Teste revela que 23 dos 30 azeites “extra virgem” falham em qualidade

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Azeite - Birol Dincer/shutterstock.com

Apenas dois azeites extra virgens aprovaram com louvor em teste realizado pela Öko-Test. O laboratório analisou 30 produtos da mais alta categoria e descobriu que a maioria não atinge os padrões prometidos na embalagem. Contaminação por pesticidas aumentou significativamente em relação a testes anteriores, e hidrocarbonetos perigosos foram encontrados em praticamente todos os óleos.

A situação é preocupante para consumidores que pagam entre 7,99 e 27,98 euros por litro esperando receber um produto premium. Dezoito dos azeites testados possuíam certificação orgânica, o que não garantiu segurança ou qualidade superior. A análise incluiu óleos da faixa de preço baixa a média, excluindo deliberadamente as versões mais caras do mercado.

Apenas dois azeites recebem a máxima aprovação

O azeite extra virgem orgânico da Aldi, cotado em 9,27 euros por litro, foi o único produto de marca comercial que conquistou a classificação “muito bom”. O segundo aprovado com excelência foi o Rapunzel da Itália, ao preço de 19,78 euros. Ambos atenderam aos rigorosos critérios de pureza sensorial e composição química estabelecidos pela regulação europeia.

Sete azeites receberam a nota “ruim” no teste. Entre os reprovados estão o Azeite de Oliva Extra Virgem Orgânico De Cecco, o Azeite de Oliva Extra Virgem Orgânico Rewe e o Azeite de Oliva Extra Virgem Dennree. Quatro produtos foram classificados como “rançosos”, indicando degradação do óleo durante o armazenamento ou transporte. Outros três apresentaram cheiro forte e turvo, sinais de defeito sensorial grave.

Pesticidas encontrados em níveis crescentes

A contaminação por múltiplos pesticidas aumentou de forma alarmante em comparação com pesquisas anteriores realizadas pela Öko-Test. Diferentes classes de agroquímicos foram detectadas em dezenas dos produtos analisados. O fenômeno ocorre em todas as faixas de preço, inclusive em azeites certificados como orgânicos.

Especialistas avaliam que a origem dessa contaminação pode estar na cadeia de produção, desde o campo até o engarrafamento. Resíduos de herbicidas e fungicidas utilizados em olivais convencionais podem migrar para óleos de produção orgânica quando instalações compartilham equipamento ou localização. A legislação europeia estabelece limites máximos para cada substância, mas a Öko-Test aplicou critérios ainda mais rígidos.

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Hidrocarbonetos perigosos aparecem em praticamente todos os óleos

Todos os 30 azeites testados continham pelo menos traços de hidrocarbonetos saturados de óleo mineral, conhecidos pela sigla MOSH. Essas moléculas acumulam-se gradualmente no tecido adiposo humano e em órgãos internos. Os efeitos biológicos ainda não são totalmente compreendidos pela ciência, mas pesquisadores da Öko-Test alertam para o risco potencial do armazenamento crônico.

Resultado ainda mais preocupante: quatro azeites apresentaram hidrocarbonetos aromáticos de óleo mineral, denominados MOAH, em concentrações consideradas elevadas. Essa classe de compostos representa maior risco porque pode incluir substâncias com propriedades cancerígenas e mutagênicas. A fonte provável é contaminação durante o processo de produção, com óleos lubrificantes industriais entrando em contato com o produto através de máquinas ou transportadores inadequados.

Metodologia rigorosa define os padrões do teste

A Öko-Test submeteu cada amostra a análise laboratorial completa de parâmetros físico-químicos. A acidez, índice de peróxidos, valores K, ésteres alquílicos de ácidos graxos e ceras foram medidos conforme o Regulamento do Azeite estabelecido pela União Europeia. Um painel de degustadores certificado, composto por pelo menos oito membros reconhecidos pelo Conselho Oleícola Internacional, avaliou cada óleo em sessões cegas.

Os especialistas em azeite julgaram a presença de características sensoriais desejáveis: picância, amargor controlado e notas frutadas equilibradas. Também identificaram atributos indesejáveis que indicam qualidade reduzida. A harmonia geral de cada amostra foi considerada na nota final. A análise de hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, que se formam durante aquecimento intenso na produção, não revelou níveis relevantes neste teste.

Plastificantes e contaminação da cadeia de produção

Além de pesticidas e hidrocarbonetos, laboratórios detectaram plastificantes em várias amostras. Essas moléculas migram para o óleo durante a cadeia de distribuição, principalmente quando o produto entra em contato com recipientes e equipamentos plásticos inadequados. A regulação europeia estabelece limites, mas a presença persistente sugere falhas no controle de materiais utilizados pela indústria.

Todos esses contaminantes elevam as questões sobre como consumidores podem identificar um azeite verdadeiramente seguro. Rótulos e certificações, incluindo o carimbo orgânico, não garantem pureza absoluta. O preço também não oferece proteção: azeites caros não foram inclusos neste teste, mas análises anteriores mostram que valor elevado nem sempre corresponde a qualidade superior.

Como reconhecer um bom azeite na hora da compra

Os azeites rotulados como “extra virgem” devem estar isentos de defeitos sensoriais conforme normas internacionais. A legislação europeia exige que esses produtos atendam a parâmetros rigorosos antes de chegar ao varejo. Na prática, consumidores têm poucos recursos para avaliar qualidade antes da compra, dependendo principalmente de marca e reputação estabelecida.

A cor, embora atrativa, não indica qualidade. O aroma não pode ser testado na embalagem fechada. O sabor só se revela após a compra e abertura do recipiente. Diante dessas limitações, a recomendação é buscar marcas com histórico comprovado de transparência e que invistam em testes independentes. O resultado da Öko-Test demonstra que nomes estabelecidos também podem desapontar, reforçando a importância de pesquisa e comparação antes de gastar em um produto caro.