F1 retorna no GP de Miami com novas regras de energia e mudanças na Audi após pausaPor Thiago Lemos
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O Campeonato Mundial de Fórmula 1 encerra um hiato inesperado de um mês e retoma suas atividades neste fim de semana para o GP de Miami. A prova, válida como a quarta etapa da temporada de 2026, acontece após o cancelamento das etapas do Bahrein e da Arábia Saudita, originalmente previstas para abril. O período de pausa forçada serviu para que a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e as equipes ajustassem pontos críticos do regulamento técnico.
As mudanças focam principalmente na gestão das baterias e na entrega de potência elétrica das novas unidades de potência. Os pilotos manifestaram preocupações sobre a segurança e a dirigibilidade dos carros, o que forçou uma revisão nas normas de recuperação de energia. Miami será o primeiro campo de testes para estas modificações em condições reais de competição.
Last year's #F1Sprint in Miami was over before it began for Charles Leclerc 💔#F1 #MiamiGP pic.twitter.com/yyMQt7BmHN
— Formula 1 (@F1) April 28, 2026
Ajustes no sistema de recuperação de energia e superclipping
A principal alteração técnica anunciada pela FIA envolve o chamado “superclipping”, termo técnico para a fase de corte de energia elétrica no final das retas. Após incidentes como a batida de Oliver Bearman no GP do Japão, a organização decidiu reduzir a recuperação de carga nas sessões de classificação. Em contrapartida, houve um acréscimo na potência máxima disponível para evitar que os carros fiquem vulneráveis enquanto recarregam o sistema elétrico.
As novas diretrizes buscam equilibrar a competição e garantir que a diferença de velocidade entre os veículos não seja excessiva em pontos de aceleração. Para isso, as seguintes medidas foram implementadas:
- Imposição de teto de 150 kW para o botão de impulso extra (push-to-pass).
- Restrição no uso do MGU-K fora dos pontos de aceleração mapeados.
- Instalação de um sistema automático de detecção de baixa aceleração na largada.
- Limitação obrigatória de todo o sistema de recuperação em pistas molhadas.
Programação alterada e treino livre estendido na Flórida
Devido ao longo tempo de inatividade dos pilotos e à necessidade de testar os novos softwares de motor, a organização do GP de Miami modificou o cronograma oficial. O treino livre único, que costuma durar 60 minutos, terá agora uma hora e meia de duração. A medida visa permitir que as escuderias calibrem o funcionamento do MGU-K sob as novas restrições impostas.
O ajuste no treino impactou diretamente as sessões seguintes de sexta-feira. A classificação sprint, originalmente marcada para as 17h30, foi deslocada para as 18h no horário de Brasília. Esse tempo adicional é considerado vital para que os engenheiros analisem os dados de telemetria antes da primeira sessão competitiva do final de semana.
Reestruturação administrativa na Audi e novidades no corpo técnico
Fora das pistas, a movimentação foi intensa nos boxes da futura equipe Audi, que atualmente abriga o brasileiro Gabriel Bortoleto. Allan McNish, ex-piloto de Fórmula 1 e experiente gestor, assume o cargo de diretor de corridas da equipe. Ele trabalhará ao lado de Mattia Binotto para coordenar as estratégias de pista e a gestão de talentos da academia da montadora alemã. McNish preenche uma lacuna deixada pela saída imediata de nomes do alto escalão administrativo durante a pausa de abril.
Fiscalização contra truques de motor em classificações
A FIA também endureceu a fiscalização sobre manobras de gerenciamento de energia que Mercedes e Red Bull vinham utilizando. Relatórios técnicos indicaram que as equipes estariam cortando manualmente o MGU-K para poupar bateria especificamente para voltas lançadas em treinos classificatórios. A prática permitia ganhos temporários entre 50kW e 100kW, mas comprometia a segurança nas voltas seguintes.
A partir do GP de Miami, qualquer interrupção proposital do MGU-K que não seja motivada por emergência técnica comprovada será passível de sanções. A entidade máxima do esporte quer garantir que a eficiência energética seja alcançada de forma linear. Max Verstappen e os pilotos da Mercedes terão que adaptar o estilo de pilotagem para as novas restrições de software impostas para o restante do campeonato de 2026.







