A Cinemark Holdings apresentou os resultados do primeiro trimestre de 2026 nesta sexta-feira. A empresa superou as estimativas dos analistas com receita total de US$ 643,1 milhões. O desempenho marcou o trimestre mais forte desde o início da pandemia.
O EBITDA ajustado atingiu US$ 88 milhões, salto de 143% em relação ao mesmo período de 2025. A rede também reduziu o prejuízo líquido de forma significativa. Esses números refletem a recuperação sustentada da frequência de público e a estratégia de valor agregado nas salas.
Formatos premium impulsionam receita de ingressos
A receita de formatos aprimorados como XD e D-BOX cresceu mais de 35% em comparação com os níveis do primeiro trimestre de 2019. As telas premium de grande formato representaram 13% da receita mundial de admissões, alta de 200 pontos-base ante o ano anterior.
A empresa adicionou 86 auditórios D-BOX no trimestre. O total passou de 630 salas, o que corresponde a mais de 40% dos cinemas globais. Essa expansão reforça a oferta diferenciada para o público que busca experiência imersiva.
- Telas XD em operação superam 300 unidades nos Estados Unidos e América Latina
- Penetração de poltronas reclináveis atinge cerca de 72% dos auditórios nos EUA
- Ofertas de alimentos e bebidas expandidas em 80% do circuito americano
O investimento contínuo em qualidade de ativos ajudou a manter alta taxa de ocupação e satisfação. A tecnologia de projeção registrou 99,97% de tempo de funcionamento das telas.
Concessões batem recorde per capita
Os gastos médios com alimentos e bebidas nos Estados Unidos chegaram a US$ 8,58 por pessoa, o maior patamar histórico para um primeiro trimestre. No mercado internacional, o indicador subiu 12,8% na comparação anual. Iniciativas como o programa “Traga Seu Próprio Balde” e mercadorias temáticas contribuíram para o resultado.
A Cinemark recebeu 39 milhões de espectadores em 14 países no período. Nos Estados Unidos, foram 24 milhões de frequentadores, alta de 17%. A recuperação da bilheteria doméstica atingiu 92% dos níveis de 2019 em base móvel de 12 meses, acima da média da indústria norte-americana.
Ganhos de participação de mercado
A Cinemark ampliou sua fatia no mercado doméstico para 15,1%, ante 13,3% em 2019. Nos Estados Unidos, a empresa ocupa a terceira posição em número de telas, com 4.219 salas em 301 cinemas. Ela lidera ou fica em segundo lugar em bilheteria em 21 dos 25 principais mercados.
Na América Latina, a participação subiu para 24,6%. Destaques incluem Argentina com 40%, Chile com 37% e Brasil com 23%. A rede opera 194 cinemas e 1.401 telas na região, presente nas principais cidades metropolitanas.
O programa de fidelidade Movie Rewards conta com mais de 27 milhões de membros. O Movie Club premium ultrapassou 1,45 milhão de assinantes e respondeu por 30% da receita de admissões domésticas no trimestre. Membros Platinum chegam a mais de 115 mil.
Balanço patrimonial permite flexibilidade
A companhia encerrou o período com US$ 262 milhões em caixa e dívida bruta de US$ 1,9 bilhão. O índice de alavancagem líquida ficou em 2,6 vezes, dentro da faixa-alvo de 2 a 3 vezes. Quase 90% da dívida tem taxas fixas, com vencimentos mais próximos só a partir de 2028.
A alocação de capital prioriza manutenção do balanço, investimentos de alto retorno e distribuição a acionistas. O dividendo anual é de US$ 0,36 por ação. Restam US$ 225 milhões no programa de recompra autorizado em US$ 300 milhões.
Pipeline de filmes sustenta otimismo
O calendário de 2026 inclui lançamentos como Toy Story 5, Mandalorian Grogu, Spider-Man: Brand New Day e Avengers: Doomsday. Conteúdo alternativo respondeu por 17% da bilheteria global no trimestre. A diversificação reduz dependência de blockbusters tradicionais.
A empresa mantém investimentos anuais de US$ 80 a 100 milhões em manutenção de ativos. No trimestre, destinou recursos para upgrades de projetores e melhorias de conforto. Esses movimentos posicionam a rede para capturar o crescimento esperado da indústria.

