Fifa amplia punição de Prestianni por racismo contra Vini Jr e afeta Copa do MundoPor Thiago Lemos
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O Comitê Disciplinar da Fifa confirmou nesta quarta-feira que a suspensão aplicada ao atacante argentino Gianluca Prestianni, do Benfica, terá abrangência mundial. A decisão ocorre após o jogador ser punido pela Uefa por conduta discriminatória contra o brasileiro Vinicius Junior, do Real Madrid. O episódio foi registrado durante um confronto da Liga dos Campeões da Europa, em fevereiro, no Estádio da Luz. Com a extensão da validade da pena, o atleta pode desfalcar a seleção da Argentina na fase de grupos da Copa do Mundo de 2026.
A medida impacta diretamente os planos do técnico Lionel Scaloni para o Mundial. Prestianni havia sido convocado para os amistosos da Data Fifa de março e era cotado para a lista final do torneio que começa em junho. Como a punição da Uefa previa o cumprimento de três jogos imediatos e o jogador já cumpriu um, ele ainda deve duas partidas em competições oficiais internacionais. Caso seja confirmado na delegação argentina, ele estará fora das duas primeiras rodadas da Copa do Mundo por causa das ofensas proferidas ao atacante brasileiro.
Entidade máxima do futebol amplia alcance de sanção continental
A decisão da Fifa de dar efeitos globais à pena da Uefa segue o protocolo de tolerância zero para casos de racismo em competições de elite. Gianluca Prestianni recebeu originalmente uma suspensão de seis partidas, sendo que três delas ficaram em regime condicional por um período de dois anos. Se o atleta reincidir em qualquer ato discriminatório nesse intervalo, a pena total será aplicada obrigatoriamente. A sanção internacional impede que o jogador utilize torneios fora da jurisdição europeia para contornar a punição desportiva estabelecida pelo tribunal regional.
O processo disciplinar foi fundamentado em relatórios de arbitragem e depoimentos colhidos após o jogo em Lisboa. Testemunhas e companheiros de equipe de Vinicius Junior reforçaram as acusações de que termos racistas foram utilizados durante uma discussão no segundo tempo. A defesa do argentino tentou alegar que as palavras ditas não tinham conotação racial, mas o Comitê Disciplinar considerou as provas suficientes para a condenação. A Fifa agora ratifica que a gravidade do ato exige que o cumprimento ocorra no palco principal do futebol mundial.
Confusão generalizada e denúncia no gramado de Lisboa
O caso teve início logo após Vinicius Junior marcar um gol no Estádio da Luz e comemorar perto de uma das bandeirinhas de escanteio. A celebração gerou uma reação imediata dos defensores do Benfica, o que provocou o primeiro tumulto da noite. O árbitro francês François Letexier chegou a punir o brasileiro com um cartão amarelo por considerar a atitude provocativa. No entanto, o cenário mudou quando Vini Jr. relatou ao juiz que havia sido chamado de “macaco” por Prestianni durante a discussão.
O jogo ficou paralisado por cerca de dez minutos para que o protocolo antirracismo fosse devidamente aplicado pela equipe de arbitragem.
- Vinicius Junior recebeu apoio imediato de Mbappé e Tchouaméni no campo.
- O técnico José Mourinho interveio para tentar acalmar os ânimos dos jogadores portugueses.
- Membros das comissões técnicas trocaram ofensas na beira do gramado durante a interrupção.
- Parte da torcida local entoou coros agressivos contra o atacante do Real Madrid.
- Objetos foram arremessados em direção aos jogadores espanhóis após a retomada.
A denúncia ganhou força com as declarações pós-jogo de Kylian Mbappé, que afirmou ter ouvido as ofensas repetidas vezes. O volante Tchouaméni relatou que a defesa de Prestianni tentou minimizar o fato alegando o uso de outro termo pejorativo, não relacionado à raça, para justificar a fala. Contudo, a Uefa manteve a interpretação de crime discriminatório, o que resultou na suspensão agora validada pela Fifa.
Mudança nas regras e expulsão por esconder a boca
O episódio protagonizado por Prestianni e Vinicius Junior motivou uma alteração estrutural nas leis do jogo para o ciclo da Copa de 2026. Na última semana, a International Board (Ifab) oficializou que atletas que cobrirem a boca com as mãos ou com a camisa para proferir ofensas serão expulsos. A medida visa facilitar a leitura labial pelas câmeras e combater a impunidade em discussões onde o áudio ambiente não é captado com clareza. A regra entra em vigor exatamente para o início do torneio mundial no próximo mês.
As câmeras de transmissão captaram o momento exato em que o atacante argentino falou com Vinicius Junior mantendo a mão sobre o rosto. Essa tática, recorrente no futebol moderno para evitar flagrantes de leitura labial, foi duramente criticada por comitês de ética desportiva. Com a nova diretriz, árbitros terão autonomia para aplicar o cartão vermelho direto se identificarem o comportamento associado a insultos. A Fifa acredita que a transparência nas interações entre os jogadores ajudará a reduzir episódios de violência verbal no campo.
Impacto na seleção argentina e próximos passos
A ausência de Prestianni nas duas primeiras partidas do Mundial obriga Lionel Scaloni a repensar a estratégia ofensiva da Argentina para a fase de grupos. O atacante vinha ganhando espaço como uma das opções de velocidade para atuar pelos lados do campo, servindo como alternativa tática importante. A federação argentina ainda não se manifestou oficialmente sobre a decisão da Fifa, mas a tendência é que não haja recurso com efeito suspensivo viável antes da estreia.
O cumprimento da pena deve ocorrer obrigatoriamente em competições de seleções ou torneios internacionais de clubes de primeira linha.
- O jogador segue liberado para atuar em partidas do Campeonato Português pelo Benfica.
- A restrição se aplica apenas a jogos sob a chancela da Fifa ou confederações continentais.
- Se a Argentina for eliminada precocemente e o jogador não atuar, a pena pode ser transferida.
- O atleta permanece sob observação rigorosa do conselho disciplinar até 2028.
A situação de Vinicius Junior também segue sob monitoramento, já que o brasileiro se tornou o principal rosto da luta global contra o racismo no esporte. O Real Madrid emitiu uma nota celebrando a extensão da punição, reforçando que medidas severas são o único caminho para a erradicação do preconceito nos estádios. O atacante brasileiro deve ser titular absoluto da Seleção Brasileira na Copa, buscando o título e a reafirmação de sua importância dentro e fora das quatro linhas.







