Montoya quer que Red Bull cancele participação de Verstappen em corridas fora da F1

Max Verstappen

Max Verstappen - Motorsport Photography F1/ shutterstock.com

A morte de um piloto nas provas classificatórias das 24 Horas de Nurburgring reavivou a polêmica sobre a participação de Max Verstappen em competições fora da Fórmula 1. O ex-piloto Juan Pablo Montoya disparou críticas diretas à Red Bull, afirmando que a escuderia deveria impedir o tetracampeão mundial de competir em categorias diferentes.

Juha Miettinen, piloto finlandês de 66 anos, morreu após sofrer uma batida gravíssima que envolveu múltiplos carros na primeira sessão classificatória de Nordschleife. O acidente resultou no cancelamento imediato da prova. O incidente reacendeu discussões sobre os riscos enfrentados por pilotos de alto desempenho quando se dedicam a outras modalidades.

Montoya não poupa palavras contra Verstappen no GT3

Em participação no podcast MontoyAS, o colombiano foi categórico ao ser questionado se a Red Bull deveria proibir Verstappen de correr fora da F1. “100 por cento. Não, desculpe, 200 por cento”, respondeu sem hesitar. A ênfase deixou claro o grau de convicção de Montoya sobre o assunto.

O ex-piloto argumentou que qualquer acidente poderia resultar em lesões graves. “Pode acontecer um acidente, ele pode quebrar a perna ou o braço”, alertou Montoya, lembrando que o risco é real em competições de resistência como as 24 horas. A preocupação não é sem fundamento: pilotos de destaque correm o risco de ficarem indisponíveis para seus compromissos principais na F1.

Investimento da escuderia em risco

Montoya também levantou a questão financeira. Segundo ele, o volume de recursos que a Red Bull investiu em Verstappen deveria ser motivo suficiente para que a equipe reavaliasse a liberação. “O dinheiro que a Red Bull investiu nele deveria ser motivo suficiente para dizer: ‘Olha, nós te demos a chance, mas com esse acidente estamos reconsiderando e achamos que isso não deveria acontecer'”, afirmou.

O investimento de uma equipe de F1 em seu piloto principal envolve cifras astronômicas. Desde desenvolvimento físico e psicológico até tecnologia e infraestrutura dedicada, representa um patrimônio que qualquer competição fora da F1 poderia colocar em risco. Para Montoya, proteger esse ativo deveria ser prioridade.

A posição pessoal de Montoya

Se estivesse no lugar de Christian Horner, chefe da Red Bull, Montoya não hesitaria em agir. “Pessoalmente, eu teria feito isso se fosse o chefe da Red Bull. Eu teria ligado para o Max e dito: ‘Senhor, por favor, não entre mais no carro'”, revelou o colombiano. A declaração mostra que, para ele, a decisão seria rápida e direta.

Montoya encerrou sua crítica pedindo para que a Red Bull repense sua política com urgência. “É algo que acho que eles realmente precisam reconsiderar”, concluiu. Suas palavras refletem um debate crescente no mundo do automobilismo: até que ponto pilotos de topo podem se expor a riscos em competições secundárias.

Contexto das 24 Horas de Nurburgring

Verstappen vinha participando ativamente do circuito de GT3 como parte de sua rotina competitiva fora da F1. As 24 Horas de Nurburgring é uma das provas mais desafiadoras do calendário de resistência europeu. A competição combina velocidade extrema, resistência física e navegação por uma pista técnica de longa duração, criando um ambiente de alto risco.

A morte de Miettinen, embora trágica, serviu como lembrete dos perigos inerentes ao esporte motorizado. Mesmo pilotos experientes enfrentam riscos reais em corridas de resistência, onde a fadiga, as condições climáticas variáveis e a densidade do grid aumentam exponencialmente as chances de incidentes graves.

Possível repercussão na Red Bull

Até o momento, a Red Bull não se manifestou sobre as declarações de Montoya. É esperado que o tema seja discutido internamente pela equipe, especialmente considerando a repercussão que ganhou nas redes sociais e na mídia especializada. A escuderia costuma ser cautelosa com a saúde e disponibilidade de seus pilotos principais.

A questão agora é se a morte de Miettinen e as críticas de Montoya serão suficientes para mudar a política da Red Bull em relação à participação de Verstappen em outras categorias. O debate entre liberdade individual do piloto e responsabilidade corporativa da equipe permanece aberto no paddock da F1.