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Cupra abandona vermelho e amarelo para reforçar identidade de marca premium

Volkswagen
Foto: Volkswagen - Foto: Sjo/istock

A marca Cupra, divisão de desempenho do Grupo Volkswagen, encerrou oficialmente o uso de vermelho e amarelo em sua gama de veículos futuros. A decisão marca um ponto de virada na estratégia visual da empresa, que busca se distanciar de suas origens na Seat e consolidar uma identidade premium baseada em tons sóbrios e acabamentos sofisticados.

Francesca Sangalli, diretora de Cores e Acabamentos da Seat e Cupra, confirmou ao veículo especializado Autocar que a empresa não retornará com essas cores icônicas. O objetivo é deixar essa paleta vibrante para outras marcas, como a Ferrari, enquanto a Cupra investe em uma linguagem visual mais contida e refinada.

Transição das cores vibrantes para tons neutros

Houve um tempo em que encomendar um Cupra amarelo vibrante era a escolha natural dos compradores. Esse período encerrou. A marca decidiu que seus futuros automóveis chegarão apenas em uma paleta cuidadosamente selecionada de tons mais sóbrios, uma mudança estratégica para consolidar uma identidade diferente de suas raízes como versões esportivas do Seat Ibiza e Seat Leon.

Antes de se tornar marca independente em 2018, a Cupra era a designação preferida para hatches de alto desempenho baseados em modelos Seat. Os primeiros veículos, principalmente o Ibiza e Leon Cupra, eram oferecidos em vibrantes tons de amarelo que se tornaram sinônimo da marca ao longo dos anos.

Nos últimos anos, a empresa adotou uma abordagem diferente e gradual. Introduziu detalhes em cobre como característica marcante e iniciou uma transição progressiva para uma paleta de cores mais suaves. Essa evolução visual reflete a ambição da Cupra de se posicionar como marca premium dentro do portfólio do Grupo Volkswagen.

 CUPRA
CUPRA – Prokop Harazim / Shutterstock.com

Filosofia de cores foscos e acabamentos especiais

Sangalli explicou a estratégia de cores da marca de forma clara. A Cupra aposta em cores neutras com um toque especial, razão pela qual a empresa dedica muita importância aos acabamentos foscos e ao tratamento oleoso das tintas. Essa abordagem cria uma percepção de sofisticação e exclusividade.

O comunicado oficial da marca deixou explícito que um Cupra vermelho ou amarelo não retornará aos catálogos. A direção afirma que deixará essa paleta para a Ferrari e outras marcas com identidades cromáticas fortes, pois essas cores estão vinculadas à identidade histórica dessas empresas, mas não combinam com o novo posicionamento da Cupra.

A resistência potencial de alguns compradores que apreciam a herança visual da marca não preocupa os executivos. A lógica é que as pessoas atraídas pela marca atual são motivadas pelo que a Cupra já representa em termos de desempenho e sofisticação. A gama de cores restrita faz parte do pacote de marca que a empresa oferece no mercado.

Modelos em conformidade e nomes sofisticados

Embora o Terramar, topo de linha da marca, tenha sido lançado com a opção de Vermelho Desire, o restante da linha Cupra já está em conformidade com a nova regra de paleta cromática. O novo Cupra Raval e o Born reestilizado apresentam cores como Verde Manganês Fosco e Verde Floresta Escuro, exemplos de nomes sofisticados para cores que não são tons de cinza.

A Seat, marca-irmã dentro do Grupo Volkswagen, segue caminho oposto. Os modelos Ibiza e Arona renovados podem ser encontrados em cores vibrantes com nomes como Liminar Red, Hypnotic Yellow e Fiord Blue. Esses nomes e cores foram completamente abandonados pela Cupra em sua nova estratégia.

Principais mudanças na paleta cromática da Cupra:

  • Abandono definitivo de vermelho e amarelo vibrantes
  • Adoção de tons foscos como característica principal
  • Uso de acabamentos oleosos para sofisticação
  • Nomes de cores sofisticados e sóbrios
  • Diferenciação visual em relação à marca Seat
  • Posicionamento premium no mercado automotivo

Tendência de marcas revisitarem identidade cromática

A Cupra não é a única empresa a levar cor com seriedade estratégica. A Fiat fez seu próprio anúncio em 2023, quando declarou que deixaria de vender carros cinza em prol de ruas mais vibrantes, movimento oposto ao da Cupra. Essa decisão da Fiat refletia uma visão diferente sobre como as cores contribuem para a percepção pública dos veículos nas cidades.

A estratégia da Cupra representa uma aposta clara em um segmento de mercado específico: consumidores que valorizam sofisticação visual, exclusividade cromática e diferenciação em relação a marcas com heranças mais vibrantes. A paleta reduzida serve como ferramenta de posicionamento premium que distingue a marca de seus concorrentes e de sua própria origem na Seat.

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