Ciência

Estágio de foguete SpaceX deve atingir a Lua em agosto, confirma astrônomo

SpaceX Starship
Foto: Foto: Divulgação/SpaceX

Um estágio superior do foguete Falcon 9 da SpaceX está em rota de colisão com a Lua e deve impactar a superfície lunar no início de agosto. O objeto, identificado como 2025-010D, foi lançado no ano passado e passou por variações orbitais que o direcionaram para o satélite natural terrestre. A informação foi confirmada por Bill Gray, astrônomo do Projeto Plutão, que monitora asteroides e objetos próximos da Terra.

Gray afirmou que rastreia o estágio desde seu lançamento e que a mudança de órbita ao longo dos meses alterou sua trajetória. “Estamos rastreando-o desde o lançamento. A órbita mudou um pouco no último ano, e agora está se dirigindo para um impacto lunar”, explicou o especialista. O impacto está previsto para 5 de agosto e ocorrerá próximo à borda visível da Lua quando observada da Terra.

Missão comercial bem-sucedida antecedeu a colisão

SpaceX

O estágio superior do Falcon 9 foi responsável por lançar duas espaçonaves privadas ao espaço. Uma delas era o módulo de pouso lunar Blue Ghost 1, da Firefly Aerospace, batizado de Ghost Riders in the Sky. Lançado em 15 de janeiro de 2025, o Blue Ghost realizou o primeiro pouso lunar comercial totalmente bem-sucedido em 2 de março, no Mare Crisium, marcando a operação comercial mais longa na superfície lunar até o momento.

A mesma missão também transportava o módulo lunar japonês HAKUTO-R M2, chamado Resilience. Porém, essa sonda se perdeu aproximadamente 90 segundos antes do pouso devido a uma falha no telêmetro a laser, colidindo com o terreno lunar árido.

  • Lançamento: 15 de janeiro de 2025
  • Pouso lunar (Blue Ghost): 2 de março de 2025, Mare Crisium
  • Impacto previsto do estágio: 5 de agosto de 2025
  • Local do impacto: próximo à borda iluminada da Lua

Visibilidade do impacto permanece incerta

Gray informou que acredita que o impacto teria boas chances de ser visível da Terra. No momento da colisão, a Lua estará um pouco mais da metade iluminada. O astrônomo planeja observar o evento com seu pequeno telescópio do Maine, mas expressa ceticismo sobre a intensidade do brilho que será produzido.

A cautela de Gray baseia-se em precedente histórico. A NASA realizou uma missão semelhante em 2009 com o satélite LCROSS (Satélite de Observação e Sensoriamento de Crateras Lunares). Conforme planejado, a LCROSS e seu estágio Centauro colidiram com a Lua em 9 de outubro de 2009, porém o impacto ocorreu no lado não iluminado do satélite, apesar das expectativas iniciais. “Mesmo assim, nada foi visto”, recordou Gray.

A diferença na missão atual é que o impacto ocorrerá sob forte luz solar, na parte visível da Lua. Ainda assim, Gray admite ter dúvidas sobre a magnitude visual do evento. “Estará acima do horizonte para mim, no Maine, e pretendo sair com meu pequeno telescópio para dar uma olhada. Mas não consigo imaginar por que seria muito mais brilhante que a LCROSS. E esse objeto estará sob forte luz solar”, afirmou o especialista.

Ferramentas de rastreamento confirmam a trajetória

O Projeto Plutão fornece ferramentas de software utilizadas por astrônomos profissionais e amadores em todo o mundo para identificar satélites em dados observacionais e monitorar asteroides e cometas. A organização publicou uma página dedicada com dados específicos sobre o estágio superior do Falcon 9 para que a comunidade astronômica acompanhe a colisão iminente.

Bill Gray é criador do Guide, um aplicativo amplamente utilizado pela comunidade astronômica para monitoramento de objetos celestes. Sua análise dos dados orbitais fornece uma das previsões mais confiáveis disponíveis sobre o momento e local exato do impacto lunar.

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