O Metropolitan Museum of Art inaugurou a exposição Costume Art nesta semana. A mostra marca a abertura das novas galerias Condé M. Nast e traz nove manequins com formas corporais baseadas em pessoas reais. Eles incluem corpos maiores, gestantes, cadeirantes, trans e com membros amputados.
Cada manequim tem o rosto substituído por uma superfície oval de aço polido. O visitante vê o próprio reflexo ao observar as peças. A iniciativa busca conectar o público com as experiências corporais representadas nas roupas expostas. A exposição abre as portas logo após o Met Gala, realizado na primeira segunda-feira de maio.
Mannequins criados a partir de modelos e ativistas reais
Os novos manequins foram modelados sobre indivíduos específicos. A modelo e atriz Aimee Mullins, que perdeu as pernas inferiores ainda bebê, posou para um deles. A artista Michaela Stark, conhecida por trabalhos que exploram o corpo e os padrões de beleza, serviu de referência para três manequins. A modelo trans negra Aariana Rose Philip também integrou o projeto.
Sinéad Burke, ativista irlandesa com nanismo, posou para outros dois. Esses corpos contrastam com os manequins tradicionais do mundo da moda, que geralmente seguem medidas próximas ao tamanho 36 ou 38. A curadoria do Costume Institute, liderada por Andrew Bolton, planejou a inclusão para ampliar a visão sobre quem faz parte da história da moda.
- Aimee Mullins serviu de base para manequim com amputação de pernas
- Michaela Stark posou para três manequins com corpo volumoso
- Aariana Rose Philip representou corpo trans
- Sinéad Burke inspirou manequins com nanismo
- Rostos substituídos por aço polido para reflexão do visitante
Exposição une arte e vestimenta em pares temáticos
Costume Art ocupa as novas galerias permanentes do Costume Institute. O espaço tem cerca de 11.500 pés quadrados e fica na entrada principal do museu. A mostra reúne quase 200 obras de arte de diferentes departamentos do Met com cerca de 200 peças de vestuário e acessórios.
Cada par associa uma obra clássica — de impressionismo, Grécia antiga ou armaria — a uma roupa. O fio condutor é o corpo vestido. Peças históricas e contemporâneas aparecem lado a lado para mostrar como a moda atravessa todas as áreas do museu. A exposição fica aberta por nove meses, período maior que o habitual em mostras temporárias anteriores.
Os manequins diversos aparecem intercalados com os modelos convencionais. Essa disposição reforça a ideia de que diferentes corpos pertencem ao universo da moda. O aço polido nos rostos incentiva o visitante a se imaginar dentro das roupas expostas.
Impacto esperado no debate sobre inclusão na moda
A iniciativa surge em um momento de questionamentos sobre esforços de diversidade. Em 2025, a exposição anterior sobre dândis negros já havia gerado repercussão política. Agora, o Met avança com medidas concretas no design dos próprios suportes de exposição.
A curadoria evitou declarações explícitas sobre o contexto atual. Em vez disso, priorizou o aspecto prático: permitir que mais pessoas se vejam representadas nas vitrines do museu. Modelos que posaram para os manequins destacaram o caráter institucional da mudança.
O Met não confirmou se todos os 25 manequins citados em algumas reportagens já estão em uso. A instituição destacou os nove novos corpos como o destaque principal da renovação. As peças permanecem no acervo permanente das galerias Condé M. Nast.
Detalhes técnicos dos novos suportes
Cada manequim foi produzido sob medida. Eles reproduzem proporções exatas dos corpos das pessoas que serviram de modelo. A superfície refletiva do rosto foi desenvolvida pelo escultor Samar Hejazi. O material permite que o observador projete a própria imagem sobre a roupa.
A exposição já recebe os primeiros visitantes após o Met Gala. O museu espera que o público interaja diretamente com os manequins, parando para observar o reflexo. Essa experiência sensorial reforça o tema central da mostra: a relação entre corpo, roupa e arte.

