Uma mulher francesa e dois cidadãos americanos que viajavam no cruzeiro MV Hondius contraíram hantavírus ou apresentam sintomas da doença. A francesa foi evacuada do navio e testou positivo após desembarcar em Paris. Dos 17 passageiros americanos retirados da embarcação e transportados para Nebraska, dois também apresentam confirmação ou suspeita do vírus. Os EUA e a Espanha divergem sobre a classificação de um dos casos.
Autoridades americanas confirmaram os diagnósticos através de testes laboratoriais. O governo espanhol, porém, questiona a validade de ao menos um resultado. Segundo o comunicado espanhol, um teste realizado por epidemiologista do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças apresentou resultado positivo fraco em um laboratório, mas negativo em outro, sem sintomas evidentes no paciente durante a permanência em Cabo Verde.
Divergência diagnóstica entre países
O governo espanhol contestou a interpretação americana dos testes. Declarou que as autoridades dos EUA consideraram um resultado positivo fraco como caso confirmado, enquanto o resultado do segundo laboratório foi negativo. O paciente não apresentava sintomas quando ainda estava em Cabo Verde.
Os EUA solicitaram operação de evacuação e voo separado com base no teste inicial. Segundo a Espanha, as autoridades americanas “decidiram manter a classificação de caso positivo” apesar da falta de consenso diagnóstico entre os laboratórios. A discordância coloca em questão os protocolos de confirmação adotados por cada país para a doença.
Pacientes confirmados apresentam quadros distintos
Entre os americanos evacuados:
- Um passageiro apresenta sintomas leves e aguarda conclusão dos testes
- Outro foi confirmado com hantavírus mas não manifesta nenhum sintoma
- A passageira francesa desenvolveu sintomas durante o voo para Paris e testou positivo
Ambulâncias aguardavam na pista do Aeroporto Eppley, em Omaha, para receber os 17 americanos. O desembarque ocorreu de forma organizada com estrutura médica preparada para monitoramento imediato dos passageiros evacuados do navio.
Primeiro óbito por hantavírus no Brasil em 2026
Minas Gerais registrou a primeira morte por hantavírus no país este ano. A vítima, um homem de 46 anos residente de Carmo do Paranaíba no Alto Paranaíba, faleceu em fevereiro. A infecção foi confirmada pela Funed após análises laboratoriais. O homem tinha histórico de contato com roedores silvestres em área de lavoura.
A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais confirmou tratar-se de caso isolado, sem relação com outros registros da doença no país ou com o surto atual no cruzeiro. O óbito marca um marco preocupante para vigilância epidemiológica brasileira.
Características clínicas e transmissão do hantavírus
As infecções ocorrem principalmente em áreas rurais associadas a atividades agrícolas e contato com roedores silvestres infestados. A transmissão para humanos acontece na maioria das vezes pela inalação de partículas presentes na urina, fezes e saliva de animais infectados. A hantavirose se manifesta no Brasil principalmente como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus.
Os sintomas iniciais incluem:
- Febre
- Dores no corpo
- Dor de cabeça
- Dor lombar
- Dor abdominal
Em casos mais graves, a evolução inclui dificuldade respiratória, tosse seca, aceleração dos batimentos cardíacos e queda da pressão arterial. Não existe tratamento específico para a doença. O atendimento se baseia em medidas de suporte clínico conforme avaliação médica individual.
Contexto do surto e mobilização sanitária
O cruzeiro MV Hondius partiu da Argentina com destino a Cabo Verde quando os primeiros casos foram identificados. A mobilização internacional envolveu coordenação entre sistemas de saúde de múltiplos países. Além das evacuações médicas, investigações epidemiológicas foram iniciadas para rastrear possíveis exposições adicionais entre passageiros e tripulação.
A situação gerou repercussões globais sobre protocolos de viagem de cruzeiros e vigilância de doenças infecciosas em embarcações. Moderna informou estar pesquisando vacina contra hantavírus em resposta ao surto identificado. Autoridades de saúde pública mantêm monitoramento contínuo dos passageiros evacuados e de possíveis contatos secundários em terra.
