Esportes

Pietro Maschio chama Mundial de Clubes no Brasil de fardo e critica infraestrutura e gera crise no Conegliano

Conegliano - Instagram
Foto: Conegliano - Instagram

Um comentário agressivo do copresidente do Conegliano, Pietro Maschio, gerou mal-estar internacional no vôlei nesta segunda-feira. O dirigente italiano classificou o Mundial de Clubes de 2025, realizado em São Paulo, como um fardo para o calendário europeu. Ele ainda afirmou que a delegação retornou da sede brasileira infestada por insetos. As declarações ocorreram logo após o time perder a vaga para a edição de 2026 do torneio da Federação Internacional de Voleibol (FIVB).

A fala de Maschio aconteceu na zona mista depois da eliminação do Conegliano na Champions League para o Vakifbank Istambul. O dirigente celebrou a ausência na próxima competição intercontinental, alegando que o nível técnico e organizacional não justifica o desgaste. Ele ressaltou que a estrutura oferecida no Brasil foi vergonhosa. O clube, que conta com a ponteira brasileira Gabi Guimarães como capitã, precisou emitir uma nota oficial para tentar conter a repercussão negativa.

Dirigente alega problemas de higiene e infraestrutura em São Paulo

O mandatário da equipe italiana subiu o tom ao detalhar as condições que o grupo enfrentou durante a estadia em território brasileiro. Segundo Maschio, os atletas e a comissão técnica precisaram lidar com problemas sanitários graves no ginásio e nas acomodações. Ele foi categórico ao dizer que os integrantes da equipe voltaram para a Itália cheios de pulgas. O dirigente mencionou que existem laudos médicos comprovando as picadas e o desconforto físico dos profissionais.

A organização do evento, sediado no Ginásio do Pacaembu entre 9 e 14 de dezembro, foi o alvo principal do desabafo. Maschio pontuou que a quadra de jogo não possuía o padrão exigido para uma competição de elite global. O Conegliano terminou aquela edição com a medalha de prata, mas o resultado esportivo parece ter ficado em segundo plano. Para o italiano, o torneio perdeu prestígio midiático e técnico nos últimos anos de forma drástica.

Conegliano publica nota oficial e tenta acalmar torcida brasileira

Diante da onda de críticas nas redes sociais, a diretoria do Conegliano utilizou seus canais oficiais para publicar um pedido de desculpas formal. O texto busca desvincular a imagem da instituição das frases isoladas de seu copresidente. A nota reforça o carinho pela torcida brasileira e agradece pela recepção calorosa recebida no final do ano passado. O clube argumentou que houve um erro de interpretação sobre o foco das críticas de Pietro Maschio.

  • A equipe italiana reforçou que reconhece o esforço dos organizadores brasileiros.
  • O clube destacou que o prazo para a montagem do evento foi extremamente reduzido.
  • A diretoria mencionou que o descontentamento é com o modelo de gestão da FIVB.
  • A nota oficial pede perdão nominalmente aos torcedores brasileiros pelo mal-entendido.
  • O Conegliano reiterou que o valor técnico da competição precisa ser reavaliado pela federação.

Impacto das declarações atinge estrela brasileira da equipe

A situação é considerada delicada nos bastidores pelo fato de Gabi Guimarães ser a principal estrela do projeto italiano. A capitã da Seleção Brasileira é um ídolo nacional e sua imagem está diretamente ligada ao sucesso do Conegliano na Europa. A repercussão das frases de Maschio criou um clima de tensão entre a base de fãs da jogadora e o comando do clube. Internamente, a pressão para uma retratação pública foi intensificada para evitar danos comerciais e de relacionamento.

O desabafo de Maschio reflete uma insatisfação antiga dos clubes europeus com o deslocamento para o hemisfério sul no meio da temporada. O calendário apertado da Liga Italiana e da Champions League faz com que o Mundial seja visto como um estorvo logístico. Entretanto, o uso de termos como infestação de pulgas elevou o tom da reclamação para um campo pessoal e geográfico. Especialistas em gestão esportiva acreditam que o episódio pode dificultar futuras candidaturas brasileiras para sediar eventos da federação internacional.

Mudanças no cenário do vôlei mundial para a temporada 2026

Com a derrota para o Vakifbank, o Conegliano assiste de fora o redesenho do torneio para o próximo ciclo olímpico. A ausência do atual vice-campeão mundial retira um dos favoritos ao título, mas alivia a carga de jogos exigida pelo dirigente. A FIVB ainda não se manifestou oficialmente sobre as críticas de Pietro Maschio em relação à qualidade das sedes escolhidas. O silêncio da entidade máxima do esporte contrasta com a agitação nos fóruns de discussão de vôlei na Itália e no Brasil.

A Federação Brasileira de Voleibol também monitora o caso, uma vez que as críticas atingem a imagem do país como anfitrião. O Pacaembu passou por reformas recentes e as declarações sobre a quadra vergonhosa atingem diretamente a gestão do complexo. Por enquanto, o foco do Conegliano volta-se exclusivamente para as finais da liga nacional, tentando enterrar a polêmica fora das quadras. O futuro das relações entre o clube italiano e o mercado esportivo sul-americano dependerá da aceitação das desculpas apresentadas nesta segunda-feira.

↓ Continue lendo ↓