Café altera microbioma intestinal e reduz níveis de estresse e depressão aponta novo estudo

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café - Gergitek/Shutterstock.com

Pesquisadores do APC Microbiome Ireland, vinculado à University College Cork, identificaram como o café interage com o eixo intestino-cérebro para beneficiar a saúde mental e física. O estudo detalha que o consumo regular da bebida molda o microbioma intestinal, influenciando diretamente o humor, a atenção e a memória. Publicada na revista Nature Communications, a investigação comparou indivíduos que consomem de três a cinco xícaras diariamente com pessoas que não possuem o hábito. Os resultados mostram que tanto a versão com cafeína quanto a descafeinada promovem alterações biológicas significativas. A análise utilizou medições psicológicas e biológicas complexas para mapear a comunicação entre o sistema digestivo e o sistema nervoso central.

A pesquisa utilizou uma metodologia rigorosa para isolar os efeitos dos componentes do café. Durante o experimento, os consumidores habituais passaram por um período de duas semanas de abstinência total da bebida. Após essa fase, os cientistas reintroduziram o café de forma cega, onde os participantes não sabiam se ingeriam a versão comum ou descafeinada. Esse processo permitiu observar mudanças claras nos metabólitos produzidos pelos micróbios intestinais.

Mudanças no microbioma e o papel de bactérias específicas

A análise das amostras de fezes e urina revelou a presença de microrganismos específicos em maior abundância nos consumidores de café. Os cientistas destacaram que certas bactérias desempenham funções protetoras no organismo humano. O equilíbrio dessas colônias é fundamental para a manutenção da saúde sistêmica.

  • Eggertella sp: Micróbio associado à produção de ácidos digestivos essenciais.
  • Cryptobacterium curtum: Atua na síntese de ácidos biliares que combatem patógenos.
  • Firmicutes: Grupo bacteriano correlacionado à manifestação de emoções positivas.
  • Polifenóis: Compostos antioxidantes presentes no grão que auxiliam na cognição.

Os pesquisadores observaram que a presença dessas bactérias ajuda a proteger o corpo contra infecções e processos inflamatórios. O aumento de Firmicutes foi particularmente notado em mulheres, sugerindo uma resposta biológica ligada ao bem-estar emocional. Essa variação na microbiota intestinal explica por que o café tem sido associado historicamente a benefícios digestivos de longo prazo. A ciência agora consegue rastrear quais agentes microscópicos são responsáveis por essas melhorias específicas.

Café – Foto: Mocomoo/ shutterstock

Efeitos do café no humor e na redução do estresse

A reintrodução da bebida após o período de pausa trouxe resultados surpreendentes para o estado psicológico dos voluntários. Tanto o grupo que recebeu cafeína quanto o que tomou descafeinado relataram melhoras imediatas. Houve uma queda perceptível nos índices de estresse, depressão e impulsividade.

Isso indica que o prazer ou o benefício do café não depende exclusivamente do estimulante mais conhecido da planta. O café descafeinado mostrou-se eficaz na regulação emocional, o que levanta novas hipóteses sobre outros compostos bioativos. A sensação de bem-estar pode estar ligada à forma como o microbioma processa os polifenóis da bebida. Esses componentes interagem com o sistema nervoso através de sinais químicos enviados pelo intestino.

Diferenças entre a versão com cafeína e a descafeinada

Embora ambos os tipos de café tenham ajudado no humor, o estudo encontrou funções distintas para a cafeína. Os participantes que ingeriram o café comum apresentaram ganhos específicos em funções executivas e proteção biológica. A distinção entre os grupos foi clara nas avaliações de desempenho cognitivo.

A versão com cafeína foi a única capaz de reduzir a ansiedade de forma mensurável entre os testados. Além disso, os consumidores de cafeína apresentaram níveis mais altos de atenção e estado de alerta durante as tarefas propostas. Outro ponto relevante foi a associação da cafeína com a redução de marcadores inflamatórios no sangue. Isso sugere um papel preventivo contra doenças crônicas ligadas à inflamação sistêmica.

Por outro lado, o café descafeinado surpreendeu os pesquisadores no campo da aprendizagem. Apenas o grupo que consumiu a versão sem estimulante demonstrou melhorias estatisticamente relevantes na memória de curto e longo prazo. Os cientistas acreditam que a ausência do pico de adrenalina da cafeína possa permitir que outros nutrientes ajam de forma mais focada no cérebro. Este achado é fundamental para quem busca benefícios cognitivos sem os efeitos colaterais de agitação ou insônia.

O eixo intestino-cérebro e as perspectivas futuras

O professor John Cryan, um dos líderes da pesquisa, enfatizou que o interesse público pela saúde intestinal nunca foi tão alto. A conexão entre o que comemos e como nos sentimos é uma das fronteiras mais promissoras da medicina moderna. O estudo confirma que uma bebida cotidiana pode atuar como um modulador poderoso da nossa biologia interna.

A pesquisa abre caminho para novos tratamentos baseados em dieta para distúrbios de humor. Entender a comunicação bidirecional entre o intestino e o cérebro permite intervenções mais precisas e menos invasivas. O café, sendo uma das bebidas mais consumidas no planeta, torna-se um objeto de estudo central para a saúde pública global. Os próximos passos incluem investigar como diferentes tipos de torra e preparo podem alterar essas propriedades microbióticas.

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