o espaço para reforçar sua agenda de redução de custos e maior transparência. Ele citou a necessidade de desmantelar conglomerados que, na visão dele, dominam o mercado.

O debate sobre o futuro político de Harris continua aberto entre democratas. A ex-vice-presidente ainda não definiu passos concretos para 2028. Cuban, por sua vez, sinalizou que vai manter o foco em iniciativas privadas e pressão por reformas no Congresso.