O Sindicato dos Metroviários de São Paulo convoca assembleia para esta terça-feira (12) a partir das 18h a fim de decidir sobre uma greve prevista para começar à zero hora de quarta-feira (13). A mobilização pode afetar as linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata. A categoria reclama reajuste salarial, implementação de novos concursos e melhorias nos benefícios após anos de negociações travadas pela empresa e pela gestão estadual.
Os metroviários denunciam a falta de propostas substantivas do Metrô e do governo estadual. Conforme nota do sindicato, a paralisação pode ser evitada se ambas as instituições abandonarem a intransigência e atenderem às demandas dos trabalhadores. A assembleia ocorrerá na sede da entidade, no bairro do Belém, zona leste, com transmissão ao vivo pelo canal dos Metroviários no YouTube.
Quadro reduzido à metade em uma década
O número de funcionários do Metrô caiu drasticamente nos últimos dez anos. Hoje a companhia conta com 5.663 servidores em operação dos trens, atendimento, segurança pública, manutenção e administração. Essa redução de aproximadamente 50% gerou sobrecarga nos processos operacionais e comprometeu a qualidade do serviço.
A secretária de comunicação da categoria, Camila Lisboa, ressalta que a falta de reposição de pessoal prejudica diretamente a manutenção das linhas e a segurança dos usuários. Para o sindicato, abrir novos concursos públicos é uma exigência não negociável nesta campanha. Sem contratações, a deterioração do sistema tende a continuar, segundo a avaliação dos metroviários sobre a conjuntura atual.
Pauta econômica travada nas negociações
A categoria reivindica apresentação de proposta econômica que inclua reajuste salarial e Participação nos Resultados. Até o momento, a empresa não apresentou índices que atendam às necessidades dos trabalhadores. Esse impasse principal tem bloqueado o avanço das conversas entre sindicato e direção.
Além da questão remuneratória, os metroviários colocam na pauta:
- Melhorias substanciais no plano de saúde
- Implementação efetiva do plano de carreira
- Reposição do quadro mediante concursos públicos
- Investimentos em segurança e manutenção das estações
- Combate à precarização dos benefícios sociais
A entidade sindical argumenta que a sucateamento do transporte e a redução de benefícios refletem uma política que privilegia a transferência de recursos para o setor privado em prejuízo dos servidores e usuários. Essa orientação de gestão, segundo os metroviários, não é sustentável para um serviço público de massa como o Metrô.
Privatização como pano de fundo da mobilização
O movimento dos metroviários também se manifesta contra projetos de privatização e concessão de linhas estatais. Para a categoria, a entrega do sistema à iniciativa privada agravaria ainda mais a falta de investimentos e encareceria o transporte para a população. Essa questão estrutural permeia toda a pauta de reivindicações e reflete a polarização política sobre o futuro do transporte metropolitano.
Os trabalhadores apontam que governos anteriores e a atual gestão estadual têm se recusado a dialogar de forma efetiva sobre cláusulas sociais e econômicas de longo prazo. Sem um compromisso genuíno com a manutenção do serviço público de qualidade, afirmam os metroviários, a paralisação torna-se o último recurso disponível.
Contexto da Campanha Salarial 2026
A assembleia desta terça insere-se na Campanha Salarial 2026 da categoria. Trata-se de um movimento anual de negociação que busca reposicionar os salários dos metroviários face à inflação acumulada e às perdas reais do poder de compra dos trabalhadores. Em anos anteriores, a empresa tem oferecido reajustes aquém da inflação oficial, resultando em erosão permanente dos rendimentos.
O sindicato sustenta que as demandas colocadas não são excessivas, mas correspondentes à realidade econômica e aos custos de vida na região metropolitana. A falta de resposta concreta da empresa tem alimentado a disposição dos trabalhadores em deflagrar a greve.
Impacto esperado nas linhas
Caso aprovada, a paralisação será total nas quatro linhas mencionadas. Passageiros que dependem do transporte para trabalho, estudo e acesso a serviços enfrentarão dificuldades significativas. Não há indicação de operação em horários parciais ou em escala reduzida durante a greve.
A última vez que metroviários realizaram greve de longa duração foi em 2019, quando o setor também reivindicava reajustes salariais e benefícios. Àquela ocasião, o movimento durou quatro dias e gerou impacto considerável na mobilidade urbana de São Paulo.

