Últimas Notícias

Oscar 2027 muda regras e libera múltiplas indicações de atores na mesma categoria da premiação

Oscar
Foto: Oscar - LanKS/ Shutterstock.com

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas aprovou um pacote de alterações significativas para a 99ª edição do Oscar, programada para ocorrer no ano de 2027. A principal modificação permite que atores e atrizes recebam múltiplas indicações dentro de uma mesma categoria de atuação. A medida entra em vigor caso o profissional alcance votos suficientes para figurar entre os cinco mais votados com trabalhos diferentes. A decisão encerra uma proibição que vigorava há mais de oito décadas na premiação.

O novo regulamento altera a dinâmica de campanhas promovidas pelos estúdios de Hollywood durante a temporada de prêmios. Anteriormente, a organização limitava os intérpretes a apenas uma vaga por categoria, forçando uma divisão estratégica de votos ou a exclusão de um dos trabalhos. A mudança visa refletir o mérito real das performances nas urnas. Analistas apontam que a atualização elimina a necessidade de manobras de bastidores para evitar a canibalização de votos de um mesmo artista.

オスカー

Fim da restrição histórica altera dinâmica de campanhas para atores

A regra recém-aprovada estabelece que, se um ator obtiver apoio massivo da ala de atores da Academia por dois filmes distintos, ele ocupará duas das cinco vagas disponíveis. O sistema de votação preferencial continuará operando normalmente. A diferença reside no processamento final das cédulas. O mecanismo anterior descartava automaticamente a segunda performance mais votada de um mesmo profissional na mesma categoria.

O bloqueio histórico foi implementado logo após a cerimônia realizada no ano de 1945. Naquela ocasião, o ator Barry Fitzgerald recebeu indicações simultâneas nas categorias de Melhor Ator e Melhor Ator Coadjuvante pelo exato mesmo papel no filme “O Bom Pastor” (1944). A situação inusitada forçou a diretoria da época a reescrever o estatuto. A restrição impedia que um artista concorresse contra si mesmo com o mesmo personagem, mas acabou se estendendo para limitar indicações múltiplas na mesma categoria, independentemente do filme.

Com a atualização, a Academia reconhece que um intérprete pode entregar múltiplos trabalhos de excelência no mesmo ano calendário. O comitê organizador avaliou que a exclusão de uma performance altamente votada prejudicava a transparência do processo. Estúdios não precisarão mais escolher qual filme priorizar na campanha principal. A responsabilidade recai inteiramente sobre a preferência dos votantes da filial de atuação, que compõe o maior bloco de membros da instituição.

Caso de Kate Winslet ilustra impacto da regra antiga nas votações

O impacto da regra antiga ficou evidente durante a temporada de premiações do ano de 2008. A atriz Kate Winslet protagonizou dois longas-metragens aclamados pela crítica: “Foi Apenas um Sonho” e “O Leitor”. Durante a cerimônia do Globo de Ouro, ela venceu os prêmios de Melhor Atriz em Drama e Melhor Atriz Coadjuvante, respectivamente. A divisão clara de categorias parecia pavimentar um caminho duplo para o Oscar.

No entanto, a filial de atores da Academia concentrou os votos de Winslet na categoria principal para ambos os filmes. Como o regulamento proibia duas indicações para Melhor Atriz, a organização contabilizou apenas os votos de “O Leitor”, que possuía a maior preferência. A performance em “Foi Apenas um Sonho” acabou totalmente excluída da disputa. A atriz venceu a estatueta por “O Leitor”, mas o processo expôs as falhas do sistema de descarte.

Casos semelhantes ocorreram ao longo das décadas, forçando estúdios a inscreverem atores principais como coadjuvantes para garantir duas indicações em categorias diferentes. A prática, conhecida na indústria como fraude de categoria, tornou-se comum. A nova diretriz de 2027 elimina a necessidade dessa manobra. Os profissionais poderão concorrer de forma justa nas categorias que realmente correspondem ao tempo de tela e à importância narrativa de seus personagens.

Diretrizes inéditas regulamentam uso de inteligência artificial

Além das mudanças nas categorias de atuação, a Academia introduziu o primeiro conjunto formal de regras sobre o uso de inteligência artificial na produção cinematográfica. A tecnologia avançou rapidamente nos últimos anos. O conselho de governadores determinou que a utilização de ferramentas generativas precisa seguir parâmetros éticos rigorosos para que os filmes permaneçam elegíveis aos prêmios.

O novo manual de conduta estabelece exigências claras para os estúdios e produtoras independentes. As regras buscam equilibrar a inovação tecnológica com a proteção do trabalho humano na indústria audiovisual. A organização definiu os seguintes critérios obrigatórios:

  • Transparência total sobre quais cenas ou elementos visuais foram gerados por algoritmos de inteligência artificial.
  • Proibição do uso de réplicas digitais de atores sem o consentimento prévio e formal dos profissionais envolvidos.
  • Comprovação de que a autoria principal do roteiro, direção e montagem pertence a seres humanos.

A implementação dessas diretrizes reflete as preocupações levantadas durante as recentes greves de roteiristas e atores em Hollywood. A Academia atua em conformidade com os acordos trabalhistas firmados pelos sindicatos. O objetivo central é garantir que a arte cinematográfica continue sendo avaliada pela criatividade humana. Ferramentas digitais serão aceitas apenas como instrumentos de suporte técnico, não como substitutas da expressão artística fundamental.

Categoria de filme internacional ganha novos critérios de elegibilidade

O pacote de reformas também abrange a disputa pelo prêmio de Melhor Filme Internacional. A Academia flexibilizou as regras de submissão, afastando-se do modelo tradicional que exigia a indicação de apenas um representante oficial por país. A mudança reconhece a natureza globalizada das co-produções modernas. Muitos projetos atuais envolvem financiamento, equipes e locações de múltiplas nações, dificultando a classificação sob uma única bandeira nacional.

O comitê responsável pela categoria internacional avaliou que o formato antigo excluía obras de alta qualidade que não se encaixavam nos parâmetros geopolíticos estritos. A nova estrutura permite uma avaliação mais ampla do cinema mundial. As comissões locais de seleção terão diretrizes atualizadas para submeter os longas-metragens. A alteração visa aumentar a diversidade de vozes e narrativas presentes na premiação, acompanhando a evolução do mercado exibidor global.

As regras entram em vigor exclusivamente a partir da 99ª cerimônia, garantindo tempo de adaptação para toda a cadeia produtiva do cinema. Produtores, estrategistas de campanha e distribuidoras precisarão reavaliar suas táticas de lançamento. A Academia planeja realizar sessões informativas com seus membros ao longo do ano para esclarecer os detalhes técnicos das votações. O sistema eletrônico de apuração passará por atualizações de software para suportar as novas variáveis matemáticas exigidas pelo regulamento de 2027.

↓ Continue lendo ↓