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Segurança alimentar na China contrasta com inflação e ultraprocessados nos EUA

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Foto: ultraprocessados - Leona Octavii/Shutterstock.com

O segundo episódio da série Entre Dois Mundos, do Fantástico, trouxe uma comparação direta entre os sistemas de alimentação da China e dos Estados Unidos. A reportagem destaca o acesso a produtos frescos a preços baixos no país asiático. Nos EUA, o cenário envolve custos mais altos e maior dependência de itens industrializados.

A China sustenta 1,4 bilhão de pessoas com apenas 10% das terras aráveis do planeta. Isso representa cerca de 20% da população mundial. O país tratou a questão como prioridade estratégica após um trauma histórico.

Trauma histórico marcou ponto de virada

Alimentar uma população dessa escala sempre trouxe desafios. Entre 1959 e 1962, o Grande Salto Adiante resultou em uma das maiores fomes da história. Políticas fracassadas e deslocamento de agricultores contribuíram para a crise. Estimativas indicam até 50 milhões de mortes.

O período deixou lições profundas. A partir do final dos anos 1970, reformas econômicas devolveram autonomia aos produtores rurais. O governo passou a tratar a produção de alimentos como questão de Estado. Hoje, o país registra a primeira fase de estabilidade alimentar completa em sua história.

Essa mudança permitiu avanços consistentes. A colheita de grãos alcançou recorde de cerca de 700 milhões de toneladas em 2024. Mais da metade desse volume fica sob controle estatal para regulação de oferta.

  • Estoques reguladores atuam como amortecedor de preços
  • Governo compra quando preços caem e vende quando sobem
  • Sistema compara valores de itens como arroz e carne suína
  • Margem de lucro de atacadistas fica em torno de 3%
  • Nos EUA, o mesmo indicador chega a 15%

Tecnologia aproxima produção do consumo

Em Xangai, plantações convivem com arranha-céus. Decisão governamental reserva cerca de 20% da área urbana para produção de alimentos. Estufas inteligentes, algumas com mais de 100 mil metros quadrados, geram verduras, legumes e até bananas.

Sensores controlam variáveis como água, gás carbônico e oxigênio. Drones aplicam fertilizantes e auxiliam na colheita. Toda inovação ou cultivo local rende subsídios aos produtores. O foco está em reduzir a distância entre origem e consumidor final.

Caminhões circulam sem pedágio em rotas prioritárias. Entregas por drone também fazem parte do modelo. O resultado aparece nos mercados, onde produtos frescos chegam rapidamente.

O chinês médio consome mais de 400 quilos de vegetais frescos por ano. Refeições completas em Xangai, com múltiplos pratos, saem por cerca de R$ 50 por pessoa. Sobras são comuns.

Alimentos ultraprocessados
Alimentos ultraprocessados – monticelllo/ istockphoto.com

Desafios persistem nos Estados Unidos

Nos EUA, milhões de pessoas vivem em desertos alimentares. Nessas regiões, comprar produtos frescos exige longos deslocamentos de carro. O consumo de ultraprocessados cresce. Estatísticas mostram mais casos de diabetes tipo 2 e redução na expectativa de vida de até cinco anos em algumas áreas.

A inflação de alimentos virou tema recorrente nas eleições. O custo de vida influenciou disputas presidenciais recentes. Em Nova York, um prefeito propôs mercados populares com subsídios em terrenos públicos. A ideia ecoa aspectos do modelo chinês.

Agricultores americanos enfrentam custos elevados de fertilizantes e combustível. Conflitos internacionais afetam rotas como o Estreito de Ormuz e pressionam insumos.

Importados enfrentam barreiras elevadas

Produtos de luxo importados custam caro na China. Um vinho californiano sai por mais de três vezes o preço praticado nos EUA. Tarifas, imposto sobre luxo e IVA criam o que alguns chamam de imposto do burguês. A maior parte da população fica fora desse mercado.

Essa política abriu espaço para outros fornecedores. As vendas de soja brasileira para a China cresceram com a guerra tarifária. O país asiático se tornou o principal cliente do Brasil no setor. Maior renda da população chinesa e demanda por carne impulsionam o fluxo.

Logística e planejamento definem diferenças

O sistema chinês combina planejamento estatal com incentivos a produtores. Não há tabelamento direto de preços. O controle ocorre pela oferta regulada e margens baixas na cadeia.

Em Xangai, a mistura de tecnologia e infraestrutura encurta caminhos. Subsidios estimulam inovação constante. O objetivo permanece claro: garantir estabilidade para uma população gigantesca.

A reportagem do Fantástico ilustra como esses fatores moldam realidades distintas. De um lado, acesso amplo a itens frescos. Do outro, desafios com custo e processamento. O episódio integra a série que compara as duas superpotências em temas estratégicos.

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