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Sargento da Polícia Militar morre após vinte dias internado por tiroteio com major no Paraná

Cabo Mazeppa e Sargento Knaipp
Foto: Cabo Mazeppa e Sargento Knaipp - Redes Sociais

Um sargento da Polícia Militar do Paraná morreu neste sábado após passar vinte dias internado em decorrência de um confronto armado contra um major da mesma corporação. O tiroteio ocorreu no dia 12 de abril, na região metropolitana de Curitiba. O sargento Rogério Knaip e o major Antônio Carlos Mazzotta trocaram tiros em frente à residência do oficial. O major faleceu no local do incidente. A esposa do major também sofreu ferimentos durante a ocorrência, mas sobreviveu. O caso mobilizou equipes de resgate e peritos criminais de diversas unidades.

Dinâmica do confronto e intervenção das autoridades

O desentendimento começou após os dois policiais saírem de um estabelecimento comercial na região. Eles seguiram para a casa de Antônio Carlos Mazzotta, localizada no bairro Afonso Pena, no município de São José dos Pinhais. A discussão inicial envolveu as esposas dos dois agentes de segurança. O conflito verbal escalou rapidamente na calçada da propriedade. Rogério Knaip tentou intervir na conversa para defender sua companheira. Neste momento, o major entrou na residência e retornou armado. Ele passou a questionar o sargento de forma ríspida e direta.

A situação saiu do controle em poucos minutos. Os dois policiais sacaram suas armas de fogo e iniciaram os disparos simultaneamente. Moradores da vizinhança acionaram os serviços de emergência ao ouvirem os tiros. O major não resistiu aos ferimentos e teve o óbito confirmado ainda na frente de sua casa. O sargento recebeu os primeiros socorros no local. Ambulâncias do Corpo de Bombeiros realizaram o transporte de emergência para uma unidade hospitalar de referência na capital paranaense. Viaturas da área realizaram o isolamento do perímetro para afastar curiosos e preservar a cena do crime.

A área do crime permaneceu isolada por várias horas para o trabalho da Polícia Científica. Investigadores recolheram cápsulas deflagradas e as armas utilizadas no confronto. O material passou por análise balística para determinar a trajetória dos projéteis. A preservação do local garantiu a coleta de evidências fundamentais para o inquérito. Os peritos mapearam as manchas de sangue e a posição exata onde cada policial caiu após os disparos.

Investigação apura motivação do desentendimento

A Polícia Civil assumiu a condução do inquérito para esclarecer os detalhes do homicídio e da tentativa de homicídio. O depoimento da esposa do sargento Knaip forneceu as primeiras informações sobre a cronologia dos fatos. Ela relatou aos investigadores que a esposa do major solicitou uma conversa particular. O teor desse diálogo direto entre as duas mulheres gerou a tensão inicial. A testemunha explicou que a amizade entre os dois policiais durava mais de vinte anos.

A longa relação de convivência entre as famílias torna o desfecho ainda mais complexo para os investigadores. Detetives buscam entender se existiam atritos anteriores não relatados oficialmente. A análise de câmeras de monitoramento da rua e de imóveis vizinhos compõe o escopo da apuração policial. Os vídeos podem confirmar a posição exata de cada envolvido no momento dos disparos. Vizinhos que presenciaram a discussão também foram intimados a prestar esclarecimentos na delegacia especializada.

A esposa do major, que sobreviveu aos ferimentos, representa uma peça central para a conclusão do inquérito. O depoimento dela deve confrontar a versão apresentada pela outra testemunha ocular. As autoridades aguardam a liberação médica definitiva para realizar a oitiva oficial. O cruzamento das declarações com os laudos periciais formará a base do relatório final da polícia judiciária.

Procedimentos médicos e atendimento aos feridos

O sargento Rogério Knaip deu entrada no hospital em estado crítico. A equipe médica realizou cirurgias de emergência para conter hemorragias e estabilizar os sinais vitais. O paciente permaneceu na Unidade de Terapia Intensiva durante todo o período de internação. Ele necessitou de suporte ventilatório e monitoramento contínuo. As lesões causadas pelos disparos comprometeram órgãos vitais e exigiram transfusões de sangue.

Durante os vinte dias de tratamento, o quadro clínico apresentou oscilações constantes. Os médicos registraram complicações decorrentes do trauma balístico severo. A morte foi declarada no sábado, encerrando os esforços da equipe de saúde. O corpo seguiu para o Instituto Médico Legal de Curitiba para os exames de necropsia obrigatórios em casos de morte violenta.

O boletim de ocorrência detalha o saldo de vítimas atingidas no tiroteio:

  • Antônio Carlos Mazzotta, major da corporação, que faleceu no local do confronto armado.
  • Rogério Knaip, sargento da polícia, que morreu após vinte dias de internação na UTI.
  • A esposa do major Mazzotta, atingida por disparos durante a troca de tiros, mas que recebeu atendimento e sobreviveu.

O resgate rápido evitou um número maior de vítimas fatais no dia do evento. Os socorristas aplicaram protocolos de trauma severo ainda no asfalto. A logística de transporte priorizou a estabilização hemodinâmica dos feridos graves. A estrutura hospitalar de Curitiba possui capacidade para atender ocorrências de alta complexidade, mas a gravidade dos ferimentos do sargento superou os recursos terapêuticos disponíveis na unidade.

Impacto na corporação e protocolos de segurança

A Polícia Militar do Paraná instaurou um procedimento administrativo interno para acompanhar o caso. A Corregedoria da corporação atua de forma paralela à Polícia Civil. O objetivo é avaliar a conduta dos agentes fora do horário de serviço. O regulamento disciplinar militar estabelece normas rígidas para o porte e o uso de armamento por policiais de folga. O inquérito policial militar reúne documentos, escalas de serviço e o histórico funcional dos envolvidos.

O confronto entre oficiais de patentes diferentes e com longo histórico de serviço gera debates sobre a rotina na segurança pública. O porte de arma fora de serviço exige controle emocional e capacidade de resolução pacífica de conflitos interpessoais. A corporação oferece acompanhamento psicológico preventivo para o efetivo ativo. O incidente expõe os riscos associados ao acesso contínuo a armas de fogo em situações de estresse pessoal agudo.

As armas recolhidas pertenciam à carga da Polícia Militar ou eram de uso particular devidamente registrado. A documentação do armamento passa por conferência no sistema nacional de armas. O rastreamento garante a legalidade dos equipamentos envolvidos na ocorrência. A perícia apontará qual arma disparou o projétil específico que atingiu a esposa do major durante o fogo cruzado.

O falecimento do segundo policial encerra a possibilidade de responsabilização criminal direta entre os atiradores. O princípio jurídico da extinção da punibilidade pela morte do agente se aplica integralmente ao caso. O inquérito prossegue apenas para documentar formalmente a dinâmica e arquivar o processo com todas as respostas técnicas. A conclusão das investigações deve ocorrer nos próximos meses, após a entrega de todos os laudos do Instituto de Criminalística.

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