Automobilismo

GP de Miami marca retorno da Fórmula 1 com novas regras de energia e mudanças no treino

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Foto: gp de miami - Foto: YES Market Media / Shutterstock.com

A Fórmula 1 retoma as atividades do Mundial 2026 neste fim de semana após uma interrupção atípica no calendário. O cancelamento das etapas do Bahrein e da Arábia Saudita em abril forçou um mês de hiato, fazendo do GP de Miami o ponto de reencontro do grid. A prova na Flórida, quarta etapa da temporada, carrega a responsabilidade de testar soluções técnicas desenvolvidas para sanar falhas críticas apontadas pelos pilotos nas primeiras corridas do ano.

O período de inatividade não foi silencioso nos bastidores da categoria máxima. Pressões por segurança e competitividade resultaram em uma reforma nos protocolos de recuperação de energia das novas unidades de potência. Além das questões técnicas, o paddock desembarca nos Estados Unidos com novidades em cargos diretivos e atualizações em regulamentos desportivos imediatos. O foco central recai sobre o fenômeno do “superclipping”, que gerou instabilidade nos carros e reclamações formais dos competidores.

Ajustes no sistema elétrico e combate ao superclipping

A direção da categoria promoveu alterações severas no funcionamento das baterias para o GP de Miami. A medida responde diretamente ao acidente de Oliver Bearman no Japão, motivado por dificuldades na gestão da carga elétrica. Agora, haverá uma redução na quantidade de energia recuperada durante as voltas de classificação. Em contrapartida, a potência máxima disponível no sistema de impulsão foi elevada para diminuir o tempo de recarga obrigatória na pista.

Para nivelar o desempenho e garantir a integridade mecânica, novos tetos operacionais foram estabelecidos:

  • Limite de 150 kW para o botão de impulso extra dos pilotos.
  • Restrição do uso do MGU-K apenas para pontos de aceleração efetiva.
  • Implementação de monitoramento automático para veículos com baixa rotação.
  • Limitação compulsória do sistema de recuperação em condições de pista molhada.
  • Ativação emergencial do MGU-K para prevenir colisões em caso de falha na largada.

Cronograma modificado e treinos mais longos na Flórida

A organização do GP de Miami decidiu ampliar o tempo de pista disponível antes da definição do grid. Como os pilotos ficaram trinta dias longe dos monopostos, o treino livre único terá duração de 90 minutos, contra os 60 minutos habituais. Essa extensão é fundamental para que as equipes validem as mudanças de software e os novos parâmetros de energia sob temperaturas elevadas. A modificação causou um efeito cascata no cronograma oficial da sexta-feira.

A classificação para a prova Sprint sofreu um atraso de 30 minutos em relação ao planejamento original. Anteriormente marcada para as 17h30, a sessão agora deve começar às 18h, no horário de Brasília. O ajuste visa garantir que o intervalo entre o fim do treino livre e o início da competição oficial seja suficiente para reparos e análises de telemetria. Max Verstappen, que manteve o ritmo competindo em categorias de turismo durante a pausa, é um dos poucos que chegam com quilometragem recente em competições de alto nível.

Dança das cadeiras e veto a táticas de classificação

A FIA encerrou uma polêmica técnica que envolvia diretamente Mercedes e Red Bull antes da chegada a Miami. Investigações apontaram que ambas as equipes utilizavam um artifício para interromper a descarga do MGU-K em momentos estratégicos. O objetivo era manter a bateria em nível máximo, gerando um ganho temporário de até 100 kW. A partir deste fim de semana, tal manobra está proibida, sendo permitida apenas em situações de pane ou risco iminente de quebra.

No campo administrativo, a Audi, que se prepara para a entrada oficial, anunciou Allan McNish como diretor de corridas. O ex-piloto assume a gestão operacional da equipe que conta com o brasileiro Gabriel Bortoleto. Ele dividirá seu tempo entre as estratégias de pista e a supervisão da academia de jovens talentos da marca alemã. Simultaneamente, a Red Bull reformulou sua engenharia interna após o anúncio da futura saída de Gianpiero Lambiase para a McLaren em 2028. Andrea Landi e Bem Waterhouse assumiram funções de liderança no design e performance para sustentar a competitividade do time austríaco.

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