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Estudante orquestra morte dos pais no litoral paulista com roteiro idêntico ao crime de Suzane von Richthofen

Suzane von Richthofen
Foto: Suzane von Richthofen - Foto: Reprodução

A estudante de Direito Andréia Gomes Pereira do Amaral planejou e executou o assassinato dos próprios pais na cidade de Santos, no litoral de São Paulo. O crime ocorreu no dia 29 de março de 1994 dentro do triplex da família. A jovem, que tinha 20 anos na época dos fatos, contou com a participação direta do namorado adolescente para concretizar o plano letal. As vítimas, Antônio da Silva Amaral e Deolinda Gomes Pereira do Amaral, foram mortas a facadas no interior da residência.

Oito anos antes do caso que ganhou notoriedade nacional envolvendo Suzane von Richthofen, a dinâmica registrada na Baixada Santista apresentou elementos quase idênticos. A mandante facilitou a entrada do executor no imóvel e aguardou o desfecho da ação criminosa em silêncio. O episódio histórico ganha novos contornos na análise criminal devido às coincidências de perfil, classe social e método de execução entre as duas ocorrências policiais registradas no estado de São Paulo.

Suzane Von Richthofen.
Suzane Von Richthofen. – Foto: reprodução

Dinâmica do duplo homicídio no litoral paulista

O planejamento do crime envolveu a sedação prévia das vítimas para evitar qualquer tipo de reação. Andréia administrou medicamentos calmantes aos pais para garantir que eles não oferecessem resistência física durante a madrugada. O namorado da estudante, de 17 anos, aguardou o sinal verde para entrar no imóvel localizado na Rua Pedro Américo, no bairro Campo Grande. A invasão ocorreu sem arrombamentos. O acesso facilitado impediu que vizinhos notassem movimentações suspeitas no prédio de alto padrão.

A execução aconteceu de forma rápida e direcionada. O adolescente utilizou uma faca para golpear Antônio, de 53 anos, ainda no quarto principal da residência. O comerciante e dono de imóveis recebeu 20 facadas. Na sequência, o executor atacou Deolinda, de 42 anos, que estava na sala do apartamento. A dona de casa sofreu 12 perfurações. A perícia técnica confirmou posteriormente a ausência de sinais de luta corporal nos cômodos analisados.

Os autos do processo revelam que a motivação financeira e o descontentamento familiar guiaram a ação dos jovens. O menor de idade cobrou cerca de 3 mil dólares para realizar os assassinatos. O objetivo do rapaz era utilizar parte do dinheiro ilícito para adquirir uma motocicleta do modelo Yamaha RD 350. A mandante afirmou em depoimento oficial que considerava os pais ruins e desejava o sumiço do casal para assumir o controle do patrimônio.

Fuga, ocultação de cadáver e investigação policial

Após a consumação das mortes, os envolvidos precisaram retirar os corpos do triplex para atrasar a descoberta do crime. Andréia utilizou o próprio veículo do pai para transportar as vítimas no dia seguinte aos assassinatos. Os cadáveres foram levados até a cidade vizinha de Cubatão. A dupla ocultou os corpos às margens do Rio Casqueiro, uma área de manguezal afastada do centro urbano na região metropolitana da Baixada Santista.

A estratégia de defesa inicial da estudante consistiu em criar uma narrativa falsa para despistar as autoridades de segurança. Dois dias após o duplo homicídio, ela compareceu a uma delegacia local para registrar um boletim de ocorrência. A jovem relatou aos investigadores que Antônio havia assassinado Deolinda durante uma discussão doméstica e fugido com o corpo logo em seguida. A versão apresentou contradições rápidas durante os primeiros interrogatórios conduzidos pelos detetives.

A elucidação do caso ocorreu em menos de uma semana de diligências. Policiais apreenderam o namorado adolescente no dia 3 de abril de 1994. O menor confessou a autoria dos golpes de faca, indicou a localização exata dos cadáveres no manguezal e apontou a namorada como a arquiteta de todo o plano. A confissão detalhada derrubou o álibi da estudante de Direito, resultando em sua prisão imediata por força de mandado judicial.

Semelhanças com o assassinato da família Richthofen

O resgate histórico do crime cometido em Santos demonstra um padrão comportamental que se repetiria na capital paulista no ano de 2002. Especialistas em segurança pública observam que a falta de repercussão nacional em 1994 ocorreu pela distância de São Paulo e pela menor cobertura de programas jornalísticos em rede nacional na época. O caso ganhou notoriedade retroativa quando a imprensa começou a buscar precedentes para o crime dos irmãos Cravinhos.

As coincidências entre as duas ocorrências chamam a atenção de investigadores, promotores e pesquisadores da área criminal. Os pontos de intersecção envolvem desde a formação acadêmica até a estrutura familiar das mandantes.

  • Ambas as jovens cursavam a faculdade de Direito no momento das execuções.
  • As duas famílias possuíam alto poder aquisitivo e residiam em imóveis de luxo.
  • O planejamento incluiu a facilitação da entrada dos namorados nas casas durante a madrugada.
  • Os irmãos mais novos das mandantes foram poupados e entregues a parentes próximos.
  • A paixão dos executores por motocicletas apareceu como elemento financeiro nos dois processos judiciais.

O irmão de Andréia, que tinha apenas um ano de idade na data dos assassinatos, acabou sob a guarda definitiva de tios maternos. A mesma destinação legal ocorreu com o irmão de Suzane anos mais tarde. A decisão de manter os caçulas vivos e afastados da cena principal do crime evidencia a preservação seletiva durante o planejamento das mortes em ambos os casos.

Condenação, fuga do sistema prisional e situação atual

O sistema judiciário paulista condenou Andréia a 25 anos e dois meses de reclusão após o trâmite processual. A pena contemplou os crimes de duplo homicídio qualificado e ocultação de cadáver. A mulher cumpriu parte da sentença em regime fechado até o ano 2000. Naquela ocasião, ela obteve o benefício da saída temporária concedido pela Vara de Execuções Penais e decidiu não retornar à unidade prisional, passando à condição de foragida da Justiça.

A recaptura da condenada aconteceu apenas em 2001, durante uma operação policial focada em desarticular crimes de estelionato na região. O desfecho do namorado adolescente seguiu um caminho diferente no sistema de Justiça. O rapaz cumpriu medida socioeducativa na antiga Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor, mas conseguiu fugir da instituição de internação. Registros oficiais da época indicam que ele deixou o território brasileiro logo após a fuga.

O andamento da vida pessoal da mandante registrou novos fatos nas últimas décadas após o cumprimento das obrigações penais. Andréia formalizou um casamento em 2019 com um homem que já fazia parte de seu círculo social na época dos assassinatos. O atual marido chegou a ser julgado no passado por vender um revólver para a jovem. A arma não foi utilizada no crime de 1994, e a Justiça o absolveu da acusação de participação direta nas mortes. Atualmente, o paradeiro exato da mulher permanece desconhecido pelas autoridades de monitoramento público.

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