A Argentina lidera disparado o ranking de países mais endividados com o Fundo Monetário Internacional. O país sulamericano acumula cerca de 41,8 bilhões de SDR (Direitos Especiais de Saque), o equivalente entre US$ 57 bilhões e US$ 60 bilhões. Sozinha, concentra quase 35% de todo o crédito outstanding do FMI no mundo.
Para dimensionar a disparidade: a Argentina deve mais que vários dos próximos colocados somados. Aparecem depois dela a Ucrânia com 10,7 bilhões de SDR, o Egito com 7,4 bilhões e o Paquistão com 7,2 bilhões.
A posição argentina e o resto do mundo
O total global de crédito outstanding do fundo gira em torno de 120,7 bilhões de SDR. Países que enfrentam guerras, crises cambiais ou dificuldades severas para pagar contas externas dominam a lista dos maiores devedores.
Os principais devedores do FMI incluem:
- Argentina — 41,8 bilhões de SDR
- Ucrânia — 10,7 bilhões de SDR
- Egito — 7,4 bilhões de SDR
- Paquistão — 7,2 bilhões de SDR
- Equador — 7,2 bilhões de SDR
Subsequentemente vêm Costa do Marfim, Angola, Bangladesh, Gana e Quênia. Todos esses países têm dificuldades estruturais para acessar crédito internacional no mercado aberto. O Fundo atua como emprestador de última instância para nações em crise cambial, com falta de dólares ou risco de calote externo. Aparecer muito alto nessa lista geralmente sinaliza fragilidade econômica aguda.
Ser devedor do FMI não é sinônimo de maior endividamento
A imprensa e analistas frequentemente confundem dois conceitos distintos. Esse ranking mostra quem mais deve ao FMI especificamente, e não quem tem a maior dívida pública total do planeta.
Japão, Estados Unidos, Itália e Brasil têm dívidas públicas colossais. Mas financiam principalmente no mercado interno, através de emissão de títulos e bancos locais, e não com empréstimos do Fundo. Os credores são instituições domésticas, não organismos internacionais de emergência.
A relação com o FMI revela algo diferente: a incapacidade de um país de acessar mercados tradicionais de crédito externo. Significa que credores convencionais não confiam o suficiente para emprestar. O Fundo entra quando não há alternativa.
Por que a Argentina deve tanto?
A relação entre Argentina e FMI é antiga e turbulenta. O país fechou mais de 20 acordos com o Fundo desde os anos 1950 e vive um ciclo repetido. Crise econômica, inflação alta, desvalorização do peso e necessidade de novos empréstimos se sucedem como padrão.
O grande salto ocorreu em 2018, durante o governo de Mauricio Macri. O FMI aprovou o maior empréstimo de sua história até então: US$ 57 bilhões. O programa tinha como objetivo conter fuga de capitais e estabilizar a economia. Saiu do controle.
Em 2022, um novo acordo refinanciou essa dívida antiga. Depois, em 2025, já sob Javier Milei, o país fechou outro programa de US$ 20 bilhões. Destinou-se principalmente a rolar parcelas anteriores e dar fôlego ao ajuste fiscal que o governo implementa. Na prática, a Argentina pega dinheiro novo para pagar dívida velha — um mecanismo de adiamento, não de resolução.
Brasil quitou sua dívida há duas décadas
O Brasil não aparece no ranking dos devedores do FMI. Isso porque quitou praticamente toda sua dívida com o Fundo em 2005, durante o primeiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na época, o país pagou antecipadamente cerca de US$ 15 bilhões e encerrou um ciclo histórico de dependência da instituição. Desde então, acumulou reservas internacionais robustas, geralmente acima de US$ 350 bilhões, e passou a depender muito menos de financiamento externo emergencial.
O Brasil tem problema fiscal, mas está concentrado na dívida pública interna. Financia-se principalmente em reais e dentro do próprio mercado nacional. Bancos, investidores institucionais e pessoa física compram títulos do governo em moeda local. É estrutura completamente diferente da argentina.

